quinta-feira, outubro 04, 2012

Os benfiquistas têm memória curta

Hoje um artigo do jornal Expresso, assinado por um adepto benfiquista, fez-me pensar que de facto não estou sozinho neste mundo. Os últimos 20 anos da minha vida foram passados na mais profunda alegria, verdadeira, real, junto dos meus, e com a companhia das vitórias do meu clube. Ao mesmo tempo que uma estranha sensação de ilusão e de saudosismo se ia apoderando dos adeptos do Benfica, o Porto ia ganhando títulos nacionais e internacionais, construindo equipas de sonho, criando grandes jogadores, verdadeiros craques, que viriam a escrever grandes páginas gloriosas do clube.

Neste artigo é possível ler o seguinte:
"Como dizia Mourinho há dias, o Benfica tinha perdido a respeitabilidade europeia. Para as gerações de adeptos europeus da Era Champions, o Benfica metia tanto medo como o Bastia, Bolonha ou Bolton. Continuámos a ter um ego de ave de rapina, mas os outros viam bem a nossa condição: éramos uma ave de capoeira, um galináceo a sonhar com voos picados. O gozo de Drogba não veio do nada. Como é que chegámos a esse ponto? Entre 1994 e 2010, a nação atravessou um deserto. "Ah, então e o campeonato de 2005?", pergunta o sócio impaciente. Mas alguém tem memória da equipa de Trapattoni? Em 2005, fomos campeões sem saber como, fomos campeões devido aos feitiços de um profeta angolano coxo . Não, meu amigos, a travessia do deserto não durou nove anos, mas dezasseis."
http://expresso.sapo.pt/os-benfiquistas-tem-memoria-curta=f756984#ixzz28HB8Zu8h

Trata-se, no fundo, duma reflexão profunda ao estado da nação benfiquista atual, que tal e qual um doente terminal, acreditou durante anos a fio que continuava a ser um colosso Europeu (não vence uma competição Europeia desde 1962, ano em que este cronista e o outro, do Expresso e bem mais ilustre, não éramos ainda nascidos...), enquanto olhava para o vizinho do lado (não o de Alvalade, esse ainda em estado vegetativo, mas o do "Norte") e atirava com um "são um clube regional"...

Este mesmo cronista já tinha há uns tempos alertado para os perigos de querer fazer de Emerson (ou de Melgarejo?) um novo Coentrão:
Ser do Benfica é ver D. Sebastião no Emerson
Ler mais: http://expresso.sapo.pt/ser-do-benfica-e-ver-d-sebastiao-no-emerson=f715567
Admiro os corajosos que ousam ver mais além, por entre a neblina, através da confusão. Um pequeno exemplo: fomos brindados toda a semana com parangonas do tipo "o grande jogo do ano", "o grande embate europeu do século", "parada de estrelas na Luz", "Messi é fã de Aimar", "Aimar para parar o menino-fenómeno"... duelo de gigantes que se resumiu a um jogo morno, de um só sentido, com uma posse de bola do adversário acima dos 75%... e no final os elogios para essa grande máquina de jogar à bola, o Barcelona, imbatível, demolidor (mas não o de Guardiola... este novo).

Em contraponto, ontem no Dragão, sem grandes alaridos, esteve uma "super-equipa", com grandes vedetas internacionais, com o maior orçamento de sempre do futebol mundial, que levou um banho de bola e foi, com sorte, para casa com "apenas" um golo sofrido.

Ilusão? Realidade alternativa? Sim, mas felizmente só para alguns.
Outros há que já temem que se sigam, entretanto, mais 16 anos iguais...

Sem comentários: