quinta-feira, junho 07, 2012

Um charco cheio de pedras

Isto de envelhecer lentamente tem os seus prós e os seus contras. Para além dos prazeres lascivos da carne, os dignos representantes da herança masculina do «Homo Ergaster» do Paleolítico gostam também de apreciar uns bons petiscos. E, aquilo que seria ao princípio mais uma enfadonha primeira comunhão do feriado do Corpo de Deus acabou por revelar-se uma explosão prazenteira de deleites culinários.
Em Póvoa de Lanhoso come-se bem. Terra de benfiquistas, leia-se. E enquanto digeria umas divinais Ameijoas à Bulhão Pato junto de uma piscina de uma quinta privada, um dos convivas veio juntar-se ao «Digestorium». Palavra puxa palavra, falou-se de metereologia, automóveis, nádegas femininas, política, crise económica, nádegas femininas, religião, educação e nádegas femininas. Para o final, veio o melhor: a paixão comum pelo Benfica. Entre ameaças de castração a Francisco José Viegas, o meu interlocutor estava ansioso porque iria deslocar-se a Lisboa para assistir ao jogo de hóquei que decidirá o campeonato:
-Quer vir também?
-Não posso, tenho o meu casamento para preparar. Mas agradeço-lhe o convite.
-Eu levarei o meu talismã.

Levantou-se e foi à mala do carro buscar um caixote forrado de esferovite. Retirou uma linda camisola idêntica a esta:
As lágrimas afloraram-me. Reconheci imediatamente a camisola oficial do SLB da final da Champions de 88:
-É linda!
-É, não é?
-Posso tirar uma foto?
-Não, lamento. Dá azar.

Respeitem sempre as superstições de um benfiquista...
-Porque é que não fazem mais equipamentos iguais a este?
-Não sei, diga-me você...
-As multinacionais estão a matar o nosso futebol.
-Pode crer. Ver o Manto Sagrado pintalgado de azul, amarelo ou cinza. Mete nojo.
-Pois, é a força do marketing. Destrói a identidade de um clube quando mal direccionada.
-E não adianta os sócios reclamarem. É uma pedrada no charco...
-Tem a certeza que não me deixa tirar uma foto? Tenho já destino a dar-lhe...
-Ah, sim? E posso saber qual seria?
-Mando fazer um poster e envio-o para a Secretaria de Estado da Cultura, ao cuidado do Francisco José Viegas.
-Para quê? O c... queimava-a.
-Talvez, mas assim ficaria a saber que os «outros clubes» têm equipamentos míticos.

E estranhamente, depois de uma pausa mística, lá voltamos a falar de nádegas femininas...

1 comentário:

Samuel disse...

Publicidade nas camisolas, é sem dúvida, a maneira mais mesquinha de ganhar dinheiro.