
Pontapear um moribundo não é um ato de coragem. Pelo contrário, encerra em si toda uma vilanagem torpe que ofende os preceitos da competitividade desportiva. Mesmo quando se trata de um adversário que, com as suas acções enviesadas, corrompeu os fundamentos do fair play e deontologia futebolística.
O endeusamento precoce de André Vilas Boas foi disfarçando o declínio operacional da tão elogiada estrutura que cometeu o mesmo pecado de Ícaro quando resolveu fazer ouvidos moucos aos sábios conselhos de seu pai Dédalo. E quando o Cenourinha foi tentado pelas libras, a estrutura resolveu dar um tiro no escuro com a certeza de que a aposta seria indubitavelmente ganha. Prepara-se a conclusão de uma história sem final feliz.
Escudando-se na violência armada da sua guarda pretoriana, o dirigente máximo do FCP não veio a público criticar a sua equipa. Por recato, a sua «fina ironia» ficou em salmoura. A confusão táctica expressa no jogo de Barcelos, espelhada num James desorientado e num jogador de 18 milhões sem missão definida no rectângulo prolongou-se no balneário já minado pela eminente chegada de «El Comandante», a quem a estrutura pretende devolver a braçadeira de capitão, desautorizando Hélton que foi nos últimos anos a grande voz de comando e serenidade, granjeando até o respeito dos adversários.
Com o salário mensal de Lucho a rondar uns pornográficos 206 mil euros mensais, mascara-se assim, com o regresso de uma figura mística, a batalha campal no exterior do Estádio de Barcelos, logo após o jogo. Apesar das intenções do Director de Comunicação em apelar aos jornalistas que ocultassem o testemunho do recontro de Alfarrobeira entre a Guarda Pretoriana de Sua Santidade e a milícia Sul-Americana com dois meses de salários em atraso, o certo é que as fotografias vazaram para a edição de hoje do Correio da Manhã, jornal que, apesar do sensacionalismo editorial, tem vindo a assumir uma postura de distanciamento em relação ao jugo tentacular do clã Oliveirinha.
Quando os jogadores perdem, a última coisa que querem ouvir é o achincalhamento por parte dos seus dirigentes e adeptos. Os mesmos jogadores que, em menos de 4 meses viram os seus passes desvalorizar para metade, são profissionais dignos que não têm culpa de terem um timoneiro débil.
Os mesmos adeptos que deliraram com os pseudo-salvadores que assinaram pelo FCP em dois minutos, são agora os que contestam o salário milionário de 153 mil euros auferido por Cristian Rodriguez que se prepara para abandonar o Dragão sem conferir aos azuis e brancos os anteriormente costumeiros retornos financeiros. E, ao rebolar na terra argilosa de Barcelos, espumando de raiva e manietado por assistentes desportivos, Rodriguez decerto deverá ter reflectido nos 9 meses em que envergou a camisola do Benfica e tremeu com a tontura do remorso, pois na Luz, não há pretorianos. Os traidores, mais cedo ou mais tarde, caem sempre em desgraça...

1 comentário:
Profissionais dignos!?
Ainda te convertes ao portismo.
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