domingo, outubro 16, 2011

Futuro com valor de ouro de lei



É fascinante a dualidade de critérios com que a imprensa desportiva nacional aborda a questão da evolução do jovem jogador português. Nada de especial, portanto, já que vivemos eras em que a ética e a deontologia jornalística varia conforme a cor clubística dominante. Ainda assim, não deixa de ser intrigante que, na mesma semana em que Portugal foi dominado pela Dinamarca e pela Rússia nas seleções A e sub-21, respetivamente e tendo as crónicas jornalísticas bradado em uníssono a falta de opções estruturais que garantam as condições de evolução dos jovens portugueses que hoje...hoje! Iturbe tenha sido magnanimemente elogiado em todos os jornais afetos a Joaquim Oliveira pelos 45 minutos em que jogou contra esse grande colosso local do quarto escalão nacional: o Pêro Pinheiro.

Iturbe é magnífico, Derlis Gonzalez será a oitava maravilha do Mundo, Diego Rubio funcionará como a quintessência do futebol moderno, tudo parangonas debitadas por algum braço-direito de empresãrio que ache que as redações jornalísticas devam ser locais adequados para panegíricos. Nesta gritante dualidade, não li nem ouvi qualquer ode lírica dedicada aos talentos de Miguel Vítor, David Simão ou Nélson Oliveira pelas exibições sólidas em Portimão na passada sexta-feira. Sim, porque para não variar, o sorteio «bola fria, bola quente» conferiu ao vice-campeão nacional a responsabilidade de defrontar o adversário mais difícil, tomando em linha de consideração o Famalicão e o Pêro Pinheiro.

O mesmo país que só acordou para seleção sub-20 quando a RTP se dignificou a transmitir o terceiro jogo da equipa, é o mesmo que agora olha para Rui Jorge e os seus meninos sub-21 com algum desdém. Sim, porque o que interessa é endeusar as duas assistências de Iturbe perante jogadores de um clube que treina duas vezes por semana entre as 18:30 e as 20:00. Aliás, olhando para o percurso de Leandro Lima (quem?), reconheço alguns dos elogios deixados agora a Iturbe. Mas onde está o elogio ao jovem jogador português? Guardado no congelador, ao lado dos ovos podres e tomates maduros?

Miguel Vítor, David Simão e Nélson Oliveira não deslustraram. Pelo contrário. Demonstraram que podem ser peças fundamentais para a época do Benfica e assumir lugares de destaque na História do Clube. Assim o adepto benfiquista seja paciente e não se dedique a assobiar e a vaiar os primeiros jogos menos conseguidos destas «Esperanças Gloriosas». Sim, porque nem todos podem ser como Iturbe, a quem o comentador da SporcosTV elogiou por 193 vezes no decorrer da transmissão televisiva de ontem...

1 comentário:

Unknown disse...

Boa, compadre. Óptima redacção. Argumentos arbirários. Talvez o Pais Amaral possa contratar os imparciais jornalistas da Benfica TV.