terça-feira, setembro 27, 2011

Subbuteo



É uma verdade universalmente reconhecida (já pareço a Jane Austen a escrever) que as crianças não devem receber tudo o que desejam, sob o risco de ficarem mimadas. A imaginação e a criatividade são as maiores dádivas que podem ser dadas a um petiz e se este tiver todos os brinquedos que almeja, corre o risco de não valorizar as coisas mais simples e igualmente importantes desta efémera vida .

A parca condição financeira da família Reis não permitiu que eu tivesse muitos brinquedos na minha infância, mas o que os meus pais não podiam dar por falta de condições, eu compensava com bastante imaginação. Assim, quando por volta de 1985 surgiram à venda os primeiros Subbuteos, criei um sucedâneo no tapete da sala, usando os cromos repetidos da minha caderneta. Quando um dos meus amigos ricos um dia me convidou para lhe dar umas explicações de Matemática, achou-se no direito arrogante de exibir ao amigo pobre que era um mestre do Subbuteo e toca de me demonstrar toda a sua maestria. E, confesso, fiquei bastante desiludido com o jogo: uma sucessão de passes falhados, jogadas sem nexo, jogadores a deslizar pela «relva» sem eira nem beira.

Ora, assistindo ao Otelul-Benfica no meu «chalet» de Lamego, recuei 25 anos no tempo e lembrei-me daquela tarde em que o meu amigo Cavaleiro (por onde andarás?) me apresentou ao Subbuteo. Reclamo de barriga cheia: há muito que o Benfica não ganhava um jogo fora na Champions, mas a exibição foi tão confrangedora e os índices físicos tão incipientes que cheguei à conclusão de que falhámos uma soberana oportunidade de golear uma equipa tão pobrezinha, ainda por cima a jogar em campo neutro.

O Benfica é um «grande» do futebol português e não pode estar predestinado a fazer exibições calculistas de jogadas aos rapelões. Tamanhas foram as escorregadelas e os passes falhados que a certa altura pensei que os romenos tinham derramado óleo de coco no relvado antes do início do jogo...

Com o empate do Basileia e fazendo umas contas apuradas, tornou-se visível que 9 pontos podem não ser suficientes para passarmos aos oitavos-de-final. Ideal, seria fazermos 6 pontos no confronto com os suiços e aspirar ao primeiro lugar do grupo onde, teoricamente, o sorteio nos colocaria um adversário mais acessível...Para já, vamos bolinando à velocidade de Gaitan e rezemos para que as lesões não afetem os nossos playmakers...

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