segunda-feira, setembro 26, 2011

O assador de treinadores que não são cunhados de adjuntos



Quando pensávamos que já nada nos poderia surpreender neste futebol luso, eis que esta noite, Portugal recebe ao jantar a notícia da demissão de Vítor Pontes do comando do União de Leiria, 19 dias(!)após a sua contratação. Eis, uma vez mais, a célebre «lei de trabalho Del Neri» a fazer escola.

A contratação de Pontes nem sequer foi um plano B de João Bartolomeu, foi mais um plano X ou Z. A opção por Pontes para substituir um técnico de qualidade duvidosa (Caixinha) mais parece aqueles técnicas de medicina medieval em que se faziam sangramentos para curar hemorragias internas. Vítor Pontes nunca foi um treinador de primeira linha e terá sempre consigo o anátema de ter conduzido o Vitória de Guimarães à Segunda Divisão após 50 anos ininterruptos como primodivisionário. E no futebol português, mesmo que o treinador seja competente e queira ter vontade de trabalhar, terá sempre um passado a falar por si...

A questão é que, apesar de tentarem ligar o Leiria ao Benfica mercê dos empréstimos de jogadores como Elvis, André Almeida e Shaffer, o diretor desportivo leiriense é um portista fanático, de seu nome Jorge Alexandre e que foi, durante quase uma década, elemento fundamental do Tourizense, pequena equipa da 2ªB e que teve o seu momento de glória quando em 2003, assinou um protocolo de cooperação com o FCP para este colocar a rodar no clube alguns jogadores suplentes da sua equipa de Juniores. A parceria foi tão sólida que, até em alguns jogos da Zona Centro se poderia ver entre a assistência dezenas de elementos da claque dos Superdragões que, em vão, tardaram em assistir à promoção da associação desportiva da aldeia de Touriz que, segundo os censos 2011 tem apenas 632 habitantes...Paradigmático!

Ora, não custa nada acreditar que Jorge Alexandre, através dos contatos com os muitos «Araújos» que gravitam em volta das SADS em busca da sua comissaozita singela, tenha cedido às mesmas técnicas de persuasão que dias antes tinham conduzido um desconhecido e sem currículo cunhado de um treinador de um clube grande a assumir as rédeas do Paços de Ferreira com resultados francamente animadores: 3 jogos, 3 derrotas. Claro que, aprendendo com as técnicas familiares, o cunhado tratou de lançar areia para os olhos dos sócios que não alinham em negociatas por ainda se lembrarem dos distantes tempos (anos 60) em que o Paços de Ferreira alinhava de azul e branco e somando participações honrosas na 1ª Divisão Distrital da A.F.Porto sofrendo com derbies que opunham o Paços ao Lixa. Por isso, o cunhado, após desligar o telemóvel, gritou:
«A CULPA É DO FÁBIO FARIA!COMIGO NÃO JOGA MAIS!».

Entretanto, e voltando ao Leiria, a SAD parece que abriu os olhos e estabeleceu contatos com um treinador que não é cunhado de treinadores do FCP e conquistou um lugar de destaque no futebol português à custa do seu trabalho e honradez: Manuel Cajuda! Façamos figas porque misters como o sr. Cajuda fazem (muita) falta ao futebol português...

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