quarta-feira, novembro 28, 2012

Market Pool

Acabou-se a mama, tugas!
A UEFA prepara-se para dar a machadada final nas aspirações dos pequenos clubes europeus (todos aqueles que não orbitam nas principais ligas europeias), onde se incluem, claro, todos os clubes portugueses. Com a anunciada legislação que proibirá a entrada de fundos de jogadores nas contas das SAD, a UEFA de Platini cumpre um sonho antigo de blindar as grandes competições europeias à plebe, depois de já ter matado a Taça das Taças e a Taça UEFA, para as tornar uma espécie de Liga dos Campeões B (a denominada "Liga Europa"), também com os dias contados, unificando tudo num sonho de Liga dos Campeões dos ricos. Desde aquela famosa final da Liga Europa, ganha pelo FC Porto contra o Braga (!), que Platini jurou que nunca mais duas equipas portuguesas poderiam contaminar o palco dum final europeia.

Não é de agora a "arte" da UEFA em dividir as suas receitas de forma desigual, entre clubes "iguais", favorecendo sempre aqueles que são, para si, mais merecedores. Um dos mecanismos mais eficazes é o chamado "Market Pool", que consiste num ranking interno da UEFA que atribui aos clubes um rácio de acordo com o seu (e do país) valor, fazendo depois valer este peso na distribuição das receitas. Um exemplo: no ano em que o FC Porto chegou à final da Champions, com Mourinho, e venceu, este recebeu da UEFA, no total da campanha, 29,8 Milhões de euros, incluindo 2,98 M, de "Market Pool". Já o Mónaco, derrotado nessa mesma final, recebeu da UEFA 40 M. €, sendo 17 M. diretamente do "Market Pool". Confusos? E se vos disser que nesse mesmo ano, equipas que ficaram pelos oitavos e pelas meias-finais, casos de Chelsea, Arsenal e Manchester United, por exemplo, receberam da UEFA quantias muito superiores a 40 M €?

Já para não referir que o ano em que o Porto venceu a Liga Europa ter sido considerado um mau ano em termos de receitas para o clube...

Mas Platini tem a lição bem estudada, e não passa incólume às pressões dos grandes clubes europeus, preocupados com a constante intromissão das equipas pequenas nos lugares cimeiros das provas da UEFA, obrigando assim a repartir o bolo das receitas por mais clubes, muito deles esfomeados de verbas deste tipo. Os próprios clubes ingleses há muito que se sentem "prejudicados" com esta situação, principalmente porque há muito proibiram, no seu campeonato, a entrada de fundos de jogadores desconhecidos (desde o famoso caso Mascherano/Tevez), e consideram-se assim prejudicados em relação aos outros concorrentes.

Falta agora saber como esta medida, juntamente com o tão propalado "fair-play financeiro", será acolhida junto dos clubes, principalmente os que têm mais a perder. Lembro que os fundos de jogadores constituem, nesta altura, uma espécie de tábua de salvação para estes, impedidos de recorrerem aos canais de financiamento normais, uma vez que os bancos estão também eles carentes de verbas.

Será esta a estocada final de Platini na democracia desportiva europeia, em favor da aristocracia dos grandes clubes? Como ficarão, neste quadro, os chamados "novos-ricos", que vivem do dinheiro dos magnatas do petróleo e do sub-mundo dos negócios? Serão estes os futuros aristocratas europeus, ou apenas mais uma peça a ser engolida pela máquina bem oleada de "lobbyes" da UEFA?

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