Uma das filosofias de vida mais sensatas, senão a mais sensata, é a de abandonar a alegoria do copo meio cheio/meio vazio e aceitar a intangibilidade metafísica de alguns assuntos, mesmo que sejam paradigmas futebolísticos de duvidosa aceitação.
Esta conclusão vem no seguimento do negócio Álvaro Pereira, o uruguaio que o FCP desviou do Benfica no defeso de 2009, intrometendo-se num negócio já praticamente concluído entre os encarnados e a equipa romena do Cluj. É inquestionável a mais-valia em que o uruguaio se traduziu, sobretudo quando os seus índices motivacionais estavam nos píncaros, ombreando com Fábio Coentrão na luta pela definição do melhor lateral-esquerdo da Liga.
No início da passada época, no rescaldo de uma época quase perfeita de Vilas Boas, este tentou recrutar Álvaro Pereira para o Chelsea, para lutar pela titularidade com Ashley Cole, oferecendo um valor bastante aceitável pelo mesmo: 22 milhões de euros. Cego pela sobranceria, Pinto da Costa recusou a justa oferta, recorrendo aos seus chistes de duvidosa auréola humorística para fazer um trocadilho com a frase que Álvaro Pereira usara no momento da assinatura para achincalhar o Benfica. E vai daí, as parangonas do jornal «O Jogo» de 29 de Agosto de 2011 incluiam esta pérola do presidente da SAD Portista:
«Demorei 30 segundos a recusar a proposta do Chelsea».
O modo como se processou o negócio aliado à contratação de Alex Sandro veio retirar grande parte da margem de manobra de Álvaro Pereira no decorrer da época. A postura indolente nos treinos, o episódio de esmurramento das paredes do banco no jogo de Braga e a cena de pugilato com Kléber (dizem as testemunhas que o ponta de lança ficou estendido no relvado com um gancho de esquerda que será reaproveitado por Sylvester Stallone numa cena do filme Rocky VII) abriu as portas de saída de Contumil.
Os blogues e órgãos de comunicação afectos ao FCP não se coibiram de apresentar os 10 milhões (mais variáveis) dados pelo Inter como um excelente negócio, mais um banho dourado na futura estátua de Pinto da Costa a erguer em frente ao Dolce Vita após a morte de Sua Santidade). Esquecem-se é da aritmética simples: os 12 milhões de desvalorização do passe numa única época...
PS- Depois de Guarin, o Inter toma posse de mais um «rejeitado» do FCP num negócio conjunto de 22 milhões de euros a fazer lembrar os contornos «Lisandro+ Cissokho» do Lyon. Na altura, o «bas-fond» do futebol falou em lavagem de dinheiro...E agora?


1 comentário:
Sim, saiu a baixo do preço... tal como o Guarin, Fucile e Belluschi. Sinais dos tempos que correm. Pelo menos foi campeão, este ano, o que justifica parte do investimento.
Entretanto, Benfica já vendeu quem?
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