segunda-feira, janeiro 09, 2012

Renascer de um mito



Foram inúmeras as vezes em que cronistas e opinadores, fazendo um diagnóstico do Benfica na última década, apresentavam o clube como um gigante moribundo, agonizando no seu estertor enquanto recordava os êxitos de um passado já muito distante. Nessas mesmas críticas, eram apontadas lacunas graves na gestão de Luís Filipe Vieira que, procurando reerguer o orgulho ferido dos adeptos benfiquistas, insistiu em operações de marketing e acções de charme no Portugal profundo, reorganizando a rede de Casas que, ao fim e ao cabo, são os glóbulos vermelhos da corrente sanguínea mística benfiquista.
O Benfica sempre foi um viveiro de jogadores que, na sua senda de sucesso, acabaram por se tornaram em elementos de craveira mundial. Quando Angel Di Maria foi vendido ao Real por um valor a rondar os 35 milhões de euros, foram muitos os profetas da desgraça que ridicularizaram o negócio e muitas dessas vozes dissonantes eram internas. No pacote Di Maria, acabariam por chegar duas promessas do futebol: um luso, Alípio que agora paira por terras orientais e Rodrigo Moreno.
Rodrigo tardou em explodir: o seu empréstimo ao Bolton deveria ter servido para acelerar a sua cultura táctica e traduziu-se num semi-falhanço. Jorge Jesus apostou nele e os resultados têm sido visíveis: a potência do seu futebol optimizou-se, desenvolveu faro de golo e apurou a sua técnica. E estamos a falar de um miúdo de 20 anos que foi ontem o melhor em campo, apesar das excelentes exibições de Cardozo, Witsel e de Bruno César.
Independentemente das épocas em que estará de «águia ao peito», a maturidade que Rodrigo ganhará torná-lo-á num jogador de craveira internacional e, a breve trecho, o substituto de Fernando Torres na selecção. Quer a segundo avençado como a ponta de lança, Rodrigo é já um jogador muito interessante, quase completo. E, aos poucos, renasce um velho mito: a do Benfica produzir futuros Bolas de Ouro...

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