terça-feira, janeiro 03, 2012

Com papas e Xandões se enganam os leões



Austeridade. Crua e incipiente palavra que muito justamente, foi a escolhida para caracterizar o ano que findou. De repente, o português que habituado estava à sua rede de segurança que lhe permitia, de quando em vez, protagonizar algumas extravagâncias, vê-se apeado dos seus sonhos e expetativas de grandeza.

A austeridade também chegou ao futebol português, entrando pela porta da frente qual penetra em festa familiar que se atira logo aos rissóis e croquetes. Os efeitos são visíveis: a SAD do Benfica, ciente de que os bancos não estão disponíveis para entrar em loucuras, põe travão na euforia dos adeptos que sonham com uma equipa de milhões. O FCP vê-se à nora para pôr cobro às extravagâncias pessoais de elementos da sua Direcção, é obrigado a protelar o pagamento dos salários dos seus atletas para honrar compromissos com outros clubes e sofre atentados ao seu bom nome no dia em que um elemento diretivo do Santos vem a público reclamar o pagamento atrasado de Alex Sandro, pago a peso de platina para evitar que vestisse de águia ao peito.

Onde entra o Sporting no meio de toda esta calamidade pessimista financeira? Num defeso marcado pelos milhões de euros gastos em Elias e Van Wolfswinkel, o Sporting sofreu um acréscimo qualitativo no seu todo, o que veio beneficiar a competetividade do nosso campeonato. Agora, para suprir lacunas pontuais, vê-se compelido a adquirir o passe da quarta opção como defesa central do São Paulo e a mendigar a um clube italiano o empréstimo de um ponta de lança da sua equipa de reservas e que, na época transacta, marcou alguns golos na segunda divisão francesa(!!). Os tempos não estão para gastos, de fato...

Escrevendo sobre o Sporting, lembrei-me de uma conversa acalorada que tive com um abastado empresário monçanense no Verão passado. Este condenou a minha opção clubística, utilizando como argumento a velha e esbatida tirada de «Se você é um Homem do Norte, tem de apoiar o FCP e não um clube do Sul». Típico preceito provinciano, rebati. O Benfica não é um clube do Sul, é um clube nacional, internacional e intercontinental, emblema representativo de uma Nação pluricultural como a nossa. Mas, de vez em quando, sou confrontado com a velha divisão entre «benfiquista do Norte» e «Benfiquista do Sul» que nunca apoiei. Sou um benfiquista. Ponto! Vivi todos os 36 anos da minha vida no Norte e como tal, nunca encarei o Sporting como o maior rival, o maior adversário, guardando essa distinção para o FCP, um emblema que cresceu muito devido ao ódio visceral que os movia contra o palmarés benfiquista. Mas, não levem a mal. Gostava de ver um Sporting a, regularmente, lutar pelo título e a libertar-se da clientelização que adoptou em relação ao FCP em tempos idos. Quero, num futuro próximo, ver 5 ou 6 clubes a lutar pelo título e sentir que não é só em Inglaterra que verei um Aston Villa a bater o pé ao Chelsea e um Blackburn a levar de vencida o poderoso Manchester United que, ao que consta, não tem jogadores emprestados ao Blackburn nem empresários a gravitar junto das direcções dos clubes mais pequenos.

Temo que com Xandões e outras nulidades, estejemos a dotar a nossa Liga da única característica que a aproxima da sua congénere escocesa: ter duas equipas a lutar pelo título...

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