quinta-feira, dezembro 22, 2011

Água mole em pedra dura...



Como seriam celebradas as vésperas de Natal há cem anos atrás, numa era em que não havia televisão nem internet e em que as famílias estreitavam laços à volta da mesa? Havia a missa do Galo que possibilitava que a alma se alimentasse quando, horas antes, a penúria e a miséria impediam que a Consoada trouxesse uma mesa farta que saciasse o corpo. À volta da fogueira ou da lareira, velhos transmitiam valores geracionais aos mais novos, quase sempre, apoiados em adivinhas, lengalengas, histórias rurais e muitos ditos populares: «Água mole em pedra dura» deveria ser quase sempre completada pelo seu acrónimo «Pobre não tem vícios».

Quem acompanha a comunicação social desportiva por alturas das calendas natalícias, não deixa de ser bombardeado por pseudo-contratações mirabolantes para os chamados três grandes, para, em 31 de Janeiro, abraçar uma certa desilusão pelo falhanço dessas contratações que muitas vezes, não passavam de sondagens ou inserções em listas de observações. Ora, com os efeitos da crise, as coisas mudaram, também no futebol. E, (felizmente)tal também se aplica ao Benfica e muitos adeptos receberam com júbilo a intenção da cúpula dirigente benfiquista apostar no mercado interno.

As lacunas no plantel do Benfica foram devidamente escalpelizadas internamente. Verdade seja dita que Capdevilla optou pela acomodação tentadora que o seu palmarés lhe permitiu e obrigou o Benfica a procurar uma alternativa de qualidade que não existe em Portugal. Ansaldi parece ser uma boa solução e dá,pelo menos,garantias de ombrear com Emerson pela titularidade.

Mas Rui Costa e Bruno Maruta desenvolveram uma sólida linha de acção assente na prospecção assertiva, de forma a preparar as bases de uma equipa B que estruture o futuro a médio prazo do nosso plantel principal. Vai daí, lançaram o canto de sereia a uma União de Leiria não já tão presa às cláusulas contratuais de um clientelismo sujo ao serviço dos interesses de Contumil e, ao que parece, asseguraram dois jovens promissores: Djaniny e Ruben Brígido.

Confesso que não sou um fã do futebol aos repelões de Djaniny, mas Brígido foi daqueles que, na época transata, me encheu o olho. A par de Diogo Salomão, é o jovem com maior potencial técnico para, num prazo de 3 a 5 anos, se tornar num jogador de craveira munidal, assim haja paciência e cultura táctica. E Jesus já provou que tem paciência e mestria para lapidar diamantes. Mesmo em bruto.

PS- King, põe-te bom depressa!

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