quinta-feira, novembro 19, 2009

Amor e fervor: eis o, provavelmente, melhor treinador do mundo


Mais uma reportagem de compêndio do jornal I:


Se se dizia que Paulo Bento era um caso isolado, sem a protecção dos dirigentes do Sporting imediatamente acima, o que dizer de Carlos Carvalhal?


Anunciado na CMVM às 2h48 da madrugada de domingo, estaria a maioria do universo sportinguista a dormir, foi ontem apresentado, sozinho, à frente de um único jornalista do site do Sporting. Aliás, Carvalhal não foi apresentado, ao contrário do que aconteceu com Bento, e, antes dele, com Peseiro, e antes dele com Fernando Santos, e antes dele com Bölöni, e assim sucessivamente até 1906.


Fez uma comunicação em que sublinhou o verbo "motivar" e falou directamente ao coração dos sócios que, de acordo com todos os inquéritos da comunicação social, estão longe de se sentirem motivados com o nome do técnico de 43 anos."Aos sócios, àqueles que vão aos estádios, aos que usam cachecol ou camisola, gostaria de dirigir as primeiras palavras: os clubes têm momentos em que sentem dificuldades - não é só o Sporting -, momentos de adormecimento. O repto que lhes lanço é que vão ao estádio com prazer para apoiar e para impedir o clube de adormecer. O Sporting não é um momento, uma conjuntura. É uma estrutura muito forte e com uma história riquíssima", disse ontem Carvalhal numa conversa com o http://www.sporting.pt/ que durou exactamente 7'38''.


Silêncio

De José Eduardo Bettencourt não se ouve uma palavra desde o dia em que desmentiu o interesse - entretanto confirmado - em André Villas-Boas. E Ricardo Sá Pinto, cara nova na estrutura do futebol, também ainda não se pronunciou sobre Carvalhal, o homem com quem vai trabalhar pelo menos até final da actual temporada.


Carvalhal, despedido do Marítimo à sexta jornada, assistiu de manhã ao treino de 13 sportinguistas, os que sobram dos trabalhos das selecções e no departamento médico. Aí sim, estava acompanhado de Bettencourt, devidamente fotografado ao lado do homem que (surpreendentemente) escolheu, após as recusas de André Villas Boas ou de José Pekerman.


Sá Pinto é que não estava: tinha ido à Grécia para participar na festa de despedida de Sérgio Conceição, antigo colega de selecção, que abandonou o PAOK.


Sono

Os jornalistas que acompanharam o dia zero de Carvalhal em Alcochete, esperavam a saída do substituto de Paulo Bento para as perguntas rotineiras deste tipo de dias. Sem efeito. O treinador sentiu-se de tal forma em casa que preferiu dormir logo na Academia Sporting Puma. Amanhã, às 10h30, orienta a primeira sessão ao lado de Rifa, João Mário, José Lima e Vítor Silvestre - os dois primeiros homens de confiança do técnico, os dois últimos transitando da estrutura júnior campeã nacional.


Despertador

Ao acordar, o treinador do Sporting vai começar a mudar suavemente aquilo que herda de Paulo Bento. "Não vou mudar muito, nem de repente. Mas, com o tempo, vou mudar algumas coisas porque quando muda um treinador, mudam traços", diz Carvalhal. "A prioridade é motivar, porque houve muito trabalho anterior bem feito, embora no passado recente a auto-estima tenha baixado. Importante é ganhar o 'jogo' contra os nossos rivais de não deixar adormecer a equipa, de mobilizar, de manter vivo o fervor que nós sabemos que os sportinguistas têm."


Alarme

Os dois primeiros jogos do novo técnico não podiam ser mais diferentes em nível de importância. Pescadores da Costa da Caparica, domingo, no Restelo, para a Taça, e, no fim-de-semana seguinte, dérbi com o Benfica em Alvalade. Carvalhal alerta para o perigo de pensar nas águias antes dos Pescadores. "A nossa preocupação é passar a eliminatória porque no campeonato a situação não é fácil e não adianta fazer contas ao que se vai passar daqui a 15 dias e não já esta semana. E mobilizar os sócios".
Carvalhal não quer ser um caso isolado mas, para já, é o único a olhar o céu.
Por Rui Catalão e Rui Silva

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