
A prova de que a imprensa desportiva está cada vez mais avençada é irrefutável. Os jornalistas desportivos também precisam de comer e optam por nunca publicar nada que desagrade ao FCP. Mas se por outro lado, se se deparam com uma notícia que poderá afectar o Benfica, não se importam nada de rasgar o Código Deontológico e deturpar os seus contornos. Neste último caso, vejam o exemplo da SIC e do tratamento que mereceu Luis Filipe Vieira e a sua alegada protecção criminosa aos No Name.
Há dias, uma revista alemã entrevistou o ex-jogador portista Diego, nas vésperas do Werder Bremen disputar a final da Taça Uefa. Nessa entrevista, Diego arrasou o FCP e divulgou que houve alturas em que teve 3 meses de salários em atraso!!. 3 meses!!! Com excepção do Público (que lhe dedicou um espaço de 1cm2 na sua secção desportiva), a notícia foi convenientemente abafada pelos nossos jornais desportivos. Se fosse no SLB, até aberturas de Telejornal mereceria e ligações em directo à Casa do Benfica em Penamacor com comentários em estúdio de António Tadeia e de Rui Santos em que estes dissertariam com prazer orgasmático sobre os sinais da decadência do Benfica. Incompetência e salários em atraso no FCP? Sacrilégio!!, gritaram em uníssono as redacções dos jornais ligados à Cofina e Olivedesportos, antes de despirem as suas túnicas e de se auto-flagerarem com as 14322 sobras da Revista Dragões, amarradas em forma de espiral. Eis o excerto da notícia, exclusivo Donos da Bola:
« A revista alemã "11 Freunde" reservou uma das últimas capas para Diego, camisa branca e uma imensa aura dourada. [/]O “anjo” ainda é do Werder Bremen – e um pouco do futebol alemão que aprendeu a viver com o seu talento –, mas por pouco tempo. À confiança, e apesar de o brasileiro não disputar a final de Istambul devido a castigo, a Juventus já passou um cheque no valor de quase 25 milhões de euros, mais do quadruplo do que o FC Porto recebeu pela sua transferência em 2006.
Por falar nisso... o que é que falhou, Diego? “No FC Porto a incompetência prejudicou-me, na Alemanha encontrei o meu espaço[/]”, respondeu o brasileiro ao PÚBLICO, apontando imediatamente o dedo ao treinador Co Adriaanse (“não sabia aproveitar o meu potencial dentro do campo”) e também ao FC Porto (“não pagava o que devia”). “Cheguei a ter três meses de salários em atraso”, [/]completou o brasileiro, que chegou às Antas em 2004 com rótulo de Deco. Hoje lamenta essa “parceria”. “Foi uma sequência de erros graves. Todos podem ver o jogador que sou. Os últimos três anos aqui na Alemanha serviram para provar de quem era o problema. Era do FC Porto”.
Deu a volta por cima e vive “o melhor momento” da carreira. “O mais movimentado e mais intenso também”. Ajudou a carregar o Werder Bremen até Istambul (seis golos e duas assistências “e não posso jogar o melhor jogo...”), disputa a final da Taça da Alemanha frente ao Bayer Leverkusen no próximo dia 31 e prepara-se para aquilo a que chama “momento decisivo”, daqueles que “todos os jogadores gostariam de viver”. “O meu grande objectivo sempre passou por apostar no meu potencial. Devo muito ao Werder Bremen, que teve competência, coisa que o FC Porto não teve.

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