quarta-feira, maio 03, 2006

Maus fígados

Depois de na época passada termos sido brindados com atitudes e declarações vergonhosas por parte dos jogadores do Benfica, que acusaram os jogadores do Rio Ave de, e passo a citar o Petit: "parecia que queriam ganhar o jogo", e de, já nesta época, Nuno Gomes nos ter oferecido aquele espectáculo vergonhoso em Braga (quem não se lembra daquele gesto vergonhoso e insultuoso da seringa no braço?), chegou agora a vez de Ronald Koeman, treinador desta prestigiada instituição, vir também ele a público insultar e pôr em causa o profissionalismos dos jogadores do Rio Ave.
 
Curiosamente, o argumento usado por Ronald (não é a mascote da McDonald's, mas sim o holandês que está de saída do Benfica), cai logo por terra: o Benfica, repito, o Benfica é a equipa nacional que mais beneficia de erros dos adversários!
 
Segundo Ronald Koeman, porém, os golos sofridos pelo Rio Ave frente ao Sporting foram: "esquisitos e muito consentidos, incluindo um auto-golo"...
Ora, basta analisarmos os dados estatísticos do nosso campeonato para constatarmos que o Benfica, só esta época, beneficiou de mais auto-golos de equipas adversárias do que qualquer outra equipa, estando mesmo no top cinco Europeu das equipas com mais auto-golos a favor.
 
Triste quando, por falta de argumentos, se levantam suspeições, se coloca em causa o profissionalismo de jogadores sérios e se lança para a praça pública a confusão e a lama. Começa a ser frequente este tipo de jogadas para estes lados, sempre que em campo as coisas não lhes corre de feição. Falta de ética ou puro chauvinismo? Resta saber qual será o próximo capítulo desta saga.

quinta-feira, abril 27, 2006

Afinal não é só o Baía...

Moradores da ilha de Reunião, em França, criaram uma petição para enviar ao seleccionador nacional Francês, Raymond Domenech, para que este convoque Laurent Robert (jogador do Benfica) para o Mundial 2006 na Alemanha.

Robert, o mais ilustre representante da região, conta com o apoio dos seus compatriotas para viajar até à Alemanha. A iniciativa, recentemente lançada, já recolheu cerca de oitenta assinaturas (pensa-se que corresponde a um terço dos habitantes da ilha sem televisão). Poderá não ser suficiente para convencer o seleccionador francês, mas os autores da iniciativa estão confiantes:

«Henry é apoiado pelas Antilhas. Nós queremos fazer algo similar pelo Laurent Robert. O seleccionador ouve sempre o povo», disseram. «Desejavamos que o nosso célebre jogador fosse chamado para o amigável frente ao México, a 27 de Maio e que tivesse um lugar como médio ofensivo, sobre a esquerda, no próximo Mundial». 

Sim senhor, e mais alguma coisa? Uma suite para o Robert, talvez? E um cargo como assistente do seleccionador para depois do Mundial, não vinha a calhar? É que os 200 mil euros que ele está a sacar ao Benfica por mês não dão para muito. Se não fossem estas iniciativas o homem andava pelas ruas da amargura...

À falta de melhores argumentos, os responsáveis da iniciativa lembram ainda que Laurent Robert «nasceu sob o signo da providência e no dia da celebração da criação da FIFA». Ao que parece, o seleccionador nacional de França é amante da astrologia... valha-nos ao menos isso... já o nosso seleccionador é amante do verde das notas e parece que já escolheu as terras de Sua Majestade para passar os próximos tempos (possivelmente vai lá ficar pouco tempo, mas com o que já amealhou por cá, bem pode ir para uma ilha paradisíaca para o resto da vida).

 

sexta-feira, abril 21, 2006

A frase da semana

"Ele sabe que eu estou reformado e apenas quero sopas e descanso." - Dias da Cunha

Foi com esta resposta que o antigo presidente do Sporting calou Luís Filipe Vieira, quando este o convidou para ser candidato a presidente da Liga de Clubes. Quatro anos de sistemas, alucinações, perseguições e joguinhos mentais que só ele parecia entender, o homem do cachecol, Dias da Cunha, ele próprio, recusa agora ser candidato à presidência da Liga, precisamente o organismo que durante anos tentou combater. Agora que tinha a possibilidade de por tudo em pratos limpos e ajudar a limpar a sujeira que inunda os corredores da Liga... diz que está na reforma... Coerente, como sempre vimos em Dias da Cunha.

Na mesma linha de pensamento, veio hoje a público uma declaração dum suposto porta-voz da FIFA, negando a entrevista dada por Blatter a um jornal croata. Gilberto Madail, Pinto da Costa e o Zé Povinho já tinham percebido isso. Aquela entrevista nunca existiu.

Eu, pelo contrário, acho que o Sr. Blatter disse mesmo aquilo... Que melhor forma de atacar o G-14 do que trazer para a praça uma suposta pressão de "gente poderosa" sobre um seleccionador?. Pena foi que quem lhe passou o dossier se tenha esquecido de ver a data do mesmo: é que se fosse há um par de anos... por altura do Euro 2004... mas agora... o coitado do Baía até já se tinha esquecido disso.

Alguém meteu água. Ponto.

Mas o energúmeno do Blatter bem que podia ter verificado se os dados estavam actualizados: é que o Baía já tem 36 anos (fará possivelmente mais uma época se tudo correr bem) e mesmo que fosse convocado para o Mundial como 3º guarda-redes, o melhor que conseguiria seria, talvez, sentar-se no banco de suplentes, de chinelos e garrafa de água na mão, à espera que lhe dessem a ordem para ir chamar alguém para entrar em campo... sendo assim, de que forma o seu passe iria valorizar? Quem o iria comprar? O Silvino, por estar ao lado do Mourinho no banco do Chelsea, é agora um guarda-redes apetecível?

Felizmente Vitor Baía não precisa de ir ao Mundial para se valorizar (quantos jogadores actuais podem dizer isto?). O jogador em actividade com mais títulos conquistados vai continuar por cá, felizemente, a espalhar a sua classe e profissionalismo.

Os detractores do futebol bonito vão continuar a apoiar-se nestas teorias da conspiração, tão bem desenhadas por dias da Cunha no seu mandato, para criar teorias fantásticas de jogadas de bastidores. Principalmente nas épocas em que os seus clubes não ganham nada (ups, fugiu-me a boca para a verdade).

O Sr. Blatter também vai continuar a dizer alarvidades... e alguém o vai desmentir prontamente, logo a seguir.
O Dias da Cunha podia passar a receita das sopas ao sr. Blatter.
Agradecíamos.

quinta-feira, março 09, 2006

O regresso dos Beatles

Ontem à noite o mundo do futebol assistiu a um regresso histórico: o Benfica voltou a ser, finalmente, uma equipa europeia. Depois de décadas de humilhação e sofrimento além-fronteiras (lembram-se de Vigo?), em que qualquer equipazita estrangeira bastava para afastar o histórico da Luz, finalmente ontem esse estigma foi enterrado.
 
Defrontando os actuais campeões europeus em título, o Benfica carimbou o passaporte para os quartos-de-final da prova. Bastante desfalcado (Sissoko recupera de uma grave lesão ocular sofrida no primeiro jogo - já consegue vislumbrar sombras), o Liverpool nunca conseguiu contrariar um Benfica visivelmente motivado (Petit recupera de uma lesão sofrida no treino, e provocada por si mesmo, quando tentava agredir um companheiro seu - chutou a própria rótula).
 
Tirando os primeiros 20 minutos, em que a defesa do Benfica abanou por todos os lados, foi notório que estavam em confronto forças desiguais, e que os actuais campeões europeus (que entraram na prova, vergonhasamente, a convite da UEFA) eram uma sombra do que tinham feito a época anterior.
 
Simão apresentou credenciais, Miccoli fez esquecer Mantorras e o Benfica seguiu em frente.
 
Um longo e árduo caminho os espera, até atingirem a meta, mas a jogar assim, uma coisa todos pedem: que venha o Barça!

terça-feira, fevereiro 07, 2006

5 pontos

Não é muito, mas foi o que se arranjou.
À distância de 5 pontos é possível, no entanto, vislumbrar já alguma coisa:
 
1. O Sporting não está assim tão mal como se pensava (a vitória na Luz assim o comprova).
 
2. O Benfica não está assim tão bem como se pensava (a derrota em Leiria assim o diz).
 
3. O Porto não está assim tão mal nem tão bem como se pensava (os dois últimos empates assim o demonstram).
 
Curiosidade 1: a equipa que mais se reforçou em Janeiro, o Benfica, parece ser a mais frágil neste momento: duas derrotas consecutivas, seis golos sofridos. Os reforços do Benfica de Janeiro (Moretto, Marco Ferreira, Laurent Robert, Manduca e Marcel) serviram apenas para criar no seio do plantel desconfiança e instabilidade.
 
Curiosidade 2: Koeman mexeu na baliza quando a equipa estava a ganhar (trocou Quim por Moretto); Adriaanse mexeu na baliza (Baía por Helton) quando a equipa perdeu, na Amadora.
Moretto, encaixou nos últimos 2 jogos 6 golos. Helton (cuja troca com Baía na titularidade foi muito contestada e originou retaliações contra o técnico) sofreu apenas 1 golo nos últimos 2 jogos, sendo que este foi um penalty "virtual" (o fiscal de linha não viu o fora-de-jogo do jogador do Braga...).
 
Cinco pontos separam o primeiro (Porto) do trio de segundos (Sporting, Benfica e Braga), e por isso o campeonato promete.
Cinco pontos não parece ser muito...
Mas são cinco pontos.
Quem dá mais?

sexta-feira, fevereiro 03, 2006

Simão: o novo Nostradamus

Esperei algum tempo, fiz contrição, mas não resisiti...
Tentei não falar, aqui, do texto que foi publicado no site oficial do Simão Sabrosa, logo a seguir à estrondosa derrota com o Sporting.
Tentei, tentei, mas não consegui. Veio-me à imagem o Simão, sentado no avião, prestes a descolar para Liverpool, com o prazo das inscrições a terminar...
Lembrei-me das juras de amor eterno entre ele e o Benfica no final da época passada...
Lembrei-me de tanta coisa que tive que escrever algo, senão rebentava.
 
Simão Sabrosa (ou o sogro... ou o editor do site oficial do rapaz... ou ambos os três...) escreveu com dor as mais duras linhas sobre o actual estado da nação Benfiquista, ao melhor estilo de Nostradamus, a saber:
 
 "(...) o Benfica perdeu e bem. O Sporting esteve mais forte, mais unido e com exibições individuais bem apoiadas por todo o conjunto. No Benfica, foi o contrário. Não houve o devido apoio a quem podia decidir o jogo" (leia-se: "ele").
 
"(...) que dizer perante tamanho descalabro? Pouco ou nada, a não ser procurar dentro do clube, do grupo de trabalho e de todos aqueles que directa ou indirectamente fazem parte da estrutura, as razões que levaram a uma alteração tão acentuada daquilo que foi a filosofia do campeão a época passada e o que se preparou para esta época"
 
"Pode ser que ainda se vá a tempo de encontrar o caminho certo. Estamos a meio e muita coisa pode mudar. Esperemos que seja para melhor." ("Esperemos" quem? Ele e o sogro?)
 
Como podemos facilmente constatar, o coração de Simão sangra, com tanta injustiça. O seu pequeno desabafo (colocado na boca de outra pessoa?), foi sentido, e ecoou alto na nação vermelha-ocre.
 
O visionário Nostradamus ficaria orgulhoso, e quem sabe se também ele não estará a caminho da Luz (já o Simão parece estar no percurso inverso...).
 

terça-feira, janeiro 24, 2006

Fernando e os Sapos de Marraquesh (Conto Infantil)



(Esta lenda faz parte da tradição e etnografia milenares da cidade de Figueira da Foz e foi-nos cedida graciosamente pelo egiptólogo Prof. Manuel Cajuda, tendo sofrido umas pequenas adaptações para melhor compreensão dos nossos pequenos leitores).

Fernando era um rapaz alegre, mas ingénuo que andava sempre com a cabeça na lua, imaginado mil sonhos e situações. Trabalhava na mercearia do Sr. Aprígio, pessoa muito estimada entre os pescadores da Figueira da Foz que carinhosamente chamavam a sua tasca de «Naval Primeiro de Maio».
Um dia, ainda a manhã tinha acabado de despontar, Fernando foi chamado pelo patrão:
- Fernando, tenho uma missão muito importante para ti: preciso que vás entregar este envelope a um velhinho que mora numa cabana no Pinhal do Papa.
Fernando engoliu em seco: desde a sua infância que ouvira dezenas de histórias sobre o Pinhal do Papa. O povo dizia que era um lugar assombrado, habitado por dragões e outros animais mitológicos, seres fantásticos que se comportavam de forma estranha e que seduziam os puros de coração que lá se atreviam a entrar. A sua avó já lhe tinha avisado: «Quem lá entra, nunca mais regressa a casa…»
Muito timidamente, o rapaz lá iniciou a sua odisseia. Depois de alguns minutos, avistou a vereda que assinalava a entrada do pinhal. Hesitou. O seu coração dizia-lhe para não transpor a entrada, mas a lealdade cega que tinha pelo seu patrão (que além disso tinha uma mão bastante pesada e dedos extremamente ossudos) fê-lo avançar. Para seu espanto, saíram da sombra das árvores quatro pessoas que pareciam amistosas, dois homens e duas mulheres, todos bastante louros e de cabelo comprido. Pareciam forasteiros. Fernando encheu-se de coragem e perguntou-lhes:
- Quem sois? Que me quereis?
O mais velho respondeu-lhe:
­- Nada temas, pequenote. Somos os ABBA e viemos da Suécia, um país muito distante. Soubemos que ias fazer esta entrega e resolvemos cantar-te uma canção para te dar forças e poderes continuar a viagem alegremente:
« Consegues ouvir os tambores, Fernando?
Lembro-me há muito tempo atrás
De outra noite estrelada como esta
Perto da lareira, Fernando
Estavas cantarolando para ti mesmo
E dedilhando suavemente a tua guitarra
Eu podia ouvir os tambores à distância
E sons de trombetas ecoavam lá longe

Agora os tambores estão mais perto, Fernando
Cada hora e cada minuto parece durar eternamente
Eu tinha tanto medo, Fernando
Tu eras jovem e cheio de vida. Nenhum de nós estava preparado para morrer
E não tenho vergonha em dizer
O som das armas e dos canhões quase fez-me chorar

Há qualquer coisa no ar esta noite
As estrelas estão brilhantes, Fernando
Estavam a brilhar para mim e para ti
Em nome da Liberdade, Fernando
Embora nunca pudesse pensar que perderíamos
Não há arrependimento
Se eu tivesse que fazê-lo novamente,
Fá-lo-ia, meu amigo Fernando »


Seguindo o som dos tambores, Fernando embrenhou-se no pinhal. Alguns passos depois, avistou três meninas muito bonitas, de tranças compridas, envergando blusas decotadas e mini-saias audaciosas. As três dançavam e cantavam de mãos dadas, fazendo uma rodinha. No centro, estava uma bandeira do Brasil. Movido pela curiosidade, Fernando aproximou-se e disse-lhes:
- Olá, eu sou o Fernando e vou entregar um envelope a um velhinho que vive aqui perto numa cabana. Conhecei-lo?
­­- Claro que sim – respondeu a mais velha-, é nosso patrão. Eu sou a Guimarinha e estas minhas amigas são a Silvaninha e a Calheirinha.
­- Posso saber os motivos de tanta alegria?- perguntou Fernando.
- Amanhã vamos de férias. Estamos tão felizes. – disse Calheirinha.
De repente, Fernando, que ainda era um moço virginal, sentiu o seu corpo encher-se de um calor infernal enquanto olhava para os seios palpitantes das moças, as suas coxas alvas e tronchudas e as suas nádegas redondas e firmes. Sentiu uma intumescência na sua zona genital e todos os seus músculos se contraíram num frémito de ardor e desejo. Tentou agarrar a Guimarinha por trás ao mesmo tempo que baixava os seus calções.
- Alto lá!! – gritou Guimarinha-, para te deitares com uma de nós, tens de nos dar quinhentinhos!!
- Euros?- retorquiu Fernando.
­- Pois claro! Havia de ser centímetros cúbicos de esperma, não?
­- Mas a única coisa que possuo de valor são estes cinco rebuçadinhos com sabor a café com leite que comigo trago no bolso…
­- Humpf!!- resmungou Silvaninha-, ainda se fossem rebuçados com sabor a fruta, podíamos fazer-te umas festinhas na tua malagueta, mas já que tens só isso, põe-te a andar!!
Envergonhado, Fernando subiu os calções e continuou a caminhar. Muitos passos depois, pareceu-lhe ouvir um coaxar de batráquios. Correu e viu três sapos gordos em linha recta que afinavam uma canção do Paul McCartney. Fernando dirigiu-se-lhes:
-Pela primeira vez na vida vejo sapos tão bem cantantes. Se me disserem que um de vós come a secretária e que outro já teve leucemia, diria que estava em presença dos Três Tenores. Quem sois?
- Croac! Eu sou o Sapo Pinto de Sousa.
- Croac! Eu sou o Sapo Rodrigues.
­- Urreabit! E eu sou o Sapo Devesa.
­- Somos os Sapos de Marraquesh!!- gritaram os três em uníssono.
- Parece-me que já ouvi falar de vós.- disse Fernando.
- É improvável!- respondeu o Sapo Pinto de Sousa-, Nós até há pouco tempo fomos homens e bastante importantes.
- Fomos até passar o reveillon a Marraquesh com o Papa- retorquiu o Sapo Rodrigues.
- Ele gostava tanto de nós- disse o Sapo Devesa-, estava sempre a convidar-nos para a sua cabana.
- O quê? O velhinho que vive na Cabana do Pinhal é o Papa? Tenho uma encomenda para lhe entregar!, disse alegremente o Fernando.
­ - Toma cuidado, porque ele é muito traiçoeiro -disse o Sapo Rodrigues-, assim que ele soube que nós tínhamos ido almoçar a Penafiel com o maior inimigo dele, lançou-nos uma maldição e transformou-nos a todos em sapos velhos e gordos.
­ - Eu não sou gordo, tenho é cartilagem espessa- interrompeu o sapo Devesa.
- Só se fores tu, porque eu sou tão gordo que olhando para baixo, só consigo ver os meus testículos quando o vento sopra em rajadas de Noroeste e eles balançam.- disse o sapo Rodrigues.
- Ah, esse barulho é dos teus testículos. Pensei que fosse algum catavento enferrujado aqui das redondezas- retorquiu o Sapo Pinto de Sousa.
Como viu que os sapos não paravam de discutir, Fernando afastou-se e continuou a caminhar. Caminhou tanto que parou extenuado junto a um campo de futebol onde dois rapazinhos jogavam futebol e um outro, sentado na bancada, chorava copiosamente. Fernando aproximou-se tentando consolá-lo:
- Quem és? E porque choras?
-­ Chamo-me Maciel e choro porque aqueles dois não me deixam jogar à bola.
- Porquê?
­- Disseram que é por opção técnica.
- E porque estás a segurar em quatro muletas?
­- As muletas são deles e só servem para disfarçar. Sempre que vão defrontar a equipa do Papa fingem lesões incapacitantes para não jogar contra o Papa.
Curioso, Fernando notou que as muletas tinham umas inscrições gravadas: «Para o Valente Diogo e o Bruno Vale Tudo, com amor e carinho do vosso Patrão, Papa PC».
Como já estava a ficar atrasado para entregar a encomenda, Fernando despediu-se de Maciel e correu em direcção à cabana. Não demorou muito tempo a chegar lá. Contudo, reparou que à entrada da cabana estava um senhor obeso com ar de transmontano emigrante, sentado numa cadeira de baloiço, segurando na mão direita uma carabina e na mão esquerda um cheque ao portador com uma comissão de 10%. A sua cara estava visivelmente inchada e medonha. Fernando abeirou-se dele.
­- Desculpe, é o senhor Papa?
­- Claro que não, sou o Guarda da Cabana, Vítor Diniz, ao seu dispor.
- Tenho uma encomenda para entregar ao Senhor Papa.
- Mas aqui só entra se souber a senha.
Fernando tentou inventar uns versos, podia ser que por um acaso da sorte conseguisse acertar:
O teu esfíncter sabe a mel
O teu marsapo a morango silvestre
Se me deres um T3 e um anel
Serei um bom passivo, meu Mestre

- Que cantilena é essa?- berrou Diniz-, Essa não é a senha!!
Fernando voltou a tentar:
O toque do teu prepúcio é igual a linho
Teu sémen espesso é lençol nas minhas camas
Podes chamar-me de Serginho
Durante as nossas Homo-Noites Marcianas

Perante o ar de desagrado de Diniz, Fernando lembrou-se que a senha poderia ser um gesto e não um conjunto de palavras. Olhando para a face inchada de Diniz, Fernando pregou-lhe um valente bofetão:
- Estava a ver que não!- disse Diniz-, Podeis entrar!
Fernando entrou na cabana. As paredes estavam impregnadas com um cheiro a espumante e reparou que nos sofás estavam espalhadas diversas cuequinhas de seda queimadas com buracos de charuto. Nisto, uma voz grossa ecoou:
­- Entra, meu rapaz!!
Fernando olhou para o fundo da sala. Refastelado na sua poltrona estava o Papa. Ajoelhados, beijando-lhe a mãos e limando-lhe as unhas dos pés, estavam os seus eunucos.
- Chumbita, Trindade Guedes, Carvalhal, Couceiro, Loureiro, Aguiar, deixem-nos a sós!- disse o Papa para os seus eunucos-, quero falar com este rapaz.
- Trouxe-lhe este envelope-, disse Fernando enquanto estendia tremulamente os braços.
O Papa abriu o subscrito e disse a Fernando:
­- Ora, mas este envelope é para ti. É um contrato de trabalho. Vais ficar a trabalhar para mim, mas emprestar-te-ei à Naval até ao final do ano, pagando-te o salário. Concordas?
- Sim-, respondeu Fernando. Seria uma honra!
- Mas antes terás de passar num pequeno teste. Vem comigo.
O Papa conduziu Fernando a uma sala mais ampla onde estavam duas balizas. Uma era defendida por um Pato com porcas e parafusos no joelho e a outra baliza era defendida por um colega seu da Naval, o Taborda.
-Aqui tens uma bola. Agora escolhe a baliza para onde vais chutar. Se acertares, ficarás a trabalhar para mim-, disse o Papa.
Fernando olhou para o Pato e olhou para Taborda. Então, fechou os olhos e rematou para a baliza defendida por Taborda, fazendo a bola entrar.
- Bravo, meu rapaz. Grande autogolo! Bem-vindo à nossa organização.
E todos viveram felizes para sempre.

Moral da História: não é só a Madonna que sabe escrever contos infantis…

quinta-feira, janeiro 12, 2006

Karyaka e as postas de pescada

O conhecido médio criativo do Benfica, Karyaka, uma das mais sonantes aquisições do clube da águia para esta temporada, resolveu mudar um pouco de "profissão" e começou a divagar sobre a vida e as espécies.
 
Karyaka, que tem enchido de orgulho todos os adeptos do seu clube com prodigiosas exibições (consta mesmo que é o melhor jogador de sempre de canasta em estágios, batendo nomes saudosos como Isaías e Bento), deu recentemente uma entrevista em que lançou algumas farpas sobre o seu clube do coração e a sua estadia em Portugal.
 
Sobre Koeman:
"Ele prefere os jogadores brasileiros. Nós tivemos uma conversa cara a cara uma vez e perguntei-lhe porque não jogava há dois meses. Disse-me umas histórias sobre os brasileiros e o facto de precisarem de jogar pois têm estatuto de igualdade."
 
Sobre o seu rendimento:
"Nem eu sei o que preciso de fazer para jogar."   
 
Sobre a sua adaptação:
"Depois, tenho outros problemas, como a língua e o país. As pessoas aqui adoram o futebol, mais que na Rússia, e abordam-me na rua. Mesmo que eu não perceba o que dizem, tenho de disfarçar e sorrir."
 
Sobre Portugal (Lisboa): 
"Portugal é um país atrasado e penso que Lisboa está 20 anos atrás de Moscovo. Lisboa, a grande cidade (risos). A minha filha tem três anos e oito meses e, nesta cidade enorme, não há jardins ou zonas para as crianças brincarem. Sabe onde as crianças passeiam? Em zonas asfaltadas, rodeada por paredes. Em vez dos brinquedos tradicionais, as crianças aqui ficam sentadas à frente da televisão."
 
E continuou:
"O sítio mais perto com um jardim em condições fica a trinta quilómetros, no Estoril. Para dar outro exemplo, Portugal é um país excessivamente burocrático. Quando envolve documentos, dá sempre problema." 
 
Sobre o futebol Português:
"Nem tenho vontade de acompanhar o futebol local. O único jogo que vi até agora, em seis meses, foi o F.C. Porto-Sporting. Para mim, tudo é desinteressante."
 
Ao que o Donosdabola apurou, Karyaka está já nomeado para a "short-list" de candidatos ao prémio: "AFINAL NÃO É SÓ O LUÍS FABIANO QUE É RESSABIADO E COMEÇA A DISPARAR PARA TODOS OS LADOS" OF THE YEAR - troféu instituído este ano pela primeira vez. Nuno Gomes será o escolhido para entregar o troféu. Este prémio inclui como prize-money uma viagem, de ida, para a Sibéria, com estadia para duas pessoas numa central nuclear abandonada, oferta da agência de viagens Cosmos&Veiga Lda.
 
Os No Name Boys também já se ofereceram para fazer uma visita guiada ao Russo e mostrar-lhe um pouco mais da capital, nomeadamente Chelas, Casal Ventoso, Musgueira e Cova da Moura, antes de depositarem o seu corpo junto à lixeira municipal.
 
Foi ainda possível ouvir Pedro Santana Lopes sobre estas declarações de Karyaka que disse: "há muito tempo que penso isso e acho que ele devia se candidatar a presidente da autarquia" e fugiu logo de seguida com um sorriso nos lábios (pensamos ter visto na sua mão esquerda um fósforo, mas não podemos confirmar).
 
A chegada do Russo a Portugal deve acontecer nos próximos dias, aguardando-se por isso uma recepção calorosa dos milhares de adeptos do Glorioso. O jogador deve ser recebido em braços... pernas e só depois o seu tronco. A cabeça será guardada em parte incerta.
 

quinta-feira, dezembro 29, 2005

Um exemplo a seguir

Saiu ontem num jornal desportivo nacional uma entrevista com Fernando Martins (ex-presidente do Benfica) que muito me apraz aqui reproduzir. Afinal, ser do Benfica não significa obrigatoriamente ser curto de vistas, muito pelo contrário, como se pode observar pelo texto abaixo:

P | Como é que um ex-presidente do Benfica ficou tão amigo do presidente do FC Porto?
R | Eu falo por mim. Fui presidente do Benfica e já era amigo de Jorge Nuno Pinto da Costa; deixei o cargo e continuei com essa amizade. Aliás, é um dos maiores amigos que tenho. Há um episódio que ilustra isso muito bem: parti a perna e nos primeiros quatro meses, em que fiquei de cama, ele telefonou-me todos os dias, quer se encontrasse em Portugal ou no estrangeiro, para saber como é que eu estava. Nunca houve nenhuma divergência entre nós e essa ligação acabou por beneficiar o futebol português, contribuindo para que, na altura, houvesse harmonia entre os clubes. 

"Ele percebe muito de futebol"


P | Encontra algum segredo para justificar o sucesso de Pinto da Costa?
R |
Quando estive no Benfica ainda lhe ganhei algumas vezes [risos]. Conquistei quatro campeonatos, em seis anos, e isso nunca atrapalhou a nossa amizade. Penso que o segredo é ele perceber muito de futebol. Só percebendo de futebol é que se pode ganhar. Ele percebe e, por isso, ganha tantas vezes. É como em qualquer negócio: é preciso saber do assunto de que se trata para se conseguir ser bem sucedido.
 

"Vitórias do FC Porto prestigiaram Portugal"


P | Pinto da Costa é uma das figuras mais controversas. Como é que avalia a influência dele no futebol português ao longo destes anos?
R | Teve uma influência muito positiva, conforme se nota pelo que conquistou no clube dele, um clube que faz parte do futebol português. Logo, todas as vitórias, sobretudo as que foram conseguidas a nível internacional, contribuíram para prestigiar o nome de Portugal e do futebol nacional.

sexta-feira, dezembro 16, 2005

A grande verdade

Ontem recebi um mail que me deixou perplexo. Então não é que afinal há mais alguém neste mundo que consegue ter uma visão limpa e clara das coisas (para além de mim como é obvio)? Pelos vistos este artigo saiu num jornal diário nacional, ao qual eu faço uma vénia e, humildemente, o deixo "brilhar":
 
"Chamar fraude às alegadas restrições que o FC Porto impõe à utilização dos jogadores que empresta é frontalmente desonesto. Quer dizer, é desonesto de uma forma tão cristalina que até merecia outra palavra qualquer. E é tão desonesto dito por Luís Filipe Vieira como pelas beatas histéricas que o antecederam na condenação desse "hábito abominável" de interferir nos direitos das outras equipas cedendo-lhes melhores jogadores do que aqueles que elas deveriam ter. Pela parte da Imprensa, ninguém quer saber que um erro de um jogador emprestado num jogo com o FC Porto não seria propriamente bem compreendido. Não se pode suspeitar tanto de um clube e estranhar que ele se previna. Podem recusar-se a acreditar que é assim, mas é na mesma. Luís Filipe Vieira conhece muito bem esta realidade, porque seria o primeiro a chamar fraude a um frango de Bruno Vale, com a mesma indignação que usou ontem para chamar fraude a uma ausência e com o mesmo efeito nos artigos de opinião e alinhamentos televisivos. A quem estiver neste momento a fazer aquele sorrizinho condescendente de cidadão metropolitano e a pensar "lá está o provinciano com as paranóias do costume", eu antecipo a resposta que dou sempre: não se pode ter seis milhões de adeptos para uma coisa e não se ter seis milhões de adeptos para a outra. Só não devia é ser tão fácil tirar partido disso. Conforme já escrevi antes, nós, a Imprensa, não podemos deixar de perguntar o que quer José Veiga quando, depois de um FC Porto-Benfica, nos diz que só aceita falar numa zona interdita a jornalistas. E, falando em fraudes ou comportamentos suspeitos, já que estamos em fase delas, também devíamos perguntar que critérios são esses da Comissão Disciplinar e se foi feito tudo o que devia para que Petit tivesse sido castigado nos prazos impostos pelos regulamentos. Ou, já agora, porque é que o gesto de Nuno Gomes em Braga, visto por toda a gente, quer o censuremos ou não, motivou apenas um inquérito e este caso Maciel passou directamente a processo."
 
Poesia? Lirismo? Escárnio? Não, é apenas a voz da razão...

quinta-feira, dezembro 15, 2005

Gripe das aves

O Vitória de Setúbal poderá ter que recrutar a sua equipa B para defrontar o Benfica na quarta-feira, em mais uma jornada do campeonato de futebol nacional. Estranho?
Não muito, se atentarmos na situação débil e caótica do clube sadino, gerido por quem não tem escrúpulos, deixando os seus jogadores à beira de um ataque de nervos.
Curioso? Talvez, se nos lembrarmos que há bem pouco tempo o mesmo Benfica se tinha "oferecido" para salvar o Setúbal desta situação. Desta vez, porém, o clube da Luz nada disse... será que o nervoso miudinho causado pela excelente época do Setúbal calou as nobres pretensões do Benfica?
Seria engraçado se agora algum clube se interessasse por este caso e prometesse ajuda para solucionar a crise. Qual seria a reacção dos dirigentes do Benfica? O que iriam invocar?

quinta-feira, novembro 24, 2005

As Intermitências da Diabetes


A diabetes é uma das maleitas mais comuns entre os pacientes portugueses. Afecta qualquer estrato social, não discriminando classes, idades ou profissões. Recentemente, chegou à arbitragem nacional, não havendo insulina que valesse à despudorada cegueira que revelaram no passado fim-de-semana. A Medicina internacional ficou boquiaberta com as diversas derivações diabéticas reveladas nos mais diversos recintos desportivos. Assim, em Braga, João Ferreira demonstrou ao Mundo científico a sua diabetes causada por excesso de café com leite que, entre outros lances, o impediu de ver uma entrada assassina de Andrés Madrid sobre Manuel Fernandes e um golo precedido de um fora de jogo descarado (foi engraçado ver alguns paineleiros nortenhos a desculpar o lance, afirmando ter-se tratado de uma questão de míseros centímetros…), tendo também descortinado uma bola na mão que mais ninguém viu. No Estádio do Dragão, Carlos Xistra, um dos vários arguidos do processo Apito Dourado que está em fase de pré-arquivamento, não conseguiu disfarçar os efeitos secundários da sua diabetes provocada por excesso de rebuçadinhos que lhe causou um estado de permanente alucinação, ao validar um golo do futuro Senhor Figueira por uma bola que não ultrapassou a linha de golo. Abençoada insulina albicastrense!!
Por último, Bruno Paixão exemplificou a diabetes provocada por excesso de fruta, talvez a menos perniciosa de todas devido ao elevado índice de sais minerais contidos nos seus fluidos, quando engolidos. Falo do sumo da mesma fruta, claro está…Pois em Penafiel, o Senhor Paixão não viu grandes penalidades nem entradas a matar. O costume.
Este é o estado da nossa arbitragem: definhada, medíocre, incompetente, execrável. Contudo, os seus dirigentes acham normal não termos representantes nos árbitros escalonados para o Campeonato do Mundo de 2006 nem no grupo de élite da UEFA, mas exultam quando vêem o Lucílio Baptista a ser nomeado para um Uzbequistão-Djibouti do Campeonato Europeu Sub-19 de Futebol Feminino. Serei só eu a defender que deveria haver mais árbitros a fazer companhia ao Jacinto Paixão no corpo de recrutas da Primeira Companhia? Não seria hilariante assistirmos à Ruth Marlene a tentar dormir na sua camarata e a queixar-se do cheiro nauseabundo dos gases inocentemente lançados por Carlos Xistra devido à dificuldade das suas enzimas conseguirem digerir eficazmente o elevado teor de açúcar dos rebuçadinhos?

terça-feira, novembro 22, 2005

Escrever certo por linhas tortas

No fim-de-semana passado o Benfica perdeu em Braga por 3 - 2 e o clube minhoto manteve a liderança, passando incólume a mais um difícil teste.
No entanto, importa aqui referir que este resultado, apesar de ser pela margem mínima, nada tem de justo, uma vez que só houve uma equipa em campo, que jogou futebol e procurou a vitória: o Sporting de Braga. Mesmo entrando a perder (não pela cor das camisolas adversárias, mas porque o Benfica marcou logo no início), o clube da cidade dos Arcebispos nunca virou a cara à luta, procurou a vitória e na 2ª parte mostrou porque razão se encontra no topo da tabela classificativa.
 
Até aqui tudo bem (o Braga afinal até ganhou), mas não posso deixar passar um lance que só não foi crucial (e cruel) porque o destino resolveu mostrar toda a sua ironia. Aos 90 minutos de jogo, o árbitro (mais uma vez recuso-me a escrever o seu nome, para não dar destaque a quem não merece), imbuído de um espírito de porco, decide estragar a festa e assinalar um penalty por pretensa mão de Nem na grande-área do Braga (a SportTv mostrou o lance de 56 ângulos diferentes, todos elucidativos da legalidade da jogada, mas os seus comentadores, estupefactos com tal benesse dos deuses apenas se atreveram a proferir este comentário: "o árbitro assinala a pretensa mão do jogador do Braga" - e mais nada, e as imagens sucediam-se em catadupa, com repetições em câmara lenta, zoom-in e zoom-out a mostrar o absurdo da coisa, mas mesmo assim nada, nem um comentário).
 
O estádio ficou em chamas, o banco do Braga entrou em parafuso, o professor Jesualdo vociferou, os jogadores do Braga estavam revoltados, mas Nuno Gomes lá seguiu para a marca de grande penalidade e recolheu mais um golo para o seu espólio pessoal.
O mesmo Nuno Gomes que, não contente com a gravidade da situação, ainda teve a amabilidade de provocar os jogadores do Braga, fazendo gestos acusadores da dopagem dos profissionais do Braga, apontando para as veias e simulando o movimento de uma seringa. Curioso, não ouvi esta semana ninguém a falar destes gestos, que foram mostrados em directo na altura e que o próprio comentador da SporTv apelidou de "falta de profissionalismo". Curioso também esta acusação vir de um jogador que passou anos no campeonato Italiano, numa altura em que o uso da creatina estava difundido por todos os clubes da Serie A, e tendo a Fiorentina sido envolvida várias vezes em casos de dopagem de atletas. Mas isto são outras histórias...
 
Quanto ao Sporting de Braga, os seus jogadores, acicatados pela injustiça da situação, buscando forças ao fundo da alma, lançaram-se mais uma vez na busca da glória, marcando um golo aos 94', golo esse também ferido de ilegalidade (Bevacqua estava em fora-de-jogo). Coisa pouca comparado com o que se tinha passado antes, mas bastante para selar o resultado e dar ao Braga uma merecida vitória. Nuno Gomes, esse, continuava com os seus gestos provocadores, mas já ninguém lhe prestava atenção, a hora era de festa. O Braga tinha ganho, com suor, empenho e determinação, e isso é que interessava.
 
Fez-se justiça, escreveu-se certo por linha tortas. Ironia das ironias: o erro que permitiu o golo da vitória ao Braga tinha servido para anular um erro grosseiro do árbitro, minutos antes. Terá sido suficiente para evitar que vá para a jarra? A ver vamos, mas pelo menos desta vez os estragos foram poucos.

segunda-feira, novembro 07, 2005

O Mestre Pasteleiro


A vidinha corria-me bem. Demasiado bem. Todo o meu ser transbordava irradiante de felicidade linda, plena, absoluta. Eu e a minha namorada já falávamos em casamento e fazíamos projectos de planeamento familiar. O meu automóvel já não avariava há mais de um mês. O Benfica jogava bem e era elogiado internacionalmente. Matámos no Dragão o borrego de 14 anos, obrigando os portistas que regressavam a casa, a entrarem de lado nas carruagens do Metro, devido ao tamanho inchado do melão que levavam. O FCP aprovava um Relatório de Contas viciado q.b. que outorgava aos seus administradores um vencimento mensal líquido de 60 mil euros mensais. Surgiram notícias na imprensa a expôr o facto de o FCP dever aos seus ex-treinadores Del Neri e Fernandez um total de 1,8 milhões de contos em indemnizações. Enfim, sentia-me como Dante no Paraíso. Até que Jorge Jesus veio mudar tudo.
Quando após o jogo em Alvalade, Jesus veio dizer que «regressámos ao antigamente», velhos fantasmas perseguiram-me, visão que se adensou quando vi a bola cabeçeada por Renato entrar 6 metros dentro da baliza de Ricardo. Lembrei-me de José Guímaro, de Pinto Correia, de José Silvano, de Carlos Calheiros, de Soares Dias, de Mário Leal, de Lourenço Ferreira e de Marques da Silva. Árbitros que embora não conhecessem uma carreira internacional ao serviço da FIFA, conheceram uma carreira internacional ao serviço da Cosmos em Terras de Vera Cruz ou então em Congressos de Arbitragem realizados na Sicília. Lembrei-me de um lance idêntico desenrolado na Luz na época passada em que Baía retira de dentro da baliza um golo certo da autoria de Armando Soares Teixeira. Lembrei-me dos cónegos da imprensa azul e branca a provar através do Teorema de Pitágoras e de noções básicas de trigonometria que a bola não entrara totalmente na baliza de Baia. Lembro-me de um telefonema de uma amiga minha vizinha de Vítor Baía que, devido a uma paixão incontrolável, seguia os passos do guardião e via-o entrar todos os dias na Igreja dos Congregados, dirigindo-se ao confessionário onde, entre lágrimas e murros no peito, bradava desesperado:« Senhor padre, perdoe-me porque pequei, faltando descaradamente à verdade!».
Quando as câmaras da OlivedesportosTV focaram o árbitro auxiliar, um homenzinho careca e algo anafado que coçava os olhos devido a alguma irritação ocular, lembrei-me de fazer uma pesquisa sobre as maleitas deste paciente e descobri tratar-se de um pasteleiro profissional. Ora, como é de conhecimento geral, a melhor guarnição para uma boa chávena de «café com leite» é um suculento bolo acabadinho de sair do forno, ou então, uma boa Salgado, perdão, um bom salgadinho. Alguma migalhinha deve ter entrado para a vista e causado danos irreversíveis na córnea, coitadito.
O regresso ao passado preconizado por Jorge Jesus fez-me temer o pior: o retorno à segunda metade da década de 80 onde alguns campos de futebol tinham uma inclinação mais prenunciada que as estradas do IP4. Os capítulos seguintes de «Tudo Bons Rapazes» não me desiludiram: no Benfica- Rio Ave (Olha, que surpresa!! Foi tudo tão súbito e inesperado...Nem sei o que dizer...), o segundo golo do Rio Ave é precedido de um fora de jogo tão notório que até o Mr. Magoo o assinalaria. Mas, para sermos coerentes, já na semana transacta o Naval marcara mercê de um escandaloso fora de jogo. Como não há duas sem três...
Foi bonita a iniciativa de solidariedade que ontem assistimos no Campo da Mata Real. Falo da homenagem que se fez ao andebolista Carlos Resende que fez carreira no ABC e especialmente no FCP, tendo chegado à posição de ícone do clube. Foi comovente ver César Peixoto, não uma, mas por duas vezes, no decorrer da mesma jogada, a jogar com as mãos na sua grande área, fazendo um poderoso e eficaz amortie. Foi um belo regresso ao passado. Assim como nos últimos segundos de jogo, quando, no âmbito de uma bola cruzada para a área, Pepe fez jogo perigoso baixando a cabeça ao nível das unhas dos pés. Qual acham que foi a decisão lógica do árbitro Pedro Proença?
a) Marcou livre indirecto contra o FCP na sua grande área.
b) Consultou o fiscal de linha sobre qual a punição a dar a Pepe.
c) Assobiou para o lado e marcou falta contra o Paços de Ferreira.

Se assinalou a resposta c, os nossos parabéns. VOCÊ GANHOU UMA MAGNÍFICA VIAGEM PARA FORTALEZA! Se tiver acesso à lista de passageiros, tenha atenção para ver se descobre um senhor chamado Pedro Oliveira Alves. O nome não lhe diz nada? Será que o nome completo ajuda? Pedro Proença Oliveira Alves Garcia?

O império dos sentados

Já que falamos de guarda-redes, que tal aquela defesa do Ricardo, guarda-redes do Sporting, sentado dentro da baliza?
Segundo as últimas medições o seu cóxis estava a 145 centímetros da linha de golo, tendo mesmo assim conseguido defender a bola (esta só entrou na baliza mais 48 centímetros do que o dobro do seu perímetro, o que constitui um novo recorde mundial).
Ricardo entra assim para o World Guiness of Records como o guarda-redes que defendeu uma bola mais dentro da baliza sem ser considerado golo (o recorde até agora pertencia a Xalimove Bostenkenko, guarda-redes do modesto New England's Sheeps and Cows, da República Federal do Burkina Faso, que tinha retirado a bola de dentro da baliza já com 3 ramos de oliveira para o interior - esta é unidade de medida oficial da República Federal do Burkina-Faso e que foi convertida, e homolgada, pela Fifa para 37 centímetros).
 
O árbitro assistente (recuso-me a escrever o seu nome) assinou já um contrato publicitário milionário com a cadeia de lojas Multiópticas, passando a ser a cara desta prestigiada marca de óculos, substituindo assim o Artur Agostinho. Ao que o Donosdabola conseguir apurar o contrato com o árbitro assistente do Sporting - União de Leiria é superior, em números, ao celebrado recentemente entre a Liga e uma conhecida agência imobiliária. A Multiópticas está neste momento a negociar com a Liga a utilização de imagens do próprio jogo (especialmente aquele famoso "limpar de olho" do assistente), de forma a credibilizar ainda mais a campanha publicitária. 680 outdoors e laterais de autocarros estão já a ser colocados por todo o país naquela que promete ser a campanha publicitária com mais impacto desde o famoso anúncio com as "gaffes" de Pedro Lamy.
 
O Conselho de Arbitragem também já comentou esta campanha, mostrando-se feliz pela mediatização das acções dos seus associados (a imagem do assistente a esfregar o olho será a capa da proxima revista Time, e a CNN abriu ontem o seu noticiário com as imagens de Ricardo sentado dentro da baliza e uma frase bombástica: "George W. Bush sonda árbitro assistente que não viu este golo para seu assessor. Possível cargo de observador militar no Iraque sobre a mesa.").
 
Também a ACAP emitiu um comunicado ontem no qual se lia qualquer coisa do género: "... se até nós vimos!".
 
 

quinta-feira, novembro 03, 2005

O último Nereu

O último jogo do Benfica na Champions ficou marcado pelo golo sofrido pelo jovem guarda-redes do Benfica, Rui Nereu, e que ditou a derrota do clube da Luz. Um remate do meio da rua e uma colocação deficiente do guarda-redes selou o destino do jogo.

 

Esse golo mereceu da crítica especializada todo o tipo de comentário coercivo, foi considerado um frango e houve até quem dissesse: "este Nereu, ai, ai, ai, ai ,ai". O miúdo, atirado para as feras devido às lesões de Moreira e Quim, via assim repentinamente terminado um sonho que parecia nunca ter fim. Agora o seu futuro é incerto, a equipa B para já, e no próximo ano, quem sabe? O Alverca?

 

O Benfica, no tempo em que Nereu foi titular (entrou a meio da 2ª parte do jogo com o Villareal, em Espanha), nunca o soube proteger, tentou contratar um novo guarda-redes (mas quem, se os bons guarda-redes têm todos clube e já estão inscritos na UEFA?), fazendo "lobbies" e pressões sobre todos os organismos, apelando à mudança dos regulamentos para acautelar uma situação gravíssima: o 2º guarda-redes estava lesionado por um período nunca inferior a 15 DIAS!!!

 

Rui Nereu nunca foi acautelado (ele não pediu para ser titular nesta altura) e Koeman sempre lamentou a lesão de Quim (esta lesão agravou-se graças a Koeman, que o utilizou lesionado e o resultado foi o que se viu: um pontapé de baliza, um estiramento e Nereu a entrar passados 15 minutos do apito inicial)...

 

A questão que coloco aqui é esta: quem é o maior responsável por aquele golo?

 

a) Nereu, um puto da equipa B atirado para um grande palco sem qualquer apoio do seu clube?

 

b) Koeman, que não salvaguardou esta situação e apenas inscreveu 2 guarda-redes na Champions (Nereu gozou do seu estatuto de "Bê")?

 

c) Veiga, que nunca teve uma palavra para Nereu, que tentou combater moinhos de vento na UEFA e inventar uma solução estúpida e sem sentido (o Benfica pareceu que se preparava para pedir ao Chelsea ou ao Barcelona um guarda-redes emprestado, a custo zero, implorando depois que o deixassem jogar na UEFA)?

 

Deixo aqui esta reflexão para todos vocês, lembrando apenas que mais uma grande promessa do futebol português aparece e é lançada à lama em apenas 15 dias.

 

Quim vai regressar à baliza do Benfica já no próximo jogo (nem que seja de muletas), o miúdo vai para o banco, depois para a equipa B e depois, depois se verá... Se não lhe derem tempo para crescer, não vingará.

 

Mas no futebol, como em quase tudo, não há justiça... nem remorsos.

 

quarta-feira, outubro 19, 2005

Ameaças de Morte

Chegámos ao lamentável momento em que não se pode exercer o direito de opinião de forma bem humorada sem chegarmos ao ponto de ser ameaçados de represálias físicas e de ser insultados de forma cobarde e desprezível. Alguns energúmenos cadastrados têm escolhido este blog para fazer desfilar uma lista muito própria de calões e de verborreia prosaica incompatíveis com o espírito deste espaço. Como tal, adverte-se que, daqui para a frente, serão impedidos quaisquer comentários feitos por anónimos e que todo e qualquer ataque pessoal aos criadores deste blog será tratado em instâncias judiciais.

Atenciosamente,

John Holmes Reys

terça-feira, outubro 11, 2005

Papa Pé Frio



Os Brasileiros têm uma expressão muito curiosa quando querem caracterizar alguém que está a passar por um momento prolongado de azar: pé-frio. E essa situação aplica-se que nem uma luva a Jorge Nuno Pinto da Costa. Senão vejamos: primeiro, foram os aumentos substanciais de 13% nas embalagens de Viagra e de 34% (um absurdo!) no Pau de Cabinda. Em segundo lugar, as várias fífias cometidas por uma defesa tão fraquinha que faz recordar as épocas em que Secretário e Fernando Mendes eram titulares indiscutíveis. Depois, o facto de a comunicação social não ser tão subserviente como nos tempos áureos das décadas de 80 e de 90, ao atreverem-se a criticar os árbitros que escamotearam ao Braga e ao Marítimo um total de três grandes penalidades. Finalmente: a inequívoca e absoluta maioria garantida por Rui Rio nas eleições autárquicas de 9 de Outubro. Depois do desastre Fernando Gomes, o «Papa» lá teve de aguentar a humilhação de ter visto Assis a sair das eleições com o rabinho entre as pernas. Pois é, até os Superdragões ficaram na mó de baixo. Portugal deve ter sido o primeiro país mundial a assistir serenamente a uma claque de futebol fazer campanha política a favor do candidato do PS, como o fez orgulhosamente Hélder aos microfones da TSF, semanas atrás, quando dissera que dera instruções aos membros que liderava para votar no PS, excepto nas eleições para a Assembleia de Freguesia de S. Nicolau, pois o seu pai era candidato nas listas do PSD… Admirável! O que este jovem líder de massas não previa era a grande taxa de analfabetismo e iliteracia dos membros da claque que, ao exercerem o seu direito de voto, demoravam quinze minutos a ler o boletim e finalmente, como liam muito mal, votavam no Partido Humanista, que do ponto de vista fonético, soa muito a Socialista…Para já não falar naqueles que, sob o efeito da ganza se deslocaram ao edifício do Instituto de Medicina Legal convencidos de que se tratava de uma secção de voto e colocaram a sua cruz num boletim de…cedência a sangue frio de órgãos humanos para transplante e estudo anatómico, facto que motivou a curiosidade de muitos transeuntes que, com algum espanto, viram alguns jovens pálidos e ensanguentados sair do IML com grandes sacos de gelo na zona renal, esboçando nas faces o sorriso por terem cumprido o seu dever cívico.
Assim e tal como os benfiquistas assistem com tristeza à decadência física do seu símbolo José Torres (macabra, a reportagem da Sportv), os portistas assistem paulatinamente à decadência de Pinto da Costa. Anteriormente, o presidente exibia com orgulho todas as suas marionetas, desde Presidentes da Câmara, jornalistas, árbitros e treinadores de futebol, num número que perfazia as duas centenas. Agora, o declínio é evidente: o Papa perdeu Fernando Gomes, Nuno Cardoso, Bernardino Barros, António Oliveira, Luís Campos, José Couceiro e Martins dos Santos, entre muitos outros. Agora, só restam Luís Filipe Menezes, Júlio Magalhães, Duarte Gomes, Luís Baila, Rui Cerqueira, Elmano Santos, Trindade Guedes, António Fidalgo, Chumbita Nunes e Carlos Carvalhal. Manifestamente insuficientes…

quinta-feira, setembro 29, 2005

Que Arte ! Que Merd(i)a !



Pois é, lá ficou o aniversário estragado. Isto é, o pseudo-aniversário, pois desde o dia em que um historiador licenciado pela Escola Superior de Educação de Baguim do Monte descobriu que, no dia 28 de Setembro de 1893, um grupo de 7 funcionários camarários (que ganhavam o seu sustento a desentupir as latrinas dos Sanitários Municipais) começou a dar pontapés num rilhoto em forma circular que tinham acabado de retirar de uma sanita, convencionou-se essa data como a do nascimento oficial do Futebol Clube do Porto, para grande gáudio de Pinto da Costa que, em variados discursos proferidos em jantares do Casino de Espinho, se refere erradamente ao FCP como o mais antigo clube de Portugal, esquecendo-se da Académica de Coimbra (1876) e da Naval 1º de Maio (1893).
Modéstia à parte, considero-me um entendido em futebol, mas nunca tinha ouvido falar no Artmedia de Bratislava. Assim, quando estava a ouvir o noticiário de segunda-feira e ouvi que «o Artmedia tinha acabado de desembarcar no Aeroporto Francisco Sá Carneiro», pensei com os meus botões que deveria tratar-se de um grupo musical que viria fazer a primeira parte de um qualquer concerto do Tony Carreira.
Ontem, 21 anos depois do Wrexham e 6 meses depois do Nacional, o público do Dragão voltou a sentir correr nas veias o bom e velho sentimento da vergonha e da humilhação: o 192º classificado do Ranking da UEFA tinha acabado de vencer em casa do FCP. Salvas as devidas distâncias, era como se a selecção do Burkina-Faso tivesse ido ganhar ao Wembley.
Segundos após o final do jogo, os sentimentos na tribuna de honra do Estádio do Dragão eram díspares. O cônsul da Eslováquia no Porto só exclamava: «Que Arte!». Pinto da Costa por seu turno murmurava: «Que Merda! Lá vou ter eu que vender alguém ao Dínamo de Moscovo para compensar os prejuízos da Liga dos Campeões e poder assim trocar de carro». Três filas atrás, o empresário Jorge Mendes gritava: «Nem pense! O Fedorichev já nem pode ouvir falar em ex-jogadores do FCP: o Seitaridis não sai do banco, o Nuno mama frangos, o Costinha passa a vida na Sacoor de Moscovo, o Maniche corre a 2km/hora durante os jogos e o Derlei só marca golos de penalty». Não é à toa que o Dínamo está em oitavo lugar a 19 pontos do Lokomotiv que, pasme-se, não tem nas suas fileiras qualquer ex-jogador do FCP…

Comunicado Capilar



«A Federação Nacional de Cabeleireiros e Esteticistas (FNCE) vem por este meio exarar o seu repúdio e reprovação em relação à instituição Futebol Clube do Porto SAD na pessoa dos seus dirigentes pelo tratamento abusivo e humilhante que dedicaram a uma das nossas associadas que, no dia 10 de Setembro de 2005, foi chamada a um hotel onde a equipa acima citada estava a estagiar para, no decurso da sua actividade profissional, proceder à execução de extensões e tranças na pessoa do atleta Benedito Macaco Carthy. Assim condenamos vivamente:
a) que a nossa associada tenha sido confundida com uma prostituta pois no momento em que chegou ao hall do hotel, um indivíduo colocou-lhe na lapela um autocolante a dizer «Café com Leite» e acompanhou-a ao quarto 316 onde estava a descansar a equipa de arbitragem do jogo FCP- Rio Ave.
b) a reacção intempestiva do técnico Co Adriaanse que, ao deparar-se com a nossa associada em pleno acto de trabalho na pessoa do atleta Benedito Macaco Carthy, expulsou-a violentamente do hotel, não sem antes berrar algumas expressões em língua inglesa, tecendo considerações pouco abonatórias sobre a sua nacionalidade brasileira, afirmando que só sabem driblar e não colaboram para o jogo de equipa.
c) a postura pouco profissional do atleta Macaco Carthy que se recusou em friccionar o seu couro cabeludo com Quitoso, contagiando a nossa associada.»

segunda-feira, setembro 26, 2005

A pior substituição da época...

O Donosdabola dá hoje início a um prémio que promete tornar-se uma referência na imprensa mundial: a pior substituição da época.

Um dos fortes candidatos ao prémio final é já o líder isolado da classificação, com 12 e 15 pontos de vantagem para o 2º e 3º lugar respectivamente (que por acaso também são ocupados por ele). José Peseiro, emérito treinador do Sporting Clube de Portugal, isolou-se ontem no topo da lista com uma substituição que vai dar que falar e que entra directamente para o "Anuário das Substituições Falhadas de Todos os Tempos", a publicar brevemente (o prefácio é de Mário Wilson).

 

Ontem à noite, em Alvalade, José Peseiro mostrou à concorrência que não está para brincadeiras e que fará tudo para arrecadar o troféu: quando o Sporting ganhava por 1 - 0, contra um Setúbal desfalcado (o guarda-redes tinha sido expulso), com o jogo a caminhar para o seu término e a equipa adversária quase encostada às cordas, Peseiro, levantou-se do banco e olhou para os suplentes em exercício: Pinilla e Nani. Das bancadas o nome do Chileno era já entoado em cânticosas crianças procuravam uma foto do avançadoo comentador da SportTV esse, apostava antes em Nani ("mais rápido e desequilibrador"). Peseiro reflectiu e resolve chamar para dentro do campo... BETO! O defesa-central esboça um sorriso nervoso (de certo pensou que entrar naquela altura não seria muito bom para ele, com o "síndroma do Peru antes do Natal" a percorrer o seu corpo). Peseiro, esse, indiferente aos milhares de assobios, apupos, gestos da bancada e lenços brancos faz a substituição, tirando... LIEDSON!!!!

 

Sim, Peseiro, um "avançado mental" que ninguém compreende, voltou a mostrar toda a sua destreza e sagacidade, sacando da manga uma substituição preciosa. Liedson, esse, sai do campo a praguejar, insultando "não se sabe quem", recolhendo aos balneários com cara de poucos amigos (lembram-se da célebre reacção de Polga, a época passada, para Peseiro depois de uma substituição: "vai tomar no cu!", lembram-se?). Pinilla, totalmente rendido à estupidez da sociedade e á injustiça do mundo, regressa ao banco, cabisbaixo, agradecendo ao público o apoio, que continua a entoar o seu nome, em fúria. Os mais radicais acenam lenços brancos (não sei se já vos disse que o Sporting estava a ganhar?), outros abandonam o estádio, vê-se um casal enrolado, a carpir as suas mágoas. Por todo o lado reina a descrença, a confusão, o drama e o horror (parecia a reedição da final da taça UEFA do ano passado, naquele mesmo palco, talhado para as tragédias gregas).

 

Voltemos ao jogo: com essa substituição, Peseiro vira o jogo: perde os seus jogadores, ganha o ódio dos seus adeptos e dá alento aos jogadores do Setúbal que, embalados pelos insultos a Peseiro, ganham força e parecem acreditar na reviravolta. Foram dez minutos de emoção, com assobios e insultos à mãe do treinador como pano de fundo, com o medo estampado na cara de milhares de adeptos. Muitos, desesperados, pareciam pedir o impossível: que o Setúbal marcasse para poderem pedir a cabeça do treinador... E o Setúbal lá foi ameaçando marcar, tropeçando na bola, com menos um elemento, a jogar contra 11, com um Sporting amorfo, sem vida, sem cérebro... mas com Beto a comandar a defesa. No meio das bancadas alguém, heroicamente, batia palmas ao treinador, tentando inverter a situação (o seu corpo deu à costa hoje de manhã, junto ao Portinho da Arrábida).

 

E o jogo lá acabou, o Sporting ganhou e pela primeira vez em Alvalade (no mundo todo?) um treinador foi insultado, apupado, viu lenços brancos e foi cuspido depois de ter GANHO! Foi pena, pois Peseiro minutos antes parecia querer reconciliar-se com os seus adeptos, tirando Luís Loureiro, que pela primeira vez não viu um amarelo num jogo, com a camisola do Sporting (o recorde de 4 amarelos nos 4 primeiros jogos pelo Sporting ainda é dele, no entanto, destronando o saudoso Oceano, que agora apenas detém o recorde de 75 vernelhos com a camisola verde e branca).

 

Os adeptos do Sporting, ingratos, nem sequer ouviram Peseiro, que explicou, no final do jogo, aquela substituição diante das câmaras da SportTV: "os sócios pensam o jogo de forma emocional, eu tenho que pensar de forma racial". Terá sido por isso que tirou Liedson? Pela sua ascendência índia? Isso explica a sua preferência por Beto, ariano e de linhagem pura, descendente duma família centro-europeia católica. Sendo assim também Pinilla nunca poderia entrar naquela altura, pois o Chile foi colonizado por vários povos sendo os seus habitantes descendentes de uma miscigenação acentuada.

 

Obrigado, Peseiro, por tudo o que tens feito pelo futebol Nacional. Depois do Secretário, que também passou pelo Real Madrid, o futebol Português ganha outro incompreendido, um homem visionário, muito à frente do nosso tempo. Por tudo isto Peseiro recebe já o prémio final para a pior substituição da época. Tal como Mourinho, também Peseiro começa a marcar uma época e a estabelecer recordes que só ele poderá bater.

 

Deixo aqui uma última questão: até onde pode ir o Sporting de Peseiro? Chegará ao Natal?

Cá estaremos para futuras análises, sempre, como diz Peseiro, "de forma racial".

 
 

terça-feira, setembro 20, 2005

O treinador

Começo a achar que a profissão de treinador é bem mais difícil do que a de domador de leões.

Após a derrota do Sporting na Madeira, frente ao Nacional, cheguei à conclusão que o treinador de futebol é o mártir dos tempos modernos, e que o Peseiro é uma espécie de arauto da desgraça. Que me desculpem os meus amigos Sportinguistas, mas estava-se mesmo a ver que o homem não tem unhas e as substituições que faz só noutro mundo é que teriam resultado.

Mas a sina dos treinadores não termina aqui, vejam o caso do Jaime Pacheco: 4 derrotas em 4 jogos para o campeonato ao comando do Guimarães. E a sorte do Norton de Matos? Veio a público defender o balneário e cortaram-lhe a cabeça.

A dança dos treinadores é uma angustiante realidade dos nossos tempos e assemelha-se ao apedrejamento dos tempos antigos. A diferença é que este espectáculo ajuda a vender jornais e o povo, esse, gosta de arranjar bodes expiatórios.

Fica aqui o meu apreço ao trabalho destes homens que dão a cara por uma equipa e que, quando as coisas correm mal, são os primeiros a ficarem sem chão.

 

 

domingo, setembro 11, 2005

A tragédia de Ronald


Ronald Koeman ficou conhecido no futebol pelo seu poderoso remate, que aterrorizou as defesas contrárias durante muitos anos e fez as delícias de todos os admiradores de futebol.
Ronald Koeman, agora treinador de futebol, continua a fazer estragos, no entanto os efeitos não estão a ser tão positivos como ele esperava. O pior arranque de sempre do Benfica no campeonato nacional é obra sua e entra direitinho para a história do clube.
Do seu pé canhão restam as saudades, agora que resolveu implodir o clube da águia. Já há quem se lembre de Artur Jorge, o eterno mal-amado para os lados da Luz.
Resta saber se essas vozes da desgraça ("papagaios" como lhes chamou Veiga) terão razão para se sentirem "escaldados". O tempo dirá.
Quanto a Koeman, conseguiu em 2 meses destruir todo o trabalho de Trapattoni, transformando uma equipa campeã num conjunto de miúdos mal-comportados e com mau feitio.
Colocar o Carlitos a titular no jogo contra o Sporting para fazer marcação directa a Tello foi de facto uma demonstração da falta de engenho do holandês. Mas como se viu o ano passado, por vezes há coisas que não fazem sentido e acabam por acontecer.
A derrota do Benfica em Alvalade foi limpinha, com o golo "torto" de Simão a dar um pouco mais de colorido a um resultado que até podia ser mais volumoso, não fosse o Peseiro continuar a insitir em Deivid. Não há dúvida que estão bem um para o outro (se bem que continuo por entender as declarações de Peseiro a pedir mais compreeensão para Koeman... ou estava a ser irónico ou então resolveu dar uma de Madre Teresa de Calcutá).

sábado, setembro 10, 2005

Este homem é um visionário...

Jaime Pacheco, treinador do Vitória de Guimarães, teve ontem à noite uma visão, daquelas que só assola os predestinados ou os alucinados. Convidado a comentar a terceira derrota consecutiva (ainda só vamos na 3ª jornada) da sua equipa, Pacheco disse: «Ainda só estamos a nove pontos do primeiro lugar.»

Pacheco foi ainda mais longe (mais fundo?) e completou o seu raciocínio: «Quando não se ganha pode haver descontentamento, mas neste momento ainda só estamos a nove pontos do primeiro lugar e a um do Benfica.»

E é bem verdade, o Vitória de Pacheco está só a um ponto do Benfica (que por acaso só tem um ponto no campeonato).
Pacheco desbravou, mais uma vez, terreno na aldeia global que é o nosso futebol. Não é bem a escola do Mourinho, mas é quase de certeza a escola do Manuel José ou do Toni... e claro, a do Octávio.

quarta-feira, setembro 07, 2005

Os Diários de Co



Um dos grandes momentos literários da época do defeso não teve a chancela de Dan Brown ou de José Saramago. Foi protagonizado pelo actual técnico do FCP que todos os dias escrevia para o site oficial da instituição que representa. A esse interessante conjunto de textos em que o técnico expressava todas as suas considerações sobre o plantel, deu-se o nome de «O Diário de Co», designação bastante familiar a todos os utentes que resolvem lutar contra a prisão de ventre ao raiar da manhã. Aliás, o texto arrisca-se a ser candidato ao Prémio Nacional de Imprensa na categoria de «Titulo Literário do Ano», galardão arrecadado no ano passado com a peça teatral «Monólogos da Vagina».
O que a maioria do grande público desconhece é que «O Diário de Co» foi sujeito a aturada censura que estraçalhou de forma impiedosa algumas das passagens escritas pelo técnico holandês, nomeadamente aqueles que continham críticas directas ou indirectas à estrutura orgânica do clube. Felizmente, Os Donos da Bola, em exclusivo mundial, conseguiu aceder a esses trechos censurados, os quais reproduzimos aqui na íntegra:

29 de Maio de 2005- «Finalmente consegui superar um imbróglio jurídico que me impedia de assinar o contrato de trabalho com o FCP. Os advogados do clube queriam que eu assinasse uma declaração em que autorizava que a direcção da SAD me pudesse demitir ao fim de trinta dias de trabalho caso os resultados não fossem do seu agrado. Recusei liminarmente e passei duas horas a fazer pesquisa na Internet. Pensava eu que, assim como existe um clube na Tailândia chamado Juventus e um Benfica de Huambo em Angola, poderia haver outro clube com a designação de Futebol Clube do Porto no Burkina-Faso ou no Laos, pois a proposta que me fizerem é digna de um clube de Terceiro Mundo.»

1 de Junho de 2005- «Chego ao aeroporto de Pedras Rubras, onde os funcionários do FCP me conduzem até às instalações do clube. Fico maravilhado com o Estádio, mas não deixo de conter os espirros devido àarquitectura estrutural do Estádio do Dragão que é propícia às correntes de ar. Ainda com o muco nasal a escorrer-me pela cara que sou conduzido à presença do Presidente Pinto da Costa que reconheço imediatamente das suas fotografias do site da FBI's Most Wanted. O Presidente cumprimenta-me com educação e abre-me as portas do seu gabinete onde estavam lá mais quatro pessoas cujas feições me fizeram tremer de pavor e confesso que a minha face não conseguiu deixar de esconder a repugnância por essas figuras, uma feminina e três masculinas. A mulher tinha cara de «escort-girl» e os homens assemelhavam-se: um a um proxeneta, outro a um alcoólico e finalmente o mais jovem a um toxicodependente. Assustado, pedi a intervenção de um tradutor que me acalmou e me apresentou às personalidades, respectivamente Carolina Salgado, Reinaldo Teles, Guarda Abel e Fernando Madureira. O mesmo tradutor referiu-me que são figuras com enorme peso institucional no clube e que tinham feito questão em receber-me.»

2 de Junho de 2005- «Insisti em apresentar-me ao plantel nos balneários. Esta é uma velha premissa minha, gosto de manter uma relação cordial e dialogante com os meus jogadores. Reuni-me com os meus adjuntos e depois de ter colocado o Rui Barros ao meu colo e de lhe ter dado um pouco de algodão doce, descemos as escadas em direcção ao balneário. Aí, deparei-me com a maior confusão que já presenciei em 16 anos de treinador: os 276 jogadores brasileiros estavam a dançar ao som de uma música de Ivete Sangalo e o Ricardo Quaresma tinha uma pequena banca em madeira onde estava a vender corsários, t-shirts e camisas de dormir. Para cúmulo e minha estupefacção, o Vítor Baía e o César Peixoto envergavam vestidos de noite com lantejoulas. Inquiri-os sobre o motivo de tão estranha indumentária num recinto desportivo ao que os dois jogadores responderam que estavam apenas a experimentar a qualidade das roupas que iriam ofertar como presente às namoradas respectivas, uma tal de Merche Romero (pelo nome depreendo que será taróloga) e uma Isabel Figueira. Perante tal manifestação de indisciplina, não consegui conter a minha ira e as minhas primeiras palavras ao plantel do FCP tiveram como tema a disciplina, para mim a principal premissa para tornar campeões um grupo de jogadores medianos. Como me informaram que em Portugal é moda os treinadores falarem de si na terceira pessoa, terminei o meu discurso com uma frase que sintetiza todo o meu pensamento e a importância da disciplina e temperança: «Tenham cuidado com o olho de Co». Imediatamente todos colocaram as mãos atrás das nádegas ao mesmo tempo que olhavam para Vítor Baia e Peixoto. Imediatamente Pedro Emanuel tomou a palavra: «Sim, mister, já sabíamos, o Fernandez já nos tinha avisado».


25 de Julho de 2005- Decorre com normalidade o nosso estágio. Mas a todas as horas me questiono: «Meu Deus, como é possível haver tantos jogadores sofríveis neste plantel? Quanto o Sokota chuta numa bola, a única rede em que consegue acertar é na rede emitida pela antena de telecomunicações que está montada no telhado do nosso hotel, a 13 metros de altura. Então e o Capitão? Verifico com rigor que já não estã dentro dos padrões de qualidade exigíveis a um central. Para o testar, mandei o Jorge para o fundo do campo tentar cortar uma bola a um adversário que dele se aproximava em velocidade. Para essa função, escolhi o meu adjunto Wil Coort, que para além de ter 73 anos e duas hérnias discais, possui na perna direita uma prótese em liga de carbono que lhe tolhe os movimentos. Não é que o Coort conseguiu passar pelo Jorge Costa em velocidade e que este se viu obrigado a recorrer à falta, aplicando-lhe uma violenta cotovelada na face e uma biqueirada na virilha? O facto positivo desta situação é que acabou indirectamente por fazer do Coort um poliglota pois ele agora com 5 dentes partidos, sempre que tenta falar comigo em Holandês, acaba sempre por sair algo em Galego e com muitos X's. O Tomo e o Jorge terão de ir para a lista de dispensas.»

(Continua na próxima edição)

Gil Vicente


O consagrado dramaturgo, autor de obras como "O Auto da Barca do Inferno" ou "Quem tem farelos?", dificilmente se lembraria de um argumento tão picante e corrosivo como o que resultou do embate entre Benfica e o seu clube homónimo de Barcelos. De facto, o Gil Vicente (clube) foi à Luz humilhar o campeão nacional (não sei se já foi promulgado o decreto, com estas exibições ainda é pedida impugnação), por duas bolas a zero.

Quem viu o jogo não ficou minimamente surpreendido (o Benfica nada fez para evitar este desfecho) e o Gil até podia ter feito mais estragos (o Ronald Koeman segurou-se mais uns dias, mas vem aí o Sporting...).

É já um dos piores começos de sempre do clube da Luz (2 jogos, 1 ponto e zero golos, o chamado 2-1-0, como diria o Gabriel Alves), mas, tenho um pressentimento, com tendência para piorar, e o recorde do pior arranque está mesmo ali ao lado (do outro lado da 2ª circular, mais precisamente).

A jornada que aí se aproxima tem tudo para se tornar uma verdadeira tragédia grega, com um Sporting - Benfica ao rubro e o nervoso miudinho a brotar das declarações dos dirigentes. A velha táctica do terrorismo verbal quando as coisas não estão bem no nosso quintal continua a dar cartas.

sexta-feira, agosto 19, 2005

A declaração de Miguel

O Donosdabola teve acesso em primeira mão à declaração que Miguel leu no Sindicato de Jogadores e que encerrou o diferendo com o Benfica:
 
"Eu, Luis Miguel Brito Garcia Monteiro entendi promover esta conferência de imprensa, não para falar do meu futuro, porque sobre ele haverá muitas oportunidades para o fazer, mas para informar que chegou ao fim, por mútuo acordo o diferendo que me opunha ao Benfica. A todos os Benfiquistas, bombeiros, técnicos de alvenaria, vendedores ambulantes, taxistas e desempregados, indeferenciados e domésticas, militares, cauteleiros, polícias, enfermeiros, médicos especialistas, professores não colocados, embarcadiços, pescadores, presidentes de junta, políticos de carreira, diplomatas, adeptos, vendedores de cachecois, candongueiros, empresários de futebol, do ramo da cortiça e dos pneus e empregados de mesa, as minhas desculpas públicas por esta situação. Se me esqueci de alguém as minhas desculpas.
 
Admito que fui responsável, juntamente com os meus representantes, por tudo de ruim que aconteceu no país nos últimos meses, incluindo o défice orçamental, o orçamento rectificativo, a crise generalizada da economia, a quebra da confiança dos consumidores, o aumento dos combustíveis, os incêndios, a seca, o Alexandre Frota e o Castelo Branco, o 2º lugar do Cândido Barbosa na Volta, o tráfico de influências, o aumento do IVA, a fuga dos emigrantes de Leste de Portugal, a candidatura da Fátima Felgueiras e do Mário Soares, do Valentim, do Ferreira Torres e do Isaltino Morais, a má qualidade das praias no Sul e da água no Norte (e vice-versa), a nomeação do Fernando Gomes como administrador da Galp, a derrota do Sporting com os italianos, a má prestação da selecção de hóquei no Mundial, a caspa, a diarreia e as dores de barriga generalizados de toda a população nacional. Por tudo isto sinto-me responsável e agora gostava, se me deixassem, de ir para Espanha e cumprir a minha pena. Obrigado.
 
Nota: Apenas li isto porque caso contrário ficava 3 anos na prateleira. Se houver alguém que ainda se sente inustiçado por tudo aquilo que fiz, por favor mande um e-mail para: BatenoMiguel@Veiga&vieira.com e numa próxima oportunidade me retrarei novamente. Podem também tentar mandar um postal para a Cova da Moura ou ir até lá e perguntar por mim. Boa sorte.
 
Ass.: Miguel, a caminho de um país civilizado e de um ordenado chorudo."

segunda-feira, agosto 08, 2005

Custou mas foi...

Uma pequena homenagem a todos os benfiquistas pelo título conquistado!

Também, com adeptos destes...

Não há macumba que resista!

Ele promete voltar na próxima época!
Escondam os vossos filhos.

sábado, agosto 06, 2005

Testemunha do Éden

Neste Éden, as nuvens não eram prateadas nem aureoladas. Eram vermelhas, encarnadas da cor do sangue que afluía à face dos trinta mil querubins, de todos os anjos seráficos que gritavam em uníssono ao som de milhares de harpas imaginárias o nome do seu Criador: BENFICA!!

Nesse dia, Cristo desceu ao Bessa e eu fui testemunha privilegiada: Fila N, Lugar 57. E com orgulho, repito diariamente, desde o dealbar dos primeiros raios de Sol, esta máxima universal: SOMOS CAMPEÕES!!

Comunicado dos Superdragões



Está disponível desde ontem, no site oficial dos Superdragões, um comunicado oficial que promete fazer correr muita tinta. Nós, Os Donos da Bola, após termos conseguido registar-nos no site e de termos feito a subscrição de 50 doses individuais de heroína, acedemos ao texto original da declaração que passamos agora a transcrever na íntegra:
«O Gang/Direcção dos Superdragões reunidos em seção, hãã, digo sessão bastante ordinária, resolveu repudiar algumas calúnias lanssadas, hãã, digo lançadas a público nas últimas semanas, que mancharam o nosso mau nome na praça:
1- Desmentimos termos sido os autores materiais do rapto de um dos mentores do blog«Os Donos da Bola». Confirmámos que, logo após o fim do jogo Boavista-(bleargh)Benfica, um grupo dos nossos aficionados abordou o sr. John Holmes Reis e fez-lhe ver de forma educada e construtiva a nossa discordância com o espírito de alguns dos artigos que atingiam a honra do FCP, instituição que nos sustenta e branqueia. Depois de termos feito uma demonstração gratuita dos efeitos práticos das nossas socadeiras personalizadas, convidámos o sr. Reis a passar uma temporada de 2 meses numa das nossas sedes clandestinas sita numa sub-cave na Areosa, onde foi principescamente tratado e sujeito a uma dieta de cariz omo…hãã, digo homeopático e com grande riqueza endocrinológica e nutritiva baseada em pão e água.
2- Desmentimos termos sido os responsáveis pela manifestação cívica das vendedoras do Mercado do Bolhão contra o Rui Rio. Quem nos conhece profundamente, sabe que não lidámos com comércio de peixe, mas sim com tráfico de estúpid…, hãã, digo estupr…. hãã digo, estupefacientes.
3- Não confirmámos nem desmentimos termos sido os autores morais e materiais do rapto das mães do Robinho e do pretenso Fabuloso, Luís Fabiano. Se o tivéssemos feito, estaríamos a salvaguardar os interesses do FCP, pois se o Robinho tivesse assinado pelo (cruzes!) Benfica, poderia ofuscar as atenções da imprensa sobre as valias técnicas do melhor avançado a actuar em Portugal: McCarthy. Quanto ao rapto da progenitora do Fabuloso, voltamos a reiterar que nada fizemos, mas o seu afastamento até foi benéfico para o FCP. Foi coincidência.
4- Quanto às declarações do Sr. Costinha, ex-atleta do nosso clube que lançou acusações contra o nosso camarada Madureira e a origem da sua fortuna, apenas o avisámos que temos um protocolo de colaboração com a Máfia Russa.

A Direcção dos SD,

Fernando Madureira- Presidente
Rui Teixeira- Vice-Presidente
Hélder Silva- Secretário
Guarda Abel- Agente de Cobranças
Carolina Salgado- Relações Públicas