quinta-feira, março 09, 2006
O regresso dos Beatles
terça-feira, fevereiro 07, 2006
5 pontos
sexta-feira, fevereiro 03, 2006
Simão: o novo Nostradamus
terça-feira, janeiro 24, 2006
Fernando e os Sapos de Marraquesh (Conto Infantil)

Fernando era um rapaz alegre, mas ingénuo que andava sempre com a cabeça na lua, imaginado mil sonhos e situações. Trabalhava na mercearia do Sr. Aprígio, pessoa muito estimada entre os pescadores da Figueira da Foz que carinhosamente chamavam a sua tasca de «Naval Primeiro de Maio».
Um dia, ainda a manhã tinha acabado de despontar, Fernando foi chamado pelo patrão:
- Fernando, tenho uma missão muito importante para ti: preciso que vás entregar este envelope a um velhinho que mora numa cabana no Pinhal do Papa.
Fernando engoliu em seco: desde a sua infância que ouvira dezenas de histórias sobre o Pinhal do Papa. O povo dizia que era um lugar assombrado, habitado por dragões e outros animais mitológicos, seres fantásticos que se comportavam de forma estranha e que seduziam os puros de coração que lá se atreviam a entrar. A sua avó já lhe tinha avisado: «Quem lá entra, nunca mais regressa a casa…»
Muito timidamente, o rapaz lá iniciou a sua odisseia. Depois de alguns minutos, avistou a vereda que assinalava a entrada do pinhal. Hesitou. O seu coração dizia-lhe para não transpor a entrada, mas a lealdade cega que tinha pelo seu patrão (que além disso tinha uma mão bastante pesada e dedos extremamente ossudos) fê-lo avançar. Para seu espanto, saíram da sombra das árvores quatro pessoas que pareciam amistosas, dois homens e duas mulheres, todos bastante louros e de cabelo comprido. Pareciam forasteiros. Fernando encheu-se de coragem e perguntou-lhes:
- Quem sois? Que me quereis?
O mais velho respondeu-lhe:
- Nada temas, pequenote. Somos os ABBA e viemos da Suécia, um país muito distante. Soubemos que ias fazer esta entrega e resolvemos cantar-te uma canção para te dar forças e poderes continuar a viagem alegremente:
« Consegues ouvir os tambores, Fernando?
Lembro-me há muito tempo atrás
De outra noite estrelada como esta
Perto da lareira, Fernando
Estavas cantarolando para ti mesmo
E dedilhando suavemente a tua guitarra
Eu podia ouvir os tambores à distância
E sons de trombetas ecoavam lá longe
Agora os tambores estão mais perto, Fernando
Cada hora e cada minuto parece durar eternamente
Eu tinha tanto medo, Fernando
Tu eras jovem e cheio de vida. Nenhum de nós estava preparado para morrer
E não tenho vergonha em dizer
O som das armas e dos canhões quase fez-me chorar
Há qualquer coisa no ar esta noite
As estrelas estão brilhantes, Fernando
Estavam a brilhar para mim e para ti
Em nome da Liberdade, Fernando
Embora nunca pudesse pensar que perderíamos
Não há arrependimento
Se eu tivesse que fazê-lo novamente,
Fá-lo-ia, meu amigo Fernando »
Seguindo o som dos tambores, Fernando embrenhou-se no pinhal. Alguns passos depois, avistou três meninas muito bonitas, de tranças compridas, envergando blusas decotadas e mini-saias audaciosas. As três dançavam e cantavam de mãos dadas, fazendo uma rodinha. No centro, estava uma bandeira do Brasil. Movido pela curiosidade, Fernando aproximou-se e disse-lhes:
- Olá, eu sou o Fernando e vou entregar um envelope a um velhinho que vive aqui perto numa cabana. Conhecei-lo?
- Claro que sim – respondeu a mais velha-, é nosso patrão. Eu sou a Guimarinha e estas minhas amigas são a Silvaninha e a Calheirinha.
- Posso saber os motivos de tanta alegria?- perguntou Fernando.
- Amanhã vamos de férias. Estamos tão felizes. – disse Calheirinha.
De repente, Fernando, que ainda era um moço virginal, sentiu o seu corpo encher-se de um calor infernal enquanto olhava para os seios palpitantes das moças, as suas coxas alvas e tronchudas e as suas nádegas redondas e firmes. Sentiu uma intumescência na sua zona genital e todos os seus músculos se contraíram num frémito de ardor e desejo. Tentou agarrar a Guimarinha por trás ao mesmo tempo que baixava os seus calções.
- Alto lá!! – gritou Guimarinha-, para te deitares com uma de nós, tens de nos dar quinhentinhos!!
- Euros?- retorquiu Fernando.
- Pois claro! Havia de ser centímetros cúbicos de esperma, não?
- Mas a única coisa que possuo de valor são estes cinco rebuçadinhos com sabor a café com leite que comigo trago no bolso…
- Humpf!!- resmungou Silvaninha-, ainda se fossem rebuçados com sabor a fruta, podíamos fazer-te umas festinhas na tua malagueta, mas já que tens só isso, põe-te a andar!!
Envergonhado, Fernando subiu os calções e continuou a caminhar. Muitos passos depois, pareceu-lhe ouvir um coaxar de batráquios. Correu e viu três sapos gordos em linha recta que afinavam uma canção do Paul McCartney. Fernando dirigiu-se-lhes:
-Pela primeira vez na vida vejo sapos tão bem cantantes. Se me disserem que um de vós come a secretária e que outro já teve leucemia, diria que estava em presença dos Três Tenores. Quem sois?
- Croac! Eu sou o Sapo Pinto de Sousa.
- Croac! Eu sou o Sapo Rodrigues.
- Urreabit! E eu sou o Sapo Devesa.
- Somos os Sapos de Marraquesh!!- gritaram os três em uníssono.
- Parece-me que já ouvi falar de vós.- disse Fernando.
- É improvável!- respondeu o Sapo Pinto de Sousa-, Nós até há pouco tempo fomos homens e bastante importantes.
- Fomos até passar o reveillon a Marraquesh com o Papa- retorquiu o Sapo Rodrigues.
- Ele gostava tanto de nós- disse o Sapo Devesa-, estava sempre a convidar-nos para a sua cabana.
- O quê? O velhinho que vive na Cabana do Pinhal é o Papa? Tenho uma encomenda para lhe entregar!, disse alegremente o Fernando.
- Toma cuidado, porque ele é muito traiçoeiro -disse o Sapo Rodrigues-, assim que ele soube que nós tínhamos ido almoçar a Penafiel com o maior inimigo dele, lançou-nos uma maldição e transformou-nos a todos em sapos velhos e gordos.
- Eu não sou gordo, tenho é cartilagem espessa- interrompeu o sapo Devesa.
- Só se fores tu, porque eu sou tão gordo que olhando para baixo, só consigo ver os meus testículos quando o vento sopra em rajadas de Noroeste e eles balançam.- disse o sapo Rodrigues.
- Ah, esse barulho é dos teus testículos. Pensei que fosse algum catavento enferrujado aqui das redondezas- retorquiu o Sapo Pinto de Sousa.
Como viu que os sapos não paravam de discutir, Fernando afastou-se e continuou a caminhar. Caminhou tanto que parou extenuado junto a um campo de futebol onde dois rapazinhos jogavam futebol e um outro, sentado na bancada, chorava copiosamente. Fernando aproximou-se tentando consolá-lo:
- Quem és? E porque choras?
- Chamo-me Maciel e choro porque aqueles dois não me deixam jogar à bola.
- Porquê?
- Disseram que é por opção técnica.
- E porque estás a segurar em quatro muletas?
- As muletas são deles e só servem para disfarçar. Sempre que vão defrontar a equipa do Papa fingem lesões incapacitantes para não jogar contra o Papa.
Curioso, Fernando notou que as muletas tinham umas inscrições gravadas: «Para o Valente Diogo e o Bruno Vale Tudo, com amor e carinho do vosso Patrão, Papa PC».
Como já estava a ficar atrasado para entregar a encomenda, Fernando despediu-se de Maciel e correu em direcção à cabana. Não demorou muito tempo a chegar lá. Contudo, reparou que à entrada da cabana estava um senhor obeso com ar de transmontano emigrante, sentado numa cadeira de baloiço, segurando na mão direita uma carabina e na mão esquerda um cheque ao portador com uma comissão de 10%. A sua cara estava visivelmente inchada e medonha. Fernando abeirou-se dele.
- Desculpe, é o senhor Papa?
- Claro que não, sou o Guarda da Cabana, Vítor Diniz, ao seu dispor.
- Tenho uma encomenda para entregar ao Senhor Papa.
- Mas aqui só entra se souber a senha.
Fernando tentou inventar uns versos, podia ser que por um acaso da sorte conseguisse acertar:
O teu esfíncter sabe a mel
O teu marsapo a morango silvestre
Se me deres um T3 e um anel
Serei um bom passivo, meu Mestre
- Que cantilena é essa?- berrou Diniz-, Essa não é a senha!!
Fernando voltou a tentar:
O toque do teu prepúcio é igual a linho
Teu sémen espesso é lençol nas minhas camas
Podes chamar-me de Serginho
Durante as nossas Homo-Noites Marcianas
Perante o ar de desagrado de Diniz, Fernando lembrou-se que a senha poderia ser um gesto e não um conjunto de palavras. Olhando para a face inchada de Diniz, Fernando pregou-lhe um valente bofetão:
- Estava a ver que não!- disse Diniz-, Podeis entrar!
Fernando entrou na cabana. As paredes estavam impregnadas com um cheiro a espumante e reparou que nos sofás estavam espalhadas diversas cuequinhas de seda queimadas com buracos de charuto. Nisto, uma voz grossa ecoou:
- Entra, meu rapaz!!
Fernando olhou para o fundo da sala. Refastelado na sua poltrona estava o Papa. Ajoelhados, beijando-lhe a mãos e limando-lhe as unhas dos pés, estavam os seus eunucos.
- Chumbita, Trindade Guedes, Carvalhal, Couceiro, Loureiro, Aguiar, deixem-nos a sós!- disse o Papa para os seus eunucos-, quero falar com este rapaz.
- Trouxe-lhe este envelope-, disse Fernando enquanto estendia tremulamente os braços.
O Papa abriu o subscrito e disse a Fernando:
- Ora, mas este envelope é para ti. É um contrato de trabalho. Vais ficar a trabalhar para mim, mas emprestar-te-ei à Naval até ao final do ano, pagando-te o salário. Concordas?
- Sim-, respondeu Fernando. Seria uma honra!
- Mas antes terás de passar num pequeno teste. Vem comigo.
O Papa conduziu Fernando a uma sala mais ampla onde estavam duas balizas. Uma era defendida por um Pato com porcas e parafusos no joelho e a outra baliza era defendida por um colega seu da Naval, o Taborda.
-Aqui tens uma bola. Agora escolhe a baliza para onde vais chutar. Se acertares, ficarás a trabalhar para mim-, disse o Papa.
Fernando olhou para o Pato e olhou para Taborda. Então, fechou os olhos e rematou para a baliza defendida por Taborda, fazendo a bola entrar.
- Bravo, meu rapaz. Grande autogolo! Bem-vindo à nossa organização.
E todos viveram felizes para sempre.
Moral da História: não é só a Madonna que sabe escrever contos infantis…
quinta-feira, janeiro 12, 2006
Karyaka e as postas de pescada
quinta-feira, dezembro 29, 2005
Um exemplo a seguir
Saiu ontem num jornal desportivo nacional uma entrevista com Fernando Martins (ex-presidente do Benfica) que muito me apraz aqui reproduzir. Afinal, ser do Benfica não significa obrigatoriamente ser curto de vistas, muito pelo contrário, como se pode observar pelo texto abaixo:
P | Como é que um ex-presidente do Benfica ficou tão amigo do presidente do FC Porto?
R | Eu falo por mim. Fui presidente do Benfica e já era amigo de Jorge Nuno Pinto da Costa; deixei o cargo e continuei com essa amizade. Aliás, é um dos maiores amigos que tenho. Há um episódio que ilustra isso muito bem: parti a perna e nos primeiros quatro meses, em que fiquei de cama, ele telefonou-me todos os dias, quer se encontrasse em Portugal ou no estrangeiro, para saber como é que eu estava. Nunca houve nenhuma divergência entre nós e essa ligação acabou por beneficiar o futebol português, contribuindo para que, na altura, houvesse harmonia entre os clubes.
"Ele percebe muito de futebol"
P | Encontra algum segredo para justificar o sucesso de Pinto da Costa?
R | Quando estive no Benfica ainda lhe ganhei algumas vezes [risos]. Conquistei quatro campeonatos, em seis anos, e isso nunca atrapalhou a nossa amizade. Penso que o segredo é ele perceber muito de futebol. Só percebendo de futebol é que se pode ganhar. Ele percebe e, por isso, ganha tantas vezes. É como em qualquer negócio: é preciso saber do assunto de que se trata para se conseguir ser bem sucedido.
"Vitórias do FC Porto prestigiaram Portugal"
P | Pinto da Costa é uma das figuras mais controversas. Como é que avalia a influência dele no futebol português ao longo destes anos?
R | Teve uma influência muito positiva, conforme se nota pelo que conquistou no clube dele, um clube que faz parte do futebol português. Logo, todas as vitórias, sobretudo as que foram conseguidas a nível internacional, contribuíram para prestigiar o nome de Portugal e do futebol nacional.
sexta-feira, dezembro 16, 2005
A grande verdade
quinta-feira, dezembro 15, 2005
Gripe das aves
quinta-feira, novembro 24, 2005
As Intermitências da Diabetes

A diabetes é uma das maleitas mais comuns entre os pacientes portugueses. Afecta qualquer estrato social, não discriminando classes, idades ou profissões. Recentemente, chegou à arbitragem nacional, não havendo insulina que valesse à despudorada cegueira que revelaram no passado fim-de-semana. A Medicina internacional ficou boquiaberta com as diversas derivações diabéticas reveladas nos mais diversos recintos desportivos. Assim, em Braga, João Ferreira demonstrou ao Mundo científico a sua diabetes causada por excesso de café com leite que, entre outros lances, o impediu de ver uma entrada assassina de Andrés Madrid sobre Manuel Fernandes e um golo precedido de um fora de jogo descarado (foi engraçado ver alguns paineleiros nortenhos a desculpar o lance, afirmando ter-se tratado de uma questão de míseros centímetros…), tendo também descortinado uma bola na mão que mais ninguém viu. No Estádio do Dragão, Carlos Xistra, um dos vários arguidos do processo Apito Dourado que está em fase de pré-arquivamento, não conseguiu disfarçar os efeitos secundários da sua diabetes provocada por excesso de rebuçadinhos que lhe causou um estado de permanente alucinação, ao validar um golo do futuro Senhor Figueira por uma bola que não ultrapassou a linha de golo. Abençoada insulina albicastrense!!
Por último, Bruno Paixão exemplificou a diabetes provocada por excesso de fruta, talvez a menos perniciosa de todas devido ao elevado índice de sais minerais contidos nos seus fluidos, quando engolidos. Falo do sumo da mesma fruta, claro está…Pois em Penafiel, o Senhor Paixão não viu grandes penalidades nem entradas a matar. O costume.
Este é o estado da nossa arbitragem: definhada, medíocre, incompetente, execrável. Contudo, os seus dirigentes acham normal não termos representantes nos árbitros escalonados para o Campeonato do Mundo de 2006 nem no grupo de élite da UEFA, mas exultam quando vêem o Lucílio Baptista a ser nomeado para um Uzbequistão-Djibouti do Campeonato Europeu Sub-19 de Futebol Feminino. Serei só eu a defender que deveria haver mais árbitros a fazer companhia ao Jacinto Paixão no corpo de recrutas da Primeira Companhia? Não seria hilariante assistirmos à Ruth Marlene a tentar dormir na sua camarata e a queixar-se do cheiro nauseabundo dos gases inocentemente lançados por Carlos Xistra devido à dificuldade das suas enzimas conseguirem digerir eficazmente o elevado teor de açúcar dos rebuçadinhos?
terça-feira, novembro 22, 2005
Escrever certo por linhas tortas
segunda-feira, novembro 07, 2005
O Mestre Pasteleiro

A vidinha corria-me bem. Demasiado bem. Todo o meu ser transbordava irradiante de felicidade linda, plena, absoluta. Eu e a minha namorada já falávamos em casamento e fazíamos projectos de planeamento familiar. O meu automóvel já não avariava há mais de um mês. O Benfica jogava bem e era elogiado internacionalmente. Matámos no Dragão o borrego de 14 anos, obrigando os portistas que regressavam a casa, a entrarem de lado nas carruagens do Metro, devido ao tamanho inchado do melão que levavam. O FCP aprovava um Relatório de Contas viciado q.b. que outorgava aos seus administradores um vencimento mensal líquido de 60 mil euros mensais. Surgiram notícias na imprensa a expôr o facto de o FCP dever aos seus ex-treinadores Del Neri e Fernandez um total de 1,8 milhões de contos em indemnizações. Enfim, sentia-me como Dante no Paraíso. Até que Jorge Jesus veio mudar tudo.
Quando após o jogo em Alvalade, Jesus veio dizer que «regressámos ao antigamente», velhos fantasmas perseguiram-me, visão que se adensou quando vi a bola cabeçeada por Renato entrar 6 metros dentro da baliza de Ricardo. Lembrei-me de José Guímaro, de Pinto Correia, de José Silvano, de Carlos Calheiros, de Soares Dias, de Mário Leal, de Lourenço Ferreira e de Marques da Silva. Árbitros que embora não conhecessem uma carreira internacional ao serviço da FIFA, conheceram uma carreira internacional ao serviço da Cosmos em Terras de Vera Cruz ou então em Congressos de Arbitragem realizados na Sicília. Lembrei-me de um lance idêntico desenrolado na Luz na época passada em que Baía retira de dentro da baliza um golo certo da autoria de Armando Soares Teixeira. Lembrei-me dos cónegos da imprensa azul e branca a provar através do Teorema de Pitágoras e de noções básicas de trigonometria que a bola não entrara totalmente na baliza de Baia. Lembro-me de um telefonema de uma amiga minha vizinha de Vítor Baía que, devido a uma paixão incontrolável, seguia os passos do guardião e via-o entrar todos os dias na Igreja dos Congregados, dirigindo-se ao confessionário onde, entre lágrimas e murros no peito, bradava desesperado:« Senhor padre, perdoe-me porque pequei, faltando descaradamente à verdade!».
Quando as câmaras da OlivedesportosTV focaram o árbitro auxiliar, um homenzinho careca e algo anafado que coçava os olhos devido a alguma irritação ocular, lembrei-me de fazer uma pesquisa sobre as maleitas deste paciente e descobri tratar-se de um pasteleiro profissional. Ora, como é de conhecimento geral, a melhor guarnição para uma boa chávena de «café com leite» é um suculento bolo acabadinho de sair do forno, ou então, uma boa Salgado, perdão, um bom salgadinho. Alguma migalhinha deve ter entrado para a vista e causado danos irreversíveis na córnea, coitadito.
O regresso ao passado preconizado por Jorge Jesus fez-me temer o pior: o retorno à segunda metade da década de 80 onde alguns campos de futebol tinham uma inclinação mais prenunciada que as estradas do IP4. Os capítulos seguintes de «Tudo Bons Rapazes» não me desiludiram: no Benfica- Rio Ave (Olha, que surpresa!! Foi tudo tão súbito e inesperado...Nem sei o que dizer...), o segundo golo do Rio Ave é precedido de um fora de jogo tão notório que até o Mr. Magoo o assinalaria. Mas, para sermos coerentes, já na semana transacta o Naval marcara mercê de um escandaloso fora de jogo. Como não há duas sem três...
Foi bonita a iniciativa de solidariedade que ontem assistimos no Campo da Mata Real. Falo da homenagem que se fez ao andebolista Carlos Resende que fez carreira no ABC e especialmente no FCP, tendo chegado à posição de ícone do clube. Foi comovente ver César Peixoto, não uma, mas por duas vezes, no decorrer da mesma jogada, a jogar com as mãos na sua grande área, fazendo um poderoso e eficaz amortie. Foi um belo regresso ao passado. Assim como nos últimos segundos de jogo, quando, no âmbito de uma bola cruzada para a área, Pepe fez jogo perigoso baixando a cabeça ao nível das unhas dos pés. Qual acham que foi a decisão lógica do árbitro Pedro Proença?
a) Marcou livre indirecto contra o FCP na sua grande área.
b) Consultou o fiscal de linha sobre qual a punição a dar a Pepe.
c) Assobiou para o lado e marcou falta contra o Paços de Ferreira.
Se assinalou a resposta c, os nossos parabéns. VOCÊ GANHOU UMA MAGNÍFICA VIAGEM PARA FORTALEZA! Se tiver acesso à lista de passageiros, tenha atenção para ver se descobre um senhor chamado Pedro Oliveira Alves. O nome não lhe diz nada? Será que o nome completo ajuda? Pedro Proença Oliveira Alves Garcia?
O império dos sentados
quinta-feira, novembro 03, 2005
O último Nereu
O último jogo do Benfica na Champions ficou marcado pelo golo sofrido pelo jovem guarda-redes do Benfica, Rui Nereu, e que ditou a derrota do clube da Luz. Um remate do meio da rua e uma colocação deficiente do guarda-redes selou o destino do jogo.
Esse golo mereceu da crítica especializada todo o tipo de comentário coercivo, foi considerado um frango e houve até quem dissesse: "este Nereu, ai, ai, ai, ai ,ai". O miúdo, atirado para as feras devido às lesões de Moreira e Quim, via assim repentinamente terminado um sonho que parecia nunca ter fim. Agora o seu futuro é incerto, a equipa B para já, e no próximo ano, quem sabe? O Alverca?
O Benfica, no tempo
Rui Nereu nunca foi acautelado (ele não pediu para ser titular nesta altura) e Koeman sempre lamentou a lesão de Quim (esta lesão agravou-se graças a Koeman, que o utilizou lesionado e o resultado foi o que se viu: um pontapé de baliza, um estiramento e Nereu a entrar passados 15 minutos do apito inicial)...
A questão que coloco aqui é esta: quem é o maior responsável por aquele golo?
a) Nereu, um puto da equipa B atirado para um grande palco sem qualquer apoio do seu clube?
b) Koeman, que não salvaguardou esta situação e apenas inscreveu 2 guarda-redes na Champions (Nereu gozou do seu estatuto de "Bê")?
c) Veiga, que nunca teve uma palavra para Nereu, que tentou combater moinhos de vento na UEFA e inventar uma solução estúpida e sem sentido (o Benfica pareceu que se preparava para pedir ao Chelsea ou ao Barcelona um guarda-redes emprestado, a custo zero, implorando depois que o deixassem jogar na UEFA)?
Deixo aqui esta reflexão para todos vocês, lembrando apenas que mais uma grande promessa do futebol português aparece e é lançada à lama em apenas 15 dias.
Quim vai regressar à baliza do Benfica já no próximo jogo (nem que seja de muletas), o miúdo vai para o banco, depois para a equipa B e depois, depois se verá... Se não lhe derem tempo para crescer, não vingará.
Mas no futebol, como em quase tudo, não há justiça... nem remorsos.
quarta-feira, outubro 19, 2005
Ameaças de Morte
Atenciosamente,
John Holmes Reys
terça-feira, outubro 11, 2005
Papa Pé Frio

Assim e tal como os benfiquistas assistem com tristeza à decadência física do seu símbolo José Torres (macabra, a reportagem da Sportv), os portistas assistem paulatinamente à decadência de Pinto da Costa. Anteriormente, o presidente exibia com orgulho todas as suas marionetas, desde Presidentes da Câmara, jornalistas, árbitros e treinadores de futebol, num número que perfazia as duas centenas. Agora, o declínio é evidente: o Papa perdeu Fernando Gomes, Nuno Cardoso, Bernardino Barros, António Oliveira, Luís Campos, José Couceiro e Martins dos Santos, entre muitos outros. Agora, só restam Luís Filipe Menezes, Júlio Magalhães, Duarte Gomes, Luís Baila, Rui Cerqueira, Elmano Santos, Trindade Guedes, António Fidalgo, Chumbita Nunes e Carlos Carvalhal. Manifestamente insuficientes…
quinta-feira, setembro 29, 2005
Que Arte ! Que Merd(i)a !

Modéstia à parte, considero-me um entendido em futebol, mas nunca tinha ouvido falar no Artmedia de Bratislava. Assim, quando estava a ouvir o noticiário de segunda-feira e ouvi que «o Artmedia tinha acabado de desembarcar no Aeroporto Francisco Sá Carneiro», pensei com os meus botões que deveria tratar-se de um grupo musical que viria fazer a primeira parte de um qualquer concerto do Tony Carreira.
Ontem, 21 anos depois do Wrexham e 6 meses depois do Nacional, o público do Dragão voltou a sentir correr nas veias o bom e velho sentimento da vergonha e da humilhação: o 192º classificado do Ranking da UEFA tinha acabado de vencer em casa do FCP. Salvas as devidas distâncias, era como se a selecção do Burkina-Faso tivesse ido ganhar ao Wembley.
Segundos após o final do jogo, os sentimentos na tribuna de honra do Estádio do Dragão eram díspares. O cônsul da Eslováquia no Porto só exclamava: «Que Arte!». Pinto da Costa por seu turno murmurava: «Que Merda! Lá vou ter eu que vender alguém ao Dínamo de Moscovo para compensar os prejuízos da Liga dos Campeões e poder assim trocar de carro». Três filas atrás, o empresário Jorge Mendes gritava: «Nem pense! O Fedorichev já nem pode ouvir falar em ex-jogadores do FCP: o Seitaridis não sai do banco, o Nuno mama frangos, o Costinha passa a vida na Sacoor de Moscovo, o Maniche corre a 2km/hora durante os jogos e o Derlei só marca golos de penalty». Não é à toa que o Dínamo está em oitavo lugar a 19 pontos do Lokomotiv que, pasme-se, não tem nas suas fileiras qualquer ex-jogador do FCP…
Comunicado Capilar

a) que a nossa associada tenha sido confundida com uma prostituta pois no momento em que chegou ao hall do hotel, um indivíduo colocou-lhe na lapela um autocolante a dizer «Café com Leite» e acompanhou-a ao quarto 316 onde estava a descansar a equipa de arbitragem do jogo FCP- Rio Ave.
b) a reacção intempestiva do técnico Co Adriaanse que, ao deparar-se com a nossa associada em pleno acto de trabalho na pessoa do atleta Benedito Macaco Carthy, expulsou-a violentamente do hotel, não sem antes berrar algumas expressões em língua inglesa, tecendo considerações pouco abonatórias sobre a sua nacionalidade brasileira, afirmando que só sabem driblar e não colaboram para o jogo de equipa.
c) a postura pouco profissional do atleta Macaco Carthy que se recusou em friccionar o seu couro cabeludo com Quitoso, contagiando a nossa associada.»
segunda-feira, setembro 26, 2005
A pior substituição da época...
O Donosdabola dá hoje início a um prémio que promete tornar-se uma referência na imprensa mundial: a pior substituição da época.
Um dos fortes candidatos ao prémio final é já o líder isolado da classificação, com 12 e 15 pontos de vantagem para o 2º e 3º lugar respectivamente (que por acaso também são ocupados por ele). José Peseiro, emérito treinador do Sporting Clube de Portugal, isolou-se ontem no topo da lista com uma substituição que vai dar que falar e que entra directamente para o "Anuário das Substituições Falhadas de Todos os Tempos", a publicar brevemente (o prefácio é de Mário Wilson).
Ontem à noite, em Alvalade, José Peseiro mostrou à concorrência que não está para brincadeiras e que fará tudo para arrecadar o troféu: quando o Sporting ganhava por 1 - 0, contra um Setúbal desfalcado (o guarda-redes tinha sido expulso), com o jogo a caminhar para o seu término e a equipa adversária quase encostada às cordas, Peseiro, levantou-se do banco e olhou para os suplentes em exercício: Pinilla e Nani. Das bancadas o nome do Chileno era já entoado em cânticos; as crianças procuravam uma foto do avançado; o comentador da SportTV esse, apostava antes em Nani ("mais rápido e desequilibrador"). Peseiro reflectiu e resolve chamar para dentro do campo... BETO! O defesa-central esboça um sorriso nervoso (de certo pensou que entrar naquela altura não seria muito bom para ele, com o "síndroma do Peru antes do Natal" a percorrer o seu corpo). Peseiro, esse, indiferente aos milhares de assobios, apupos, gestos da bancada e lenços brancos faz a substituição, tirando... LIEDSON!!!!
Sim, Peseiro, um "avançado mental" que ninguém compreende, voltou a mostrar toda a sua destreza e sagacidade, sacando da manga uma substituição preciosa. Liedson, esse, sai do campo a praguejar, insultando "não se sabe quem", recolhendo aos balneários com cara de poucos amigos (lembram-se da célebre reacção de Polga, a época passada, para Peseiro depois de uma substituição: "vai tomar no cu!", lembram-se?). Pinilla, totalmente rendido à estupidez da sociedade e á injustiça do mundo, regressa ao banco, cabisbaixo, agradecendo ao público o apoio, que continua a entoar o seu nome,
Voltemos ao jogo: com essa substituição, Peseiro vira o jogo: perde os seus jogadores, ganha o ódio dos seus adeptos e dá alento aos jogadores do Setúbal que, embalados pelos insultos a Peseiro, ganham força e parecem acreditar na reviravolta. Foram dez minutos de emoção, com assobios e insultos à mãe do treinador como pano de fundo, com o medo estampado na cara de milhares de adeptos. Muitos, desesperados, pareciam pedir o impossível: que o Setúbal marcasse para poderem pedir a cabeça do treinador... E o Setúbal lá foi ameaçando marcar, tropeçando na bola, com menos um elemento, a jogar contra 11, com um Sporting amorfo, sem vida, sem cérebro... mas com Beto a comandar a defesa. No meio das bancadas alguém, heroicamente, batia palmas ao treinador, tentando inverter a situação (o seu corpo deu à costa hoje de manhã, junto ao Portinho da Arrábida).
E o jogo lá acabou, o Sporting ganhou e pela primeira vez em Alvalade (no mundo todo?) um treinador foi insultado, apupado, viu lenços brancos e foi cuspido depois de ter GANHO! Foi pena, pois Peseiro minutos antes parecia querer reconciliar-se com os seus adeptos, tirando Luís Loureiro, que pela primeira vez não viu um amarelo num jogo, com a camisola do Sporting (o recorde de 4 amarelos nos 4 primeiros jogos pelo Sporting ainda é dele, no entanto, destronando o saudoso Oceano, que agora apenas detém o recorde de 75 vernelhos com a camisola verde e branca).
Os adeptos do Sporting, ingratos, nem sequer ouviram Peseiro, que explicou, no final do jogo, aquela substituição diante das câmaras da SportTV: "os sócios pensam o jogo de forma emocional, eu tenho que pensar de forma racial". Terá sido por isso que tirou Liedson? Pela sua ascendência índia? Isso explica a sua preferência por Beto, ariano e de linhagem pura, descendente duma família centro-europeia católica. Sendo assim também Pinilla nunca poderia entrar naquela altura, pois o Chile foi colonizado por vários povos sendo os seus habitantes descendentes de uma miscigenação acentuada.
Obrigado, Peseiro, por tudo o que tens feito pelo futebol Nacional. Depois do Secretário, que também passou pelo Real Madrid, o futebol Português ganha outro incompreendido, um homem visionário, muito à frente do nosso tempo. Por tudo isto Peseiro recebe já o prémio final para a pior substituição da época. Tal como Mourinho, também Peseiro começa a marcar uma época e a estabelecer recordes que só ele poderá bater.
Deixo aqui uma última questão: até onde pode ir o Sporting de Peseiro? Chegará ao Natal?
Cá estaremos para futuras análises, sempre, como diz Peseiro, "de forma racial".
terça-feira, setembro 20, 2005
O treinador
Começo a achar que a profissão de treinador é bem mais difícil do que a de domador de leões.
Após a derrota do Sporting na Madeira, frente ao Nacional, cheguei à conclusão que o treinador de futebol é o mártir dos tempos modernos, e que o Peseiro é uma espécie de arauto da desgraça. Que me desculpem os meus amigos Sportinguistas, mas estava-se mesmo a ver que o homem não tem unhas e as substituições que faz só noutro mundo é que teriam resultado.
Mas a sina dos treinadores não termina aqui, vejam o caso do Jaime Pacheco: 4 derrotas em 4 jogos para o campeonato ao comando do Guimarães. E a sorte do Norton de Matos? Veio a público defender o balneário e cortaram-lhe a cabeça.
A dança dos treinadores é uma angustiante realidade dos nossos tempos e assemelha-se ao apedrejamento dos tempos antigos. A diferença é que este espectáculo ajuda a vender jornais e o povo, esse, gosta de arranjar bodes expiatórios.
Fica aqui o meu apreço ao trabalho destes homens que dão a cara por uma equipa e que, quando as coisas correm mal, são os primeiros a ficarem sem chão.
domingo, setembro 11, 2005
A tragédia de Ronald

Ronald Koeman ficou conhecido no futebol pelo seu poderoso remate, que aterrorizou as defesas contrárias durante muitos anos e fez as delícias de todos os admiradores de futebol.
Ronald Koeman, agora treinador de futebol, continua a fazer estragos, no entanto os efeitos não estão a ser tão positivos como ele esperava. O pior arranque de sempre do Benfica no campeonato nacional é obra sua e entra direitinho para a história do clube.
Do seu pé canhão restam as saudades, agora que resolveu implodir o clube da águia. Já há quem se lembre de Artur Jorge, o eterno mal-amado para os lados da Luz.
Resta saber se essas vozes da desgraça ("papagaios" como lhes chamou Veiga) terão razão para se sentirem "escaldados". O tempo dirá.
Quanto a Koeman, conseguiu em 2 meses destruir todo o trabalho de Trapattoni, transformando uma equipa campeã num conjunto de miúdos mal-comportados e com mau feitio.
Colocar o Carlitos a titular no jogo contra o Sporting para fazer marcação directa a Tello foi de facto uma demonstração da falta de engenho do holandês. Mas como se viu o ano passado, por vezes há coisas que não fazem sentido e acabam por acontecer.
A derrota do Benfica em Alvalade foi limpinha, com o golo "torto" de Simão a dar um pouco mais de colorido a um resultado que até podia ser mais volumoso, não fosse o Peseiro continuar a insitir em Deivid. Não há dúvida que estão bem um para o outro (se bem que continuo por entender as declarações de Peseiro a pedir mais compreeensão para Koeman... ou estava a ser irónico ou então resolveu dar uma de Madre Teresa de Calcutá).
sábado, setembro 10, 2005
Este homem é um visionário...
Pacheco foi ainda mais longe (mais fundo?) e completou o seu raciocínio: «Quando não se ganha pode haver descontentamento, mas neste momento ainda só estamos a nove pontos do primeiro lugar e a um do Benfica.»
E é bem verdade, o Vitória de Pacheco está só a um ponto do Benfica (que por acaso só tem um ponto no campeonato).
Pacheco desbravou, mais uma vez, terreno na aldeia global que é o nosso futebol. Não é bem a escola do Mourinho, mas é quase de certeza a escola do Manuel José ou do Toni... e claro, a do Octávio.
quarta-feira, setembro 07, 2005
Os Diários de Co

O que a maioria do grande público desconhece é que «O Diário de Co» foi sujeito a aturada censura que estraçalhou de forma impiedosa algumas das passagens escritas pelo técnico holandês, nomeadamente aqueles que continham críticas directas ou indirectas à estrutura orgânica do clube. Felizmente, Os Donos da Bola, em exclusivo mundial, conseguiu aceder a esses trechos censurados, os quais reproduzimos aqui na íntegra:
29 de Maio de 2005- «Finalmente consegui superar um imbróglio jurídico que me impedia de assinar o contrato de trabalho com o FCP. Os advogados do clube queriam que eu assinasse uma declaração em que autorizava que a direcção da SAD me pudesse demitir ao fim de trinta dias de trabalho caso os resultados não fossem do seu agrado. Recusei liminarmente e passei duas horas a fazer pesquisa na Internet. Pensava eu que, assim como existe um clube na Tailândia chamado Juventus e um Benfica de Huambo em Angola, poderia haver outro clube com a designação de Futebol Clube do Porto no Burkina-Faso ou no Laos, pois a proposta que me fizerem é digna de um clube de Terceiro Mundo.»
1 de Junho de 2005- «Chego ao aeroporto de Pedras Rubras, onde os funcionários do FCP me conduzem até às instalações do clube. Fico maravilhado com o Estádio, mas não deixo de conter os espirros devido àarquitectura estrutural do Estádio do Dragão que é propícia às correntes de ar. Ainda com o muco nasal a escorrer-me pela cara que sou conduzido à presença do Presidente Pinto da Costa que reconheço imediatamente das suas fotografias do site da FBI's Most Wanted. O Presidente cumprimenta-me com educação e abre-me as portas do seu gabinete onde estavam lá mais quatro pessoas cujas feições me fizeram tremer de pavor e confesso que a minha face não conseguiu deixar de esconder a repugnância por essas figuras, uma feminina e três masculinas. A mulher tinha cara de «escort-girl» e os homens assemelhavam-se: um a um proxeneta, outro a um alcoólico e finalmente o mais jovem a um toxicodependente. Assustado, pedi a intervenção de um tradutor que me acalmou e me apresentou às personalidades, respectivamente Carolina Salgado, Reinaldo Teles, Guarda Abel e Fernando Madureira. O mesmo tradutor referiu-me que são figuras com enorme peso institucional no clube e que tinham feito questão em receber-me.»
2 de Junho de 2005- «Insisti em apresentar-me ao plantel nos balneários. Esta é uma velha premissa minha, gosto de manter uma relação cordial e dialogante com os meus jogadores. Reuni-me com os meus adjuntos e depois de ter colocado o Rui Barros ao meu colo e de lhe ter dado um pouco de algodão doce, descemos as escadas em direcção ao balneário. Aí, deparei-me com a maior confusão que já presenciei em 16 anos de treinador: os 276 jogadores brasileiros estavam a dançar ao som de uma música de Ivete Sangalo e o Ricardo Quaresma tinha uma pequena banca em madeira onde estava a vender corsários, t-shirts e camisas de dormir. Para cúmulo e minha estupefacção, o Vítor Baía e o César Peixoto envergavam vestidos de noite com lantejoulas. Inquiri-os sobre o motivo de tão estranha indumentária num recinto desportivo ao que os dois jogadores responderam que estavam apenas a experimentar a qualidade das roupas que iriam ofertar como presente às namoradas respectivas, uma tal de Merche Romero (pelo nome depreendo que será taróloga) e uma Isabel Figueira. Perante tal manifestação de indisciplina, não consegui conter a minha ira e as minhas primeiras palavras ao plantel do FCP tiveram como tema a disciplina, para mim a principal premissa para tornar campeões um grupo de jogadores medianos. Como me informaram que em Portugal é moda os treinadores falarem de si na terceira pessoa, terminei o meu discurso com uma frase que sintetiza todo o meu pensamento e a importância da disciplina e temperança: «Tenham cuidado com o olho de Co». Imediatamente todos colocaram as mãos atrás das nádegas ao mesmo tempo que olhavam para Vítor Baia e Peixoto. Imediatamente Pedro Emanuel tomou a palavra: «Sim, mister, já sabíamos, o Fernandez já nos tinha avisado».
25 de Julho de 2005- Decorre com normalidade o nosso estágio. Mas a todas as horas me questiono: «Meu Deus, como é possível haver tantos jogadores sofríveis neste plantel? Quanto o Sokota chuta numa bola, a única rede em que consegue acertar é na rede emitida pela antena de telecomunicações que está montada no telhado do nosso hotel, a 13 metros de altura. Então e o Capitão? Verifico com rigor que já não estã dentro dos padrões de qualidade exigíveis a um central. Para o testar, mandei o Jorge para o fundo do campo tentar cortar uma bola a um adversário que dele se aproximava em velocidade. Para essa função, escolhi o meu adjunto Wil Coort, que para além de ter 73 anos e duas hérnias discais, possui na perna direita uma prótese em liga de carbono que lhe tolhe os movimentos. Não é que o Coort conseguiu passar pelo Jorge Costa em velocidade e que este se viu obrigado a recorrer à falta, aplicando-lhe uma violenta cotovelada na face e uma biqueirada na virilha? O facto positivo desta situação é que acabou indirectamente por fazer do Coort um poliglota pois ele agora com 5 dentes partidos, sempre que tenta falar comigo em Holandês, acaba sempre por sair algo em Galego e com muitos X's. O Tomo e o Jorge terão de ir para a lista de dispensas.»
(Continua na próxima edição)
Gil Vicente

O consagrado dramaturgo, autor de obras como "O Auto da Barca do Inferno" ou "Quem tem farelos?", dificilmente se lembraria de um argumento tão picante e corrosivo como o que resultou do embate entre Benfica e o seu clube homónimo de Barcelos. De facto, o Gil Vicente (clube) foi à Luz humilhar o campeão nacional (não sei se já foi promulgado o decreto, com estas exibições ainda é pedida impugnação), por duas bolas a zero.
Quem viu o jogo não ficou minimamente surpreendido (o Benfica nada fez para evitar este desfecho) e o Gil até podia ter feito mais estragos (o Ronald Koeman segurou-se mais uns dias, mas vem aí o Sporting...).
É já um dos piores começos de sempre do clube da Luz (2 jogos, 1 ponto e zero golos, o chamado 2-1-0, como diria o Gabriel Alves), mas, tenho um pressentimento, com tendência para piorar, e o recorde do pior arranque está mesmo ali ao lado (do outro lado da 2ª circular, mais precisamente).
A jornada que aí se aproxima tem tudo para se tornar uma verdadeira tragédia grega, com um Sporting - Benfica ao rubro e o nervoso miudinho a brotar das declarações dos dirigentes. A velha táctica do terrorismo verbal quando as coisas não estão bem no nosso quintal continua a dar cartas.
sexta-feira, agosto 19, 2005
A declaração de Miguel
segunda-feira, agosto 08, 2005
Custou mas foi...
sábado, agosto 06, 2005
Testemunha do Éden
Nesse dia, Cristo desceu ao Bessa e eu fui testemunha privilegiada: Fila N, Lugar 57. E com orgulho, repito diariamente, desde o dealbar dos primeiros raios de Sol, esta máxima universal: SOMOS CAMPEÕES!!
Comunicado dos Superdragões

«O Gang/Direcção dos Superdragões reunidos em seção, hãã, digo sessão bastante ordinária, resolveu repudiar algumas calúnias lanssadas, hãã, digo lançadas a público nas últimas semanas, que mancharam o nosso mau nome na praça:
1- Desmentimos termos sido os autores materiais do rapto de um dos mentores do blog«Os Donos da Bola». Confirmámos que, logo após o fim do jogo Boavista-(bleargh)Benfica, um grupo dos nossos aficionados abordou o sr. John Holmes Reis e fez-lhe ver de forma educada e construtiva a nossa discordância com o espírito de alguns dos artigos que atingiam a honra do FCP, instituição que nos sustenta e branqueia. Depois de termos feito uma demonstração gratuita dos efeitos práticos das nossas socadeiras personalizadas, convidámos o sr. Reis a passar uma temporada de 2 meses numa das nossas sedes clandestinas sita numa sub-cave na Areosa, onde foi principescamente tratado e sujeito a uma dieta de cariz omo…hãã, digo homeopático e com grande riqueza endocrinológica e nutritiva baseada em pão e água.
2- Desmentimos termos sido os responsáveis pela manifestação cívica das vendedoras do Mercado do Bolhão contra o Rui Rio. Quem nos conhece profundamente, sabe que não lidámos com comércio de peixe, mas sim com tráfico de estúpid…, hãã, digo estupr…. hãã digo, estupefacientes.
3- Não confirmámos nem desmentimos termos sido os autores morais e materiais do rapto das mães do Robinho e do pretenso Fabuloso, Luís Fabiano. Se o tivéssemos feito, estaríamos a salvaguardar os interesses do FCP, pois se o Robinho tivesse assinado pelo (cruzes!) Benfica, poderia ofuscar as atenções da imprensa sobre as valias técnicas do melhor avançado a actuar em Portugal: McCarthy. Quanto ao rapto da progenitora do Fabuloso, voltamos a reiterar que nada fizemos, mas o seu afastamento até foi benéfico para o FCP. Foi coincidência.
4- Quanto às declarações do Sr. Costinha, ex-atleta do nosso clube que lançou acusações contra o nosso camarada Madureira e a origem da sua fortuna, apenas o avisámos que temos um protocolo de colaboração com a Máfia Russa.
A Direcção dos SD,
Fernando Madureira- Presidente
Rui Teixeira- Vice-Presidente
Hélder Silva- Secretário
Guarda Abel- Agente de Cobranças
segunda-feira, agosto 01, 2005
Lembram-se da sanita?
terça-feira, julho 26, 2005
Falta de transparência (Parte II)

A Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) anunciou hoje que está a investigar a venda de 37 por cento do capital da Estoril-Praia SAD, por José Veiga, actual director-geral do Benfica, a duas empresas britânicas desconhecidas.
Em comunicado, a CMVM considera que a venda a duas dessas sociedades não obedeceu a critérios legais, pelo que declarou a falta de transparência dessas participações. Em causa está a venda de 19 por cento da Estoril-Praia SAD à Mexes Marketing Limited e de 18 por cento à KCK Developments Limited.
Falta saber se o jogo no algarve fazia parte do pacote...
segunda-feira, julho 18, 2005
Tomasson, Tomasson...
Monólogos da bola
- John Holmes Reys (600)
- JPinto (495)
- Visconde de Alvalade (162)




