quarta-feira, outubro 19, 2005

Ameaças de Morte

Chegámos ao lamentável momento em que não se pode exercer o direito de opinião de forma bem humorada sem chegarmos ao ponto de ser ameaçados de represálias físicas e de ser insultados de forma cobarde e desprezível. Alguns energúmenos cadastrados têm escolhido este blog para fazer desfilar uma lista muito própria de calões e de verborreia prosaica incompatíveis com o espírito deste espaço. Como tal, adverte-se que, daqui para a frente, serão impedidos quaisquer comentários feitos por anónimos e que todo e qualquer ataque pessoal aos criadores deste blog será tratado em instâncias judiciais.

Atenciosamente,

John Holmes Reys

terça-feira, outubro 11, 2005

Papa Pé Frio



Os Brasileiros têm uma expressão muito curiosa quando querem caracterizar alguém que está a passar por um momento prolongado de azar: pé-frio. E essa situação aplica-se que nem uma luva a Jorge Nuno Pinto da Costa. Senão vejamos: primeiro, foram os aumentos substanciais de 13% nas embalagens de Viagra e de 34% (um absurdo!) no Pau de Cabinda. Em segundo lugar, as várias fífias cometidas por uma defesa tão fraquinha que faz recordar as épocas em que Secretário e Fernando Mendes eram titulares indiscutíveis. Depois, o facto de a comunicação social não ser tão subserviente como nos tempos áureos das décadas de 80 e de 90, ao atreverem-se a criticar os árbitros que escamotearam ao Braga e ao Marítimo um total de três grandes penalidades. Finalmente: a inequívoca e absoluta maioria garantida por Rui Rio nas eleições autárquicas de 9 de Outubro. Depois do desastre Fernando Gomes, o «Papa» lá teve de aguentar a humilhação de ter visto Assis a sair das eleições com o rabinho entre as pernas. Pois é, até os Superdragões ficaram na mó de baixo. Portugal deve ter sido o primeiro país mundial a assistir serenamente a uma claque de futebol fazer campanha política a favor do candidato do PS, como o fez orgulhosamente Hélder aos microfones da TSF, semanas atrás, quando dissera que dera instruções aos membros que liderava para votar no PS, excepto nas eleições para a Assembleia de Freguesia de S. Nicolau, pois o seu pai era candidato nas listas do PSD… Admirável! O que este jovem líder de massas não previa era a grande taxa de analfabetismo e iliteracia dos membros da claque que, ao exercerem o seu direito de voto, demoravam quinze minutos a ler o boletim e finalmente, como liam muito mal, votavam no Partido Humanista, que do ponto de vista fonético, soa muito a Socialista…Para já não falar naqueles que, sob o efeito da ganza se deslocaram ao edifício do Instituto de Medicina Legal convencidos de que se tratava de uma secção de voto e colocaram a sua cruz num boletim de…cedência a sangue frio de órgãos humanos para transplante e estudo anatómico, facto que motivou a curiosidade de muitos transeuntes que, com algum espanto, viram alguns jovens pálidos e ensanguentados sair do IML com grandes sacos de gelo na zona renal, esboçando nas faces o sorriso por terem cumprido o seu dever cívico.
Assim e tal como os benfiquistas assistem com tristeza à decadência física do seu símbolo José Torres (macabra, a reportagem da Sportv), os portistas assistem paulatinamente à decadência de Pinto da Costa. Anteriormente, o presidente exibia com orgulho todas as suas marionetas, desde Presidentes da Câmara, jornalistas, árbitros e treinadores de futebol, num número que perfazia as duas centenas. Agora, o declínio é evidente: o Papa perdeu Fernando Gomes, Nuno Cardoso, Bernardino Barros, António Oliveira, Luís Campos, José Couceiro e Martins dos Santos, entre muitos outros. Agora, só restam Luís Filipe Menezes, Júlio Magalhães, Duarte Gomes, Luís Baila, Rui Cerqueira, Elmano Santos, Trindade Guedes, António Fidalgo, Chumbita Nunes e Carlos Carvalhal. Manifestamente insuficientes…

quinta-feira, setembro 29, 2005

Que Arte ! Que Merd(i)a !



Pois é, lá ficou o aniversário estragado. Isto é, o pseudo-aniversário, pois desde o dia em que um historiador licenciado pela Escola Superior de Educação de Baguim do Monte descobriu que, no dia 28 de Setembro de 1893, um grupo de 7 funcionários camarários (que ganhavam o seu sustento a desentupir as latrinas dos Sanitários Municipais) começou a dar pontapés num rilhoto em forma circular que tinham acabado de retirar de uma sanita, convencionou-se essa data como a do nascimento oficial do Futebol Clube do Porto, para grande gáudio de Pinto da Costa que, em variados discursos proferidos em jantares do Casino de Espinho, se refere erradamente ao FCP como o mais antigo clube de Portugal, esquecendo-se da Académica de Coimbra (1876) e da Naval 1º de Maio (1893).
Modéstia à parte, considero-me um entendido em futebol, mas nunca tinha ouvido falar no Artmedia de Bratislava. Assim, quando estava a ouvir o noticiário de segunda-feira e ouvi que «o Artmedia tinha acabado de desembarcar no Aeroporto Francisco Sá Carneiro», pensei com os meus botões que deveria tratar-se de um grupo musical que viria fazer a primeira parte de um qualquer concerto do Tony Carreira.
Ontem, 21 anos depois do Wrexham e 6 meses depois do Nacional, o público do Dragão voltou a sentir correr nas veias o bom e velho sentimento da vergonha e da humilhação: o 192º classificado do Ranking da UEFA tinha acabado de vencer em casa do FCP. Salvas as devidas distâncias, era como se a selecção do Burkina-Faso tivesse ido ganhar ao Wembley.
Segundos após o final do jogo, os sentimentos na tribuna de honra do Estádio do Dragão eram díspares. O cônsul da Eslováquia no Porto só exclamava: «Que Arte!». Pinto da Costa por seu turno murmurava: «Que Merda! Lá vou ter eu que vender alguém ao Dínamo de Moscovo para compensar os prejuízos da Liga dos Campeões e poder assim trocar de carro». Três filas atrás, o empresário Jorge Mendes gritava: «Nem pense! O Fedorichev já nem pode ouvir falar em ex-jogadores do FCP: o Seitaridis não sai do banco, o Nuno mama frangos, o Costinha passa a vida na Sacoor de Moscovo, o Maniche corre a 2km/hora durante os jogos e o Derlei só marca golos de penalty». Não é à toa que o Dínamo está em oitavo lugar a 19 pontos do Lokomotiv que, pasme-se, não tem nas suas fileiras qualquer ex-jogador do FCP…

Comunicado Capilar



«A Federação Nacional de Cabeleireiros e Esteticistas (FNCE) vem por este meio exarar o seu repúdio e reprovação em relação à instituição Futebol Clube do Porto SAD na pessoa dos seus dirigentes pelo tratamento abusivo e humilhante que dedicaram a uma das nossas associadas que, no dia 10 de Setembro de 2005, foi chamada a um hotel onde a equipa acima citada estava a estagiar para, no decurso da sua actividade profissional, proceder à execução de extensões e tranças na pessoa do atleta Benedito Macaco Carthy. Assim condenamos vivamente:
a) que a nossa associada tenha sido confundida com uma prostituta pois no momento em que chegou ao hall do hotel, um indivíduo colocou-lhe na lapela um autocolante a dizer «Café com Leite» e acompanhou-a ao quarto 316 onde estava a descansar a equipa de arbitragem do jogo FCP- Rio Ave.
b) a reacção intempestiva do técnico Co Adriaanse que, ao deparar-se com a nossa associada em pleno acto de trabalho na pessoa do atleta Benedito Macaco Carthy, expulsou-a violentamente do hotel, não sem antes berrar algumas expressões em língua inglesa, tecendo considerações pouco abonatórias sobre a sua nacionalidade brasileira, afirmando que só sabem driblar e não colaboram para o jogo de equipa.
c) a postura pouco profissional do atleta Macaco Carthy que se recusou em friccionar o seu couro cabeludo com Quitoso, contagiando a nossa associada.»

segunda-feira, setembro 26, 2005

A pior substituição da época...

O Donosdabola dá hoje início a um prémio que promete tornar-se uma referência na imprensa mundial: a pior substituição da época.

Um dos fortes candidatos ao prémio final é já o líder isolado da classificação, com 12 e 15 pontos de vantagem para o 2º e 3º lugar respectivamente (que por acaso também são ocupados por ele). José Peseiro, emérito treinador do Sporting Clube de Portugal, isolou-se ontem no topo da lista com uma substituição que vai dar que falar e que entra directamente para o "Anuário das Substituições Falhadas de Todos os Tempos", a publicar brevemente (o prefácio é de Mário Wilson).

 

Ontem à noite, em Alvalade, José Peseiro mostrou à concorrência que não está para brincadeiras e que fará tudo para arrecadar o troféu: quando o Sporting ganhava por 1 - 0, contra um Setúbal desfalcado (o guarda-redes tinha sido expulso), com o jogo a caminhar para o seu término e a equipa adversária quase encostada às cordas, Peseiro, levantou-se do banco e olhou para os suplentes em exercício: Pinilla e Nani. Das bancadas o nome do Chileno era já entoado em cânticosas crianças procuravam uma foto do avançadoo comentador da SportTV esse, apostava antes em Nani ("mais rápido e desequilibrador"). Peseiro reflectiu e resolve chamar para dentro do campo... BETO! O defesa-central esboça um sorriso nervoso (de certo pensou que entrar naquela altura não seria muito bom para ele, com o "síndroma do Peru antes do Natal" a percorrer o seu corpo). Peseiro, esse, indiferente aos milhares de assobios, apupos, gestos da bancada e lenços brancos faz a substituição, tirando... LIEDSON!!!!

 

Sim, Peseiro, um "avançado mental" que ninguém compreende, voltou a mostrar toda a sua destreza e sagacidade, sacando da manga uma substituição preciosa. Liedson, esse, sai do campo a praguejar, insultando "não se sabe quem", recolhendo aos balneários com cara de poucos amigos (lembram-se da célebre reacção de Polga, a época passada, para Peseiro depois de uma substituição: "vai tomar no cu!", lembram-se?). Pinilla, totalmente rendido à estupidez da sociedade e á injustiça do mundo, regressa ao banco, cabisbaixo, agradecendo ao público o apoio, que continua a entoar o seu nome, em fúria. Os mais radicais acenam lenços brancos (não sei se já vos disse que o Sporting estava a ganhar?), outros abandonam o estádio, vê-se um casal enrolado, a carpir as suas mágoas. Por todo o lado reina a descrença, a confusão, o drama e o horror (parecia a reedição da final da taça UEFA do ano passado, naquele mesmo palco, talhado para as tragédias gregas).

 

Voltemos ao jogo: com essa substituição, Peseiro vira o jogo: perde os seus jogadores, ganha o ódio dos seus adeptos e dá alento aos jogadores do Setúbal que, embalados pelos insultos a Peseiro, ganham força e parecem acreditar na reviravolta. Foram dez minutos de emoção, com assobios e insultos à mãe do treinador como pano de fundo, com o medo estampado na cara de milhares de adeptos. Muitos, desesperados, pareciam pedir o impossível: que o Setúbal marcasse para poderem pedir a cabeça do treinador... E o Setúbal lá foi ameaçando marcar, tropeçando na bola, com menos um elemento, a jogar contra 11, com um Sporting amorfo, sem vida, sem cérebro... mas com Beto a comandar a defesa. No meio das bancadas alguém, heroicamente, batia palmas ao treinador, tentando inverter a situação (o seu corpo deu à costa hoje de manhã, junto ao Portinho da Arrábida).

 

E o jogo lá acabou, o Sporting ganhou e pela primeira vez em Alvalade (no mundo todo?) um treinador foi insultado, apupado, viu lenços brancos e foi cuspido depois de ter GANHO! Foi pena, pois Peseiro minutos antes parecia querer reconciliar-se com os seus adeptos, tirando Luís Loureiro, que pela primeira vez não viu um amarelo num jogo, com a camisola do Sporting (o recorde de 4 amarelos nos 4 primeiros jogos pelo Sporting ainda é dele, no entanto, destronando o saudoso Oceano, que agora apenas detém o recorde de 75 vernelhos com a camisola verde e branca).

 

Os adeptos do Sporting, ingratos, nem sequer ouviram Peseiro, que explicou, no final do jogo, aquela substituição diante das câmaras da SportTV: "os sócios pensam o jogo de forma emocional, eu tenho que pensar de forma racial". Terá sido por isso que tirou Liedson? Pela sua ascendência índia? Isso explica a sua preferência por Beto, ariano e de linhagem pura, descendente duma família centro-europeia católica. Sendo assim também Pinilla nunca poderia entrar naquela altura, pois o Chile foi colonizado por vários povos sendo os seus habitantes descendentes de uma miscigenação acentuada.

 

Obrigado, Peseiro, por tudo o que tens feito pelo futebol Nacional. Depois do Secretário, que também passou pelo Real Madrid, o futebol Português ganha outro incompreendido, um homem visionário, muito à frente do nosso tempo. Por tudo isto Peseiro recebe já o prémio final para a pior substituição da época. Tal como Mourinho, também Peseiro começa a marcar uma época e a estabelecer recordes que só ele poderá bater.

 

Deixo aqui uma última questão: até onde pode ir o Sporting de Peseiro? Chegará ao Natal?

Cá estaremos para futuras análises, sempre, como diz Peseiro, "de forma racial".

 
 

terça-feira, setembro 20, 2005

O treinador

Começo a achar que a profissão de treinador é bem mais difícil do que a de domador de leões.

Após a derrota do Sporting na Madeira, frente ao Nacional, cheguei à conclusão que o treinador de futebol é o mártir dos tempos modernos, e que o Peseiro é uma espécie de arauto da desgraça. Que me desculpem os meus amigos Sportinguistas, mas estava-se mesmo a ver que o homem não tem unhas e as substituições que faz só noutro mundo é que teriam resultado.

Mas a sina dos treinadores não termina aqui, vejam o caso do Jaime Pacheco: 4 derrotas em 4 jogos para o campeonato ao comando do Guimarães. E a sorte do Norton de Matos? Veio a público defender o balneário e cortaram-lhe a cabeça.

A dança dos treinadores é uma angustiante realidade dos nossos tempos e assemelha-se ao apedrejamento dos tempos antigos. A diferença é que este espectáculo ajuda a vender jornais e o povo, esse, gosta de arranjar bodes expiatórios.

Fica aqui o meu apreço ao trabalho destes homens que dão a cara por uma equipa e que, quando as coisas correm mal, são os primeiros a ficarem sem chão.

 

 

domingo, setembro 11, 2005

A tragédia de Ronald


Ronald Koeman ficou conhecido no futebol pelo seu poderoso remate, que aterrorizou as defesas contrárias durante muitos anos e fez as delícias de todos os admiradores de futebol.
Ronald Koeman, agora treinador de futebol, continua a fazer estragos, no entanto os efeitos não estão a ser tão positivos como ele esperava. O pior arranque de sempre do Benfica no campeonato nacional é obra sua e entra direitinho para a história do clube.
Do seu pé canhão restam as saudades, agora que resolveu implodir o clube da águia. Já há quem se lembre de Artur Jorge, o eterno mal-amado para os lados da Luz.
Resta saber se essas vozes da desgraça ("papagaios" como lhes chamou Veiga) terão razão para se sentirem "escaldados". O tempo dirá.
Quanto a Koeman, conseguiu em 2 meses destruir todo o trabalho de Trapattoni, transformando uma equipa campeã num conjunto de miúdos mal-comportados e com mau feitio.
Colocar o Carlitos a titular no jogo contra o Sporting para fazer marcação directa a Tello foi de facto uma demonstração da falta de engenho do holandês. Mas como se viu o ano passado, por vezes há coisas que não fazem sentido e acabam por acontecer.
A derrota do Benfica em Alvalade foi limpinha, com o golo "torto" de Simão a dar um pouco mais de colorido a um resultado que até podia ser mais volumoso, não fosse o Peseiro continuar a insitir em Deivid. Não há dúvida que estão bem um para o outro (se bem que continuo por entender as declarações de Peseiro a pedir mais compreeensão para Koeman... ou estava a ser irónico ou então resolveu dar uma de Madre Teresa de Calcutá).

sábado, setembro 10, 2005

Este homem é um visionário...

Jaime Pacheco, treinador do Vitória de Guimarães, teve ontem à noite uma visão, daquelas que só assola os predestinados ou os alucinados. Convidado a comentar a terceira derrota consecutiva (ainda só vamos na 3ª jornada) da sua equipa, Pacheco disse: «Ainda só estamos a nove pontos do primeiro lugar.»

Pacheco foi ainda mais longe (mais fundo?) e completou o seu raciocínio: «Quando não se ganha pode haver descontentamento, mas neste momento ainda só estamos a nove pontos do primeiro lugar e a um do Benfica.»

E é bem verdade, o Vitória de Pacheco está só a um ponto do Benfica (que por acaso só tem um ponto no campeonato).
Pacheco desbravou, mais uma vez, terreno na aldeia global que é o nosso futebol. Não é bem a escola do Mourinho, mas é quase de certeza a escola do Manuel José ou do Toni... e claro, a do Octávio.

quarta-feira, setembro 07, 2005

Os Diários de Co



Um dos grandes momentos literários da época do defeso não teve a chancela de Dan Brown ou de José Saramago. Foi protagonizado pelo actual técnico do FCP que todos os dias escrevia para o site oficial da instituição que representa. A esse interessante conjunto de textos em que o técnico expressava todas as suas considerações sobre o plantel, deu-se o nome de «O Diário de Co», designação bastante familiar a todos os utentes que resolvem lutar contra a prisão de ventre ao raiar da manhã. Aliás, o texto arrisca-se a ser candidato ao Prémio Nacional de Imprensa na categoria de «Titulo Literário do Ano», galardão arrecadado no ano passado com a peça teatral «Monólogos da Vagina».
O que a maioria do grande público desconhece é que «O Diário de Co» foi sujeito a aturada censura que estraçalhou de forma impiedosa algumas das passagens escritas pelo técnico holandês, nomeadamente aqueles que continham críticas directas ou indirectas à estrutura orgânica do clube. Felizmente, Os Donos da Bola, em exclusivo mundial, conseguiu aceder a esses trechos censurados, os quais reproduzimos aqui na íntegra:

29 de Maio de 2005- «Finalmente consegui superar um imbróglio jurídico que me impedia de assinar o contrato de trabalho com o FCP. Os advogados do clube queriam que eu assinasse uma declaração em que autorizava que a direcção da SAD me pudesse demitir ao fim de trinta dias de trabalho caso os resultados não fossem do seu agrado. Recusei liminarmente e passei duas horas a fazer pesquisa na Internet. Pensava eu que, assim como existe um clube na Tailândia chamado Juventus e um Benfica de Huambo em Angola, poderia haver outro clube com a designação de Futebol Clube do Porto no Burkina-Faso ou no Laos, pois a proposta que me fizerem é digna de um clube de Terceiro Mundo.»

1 de Junho de 2005- «Chego ao aeroporto de Pedras Rubras, onde os funcionários do FCP me conduzem até às instalações do clube. Fico maravilhado com o Estádio, mas não deixo de conter os espirros devido àarquitectura estrutural do Estádio do Dragão que é propícia às correntes de ar. Ainda com o muco nasal a escorrer-me pela cara que sou conduzido à presença do Presidente Pinto da Costa que reconheço imediatamente das suas fotografias do site da FBI's Most Wanted. O Presidente cumprimenta-me com educação e abre-me as portas do seu gabinete onde estavam lá mais quatro pessoas cujas feições me fizeram tremer de pavor e confesso que a minha face não conseguiu deixar de esconder a repugnância por essas figuras, uma feminina e três masculinas. A mulher tinha cara de «escort-girl» e os homens assemelhavam-se: um a um proxeneta, outro a um alcoólico e finalmente o mais jovem a um toxicodependente. Assustado, pedi a intervenção de um tradutor que me acalmou e me apresentou às personalidades, respectivamente Carolina Salgado, Reinaldo Teles, Guarda Abel e Fernando Madureira. O mesmo tradutor referiu-me que são figuras com enorme peso institucional no clube e que tinham feito questão em receber-me.»

2 de Junho de 2005- «Insisti em apresentar-me ao plantel nos balneários. Esta é uma velha premissa minha, gosto de manter uma relação cordial e dialogante com os meus jogadores. Reuni-me com os meus adjuntos e depois de ter colocado o Rui Barros ao meu colo e de lhe ter dado um pouco de algodão doce, descemos as escadas em direcção ao balneário. Aí, deparei-me com a maior confusão que já presenciei em 16 anos de treinador: os 276 jogadores brasileiros estavam a dançar ao som de uma música de Ivete Sangalo e o Ricardo Quaresma tinha uma pequena banca em madeira onde estava a vender corsários, t-shirts e camisas de dormir. Para cúmulo e minha estupefacção, o Vítor Baía e o César Peixoto envergavam vestidos de noite com lantejoulas. Inquiri-os sobre o motivo de tão estranha indumentária num recinto desportivo ao que os dois jogadores responderam que estavam apenas a experimentar a qualidade das roupas que iriam ofertar como presente às namoradas respectivas, uma tal de Merche Romero (pelo nome depreendo que será taróloga) e uma Isabel Figueira. Perante tal manifestação de indisciplina, não consegui conter a minha ira e as minhas primeiras palavras ao plantel do FCP tiveram como tema a disciplina, para mim a principal premissa para tornar campeões um grupo de jogadores medianos. Como me informaram que em Portugal é moda os treinadores falarem de si na terceira pessoa, terminei o meu discurso com uma frase que sintetiza todo o meu pensamento e a importância da disciplina e temperança: «Tenham cuidado com o olho de Co». Imediatamente todos colocaram as mãos atrás das nádegas ao mesmo tempo que olhavam para Vítor Baia e Peixoto. Imediatamente Pedro Emanuel tomou a palavra: «Sim, mister, já sabíamos, o Fernandez já nos tinha avisado».


25 de Julho de 2005- Decorre com normalidade o nosso estágio. Mas a todas as horas me questiono: «Meu Deus, como é possível haver tantos jogadores sofríveis neste plantel? Quanto o Sokota chuta numa bola, a única rede em que consegue acertar é na rede emitida pela antena de telecomunicações que está montada no telhado do nosso hotel, a 13 metros de altura. Então e o Capitão? Verifico com rigor que já não estã dentro dos padrões de qualidade exigíveis a um central. Para o testar, mandei o Jorge para o fundo do campo tentar cortar uma bola a um adversário que dele se aproximava em velocidade. Para essa função, escolhi o meu adjunto Wil Coort, que para além de ter 73 anos e duas hérnias discais, possui na perna direita uma prótese em liga de carbono que lhe tolhe os movimentos. Não é que o Coort conseguiu passar pelo Jorge Costa em velocidade e que este se viu obrigado a recorrer à falta, aplicando-lhe uma violenta cotovelada na face e uma biqueirada na virilha? O facto positivo desta situação é que acabou indirectamente por fazer do Coort um poliglota pois ele agora com 5 dentes partidos, sempre que tenta falar comigo em Holandês, acaba sempre por sair algo em Galego e com muitos X's. O Tomo e o Jorge terão de ir para a lista de dispensas.»

(Continua na próxima edição)

Gil Vicente


O consagrado dramaturgo, autor de obras como "O Auto da Barca do Inferno" ou "Quem tem farelos?", dificilmente se lembraria de um argumento tão picante e corrosivo como o que resultou do embate entre Benfica e o seu clube homónimo de Barcelos. De facto, o Gil Vicente (clube) foi à Luz humilhar o campeão nacional (não sei se já foi promulgado o decreto, com estas exibições ainda é pedida impugnação), por duas bolas a zero.

Quem viu o jogo não ficou minimamente surpreendido (o Benfica nada fez para evitar este desfecho) e o Gil até podia ter feito mais estragos (o Ronald Koeman segurou-se mais uns dias, mas vem aí o Sporting...).

É já um dos piores começos de sempre do clube da Luz (2 jogos, 1 ponto e zero golos, o chamado 2-1-0, como diria o Gabriel Alves), mas, tenho um pressentimento, com tendência para piorar, e o recorde do pior arranque está mesmo ali ao lado (do outro lado da 2ª circular, mais precisamente).

A jornada que aí se aproxima tem tudo para se tornar uma verdadeira tragédia grega, com um Sporting - Benfica ao rubro e o nervoso miudinho a brotar das declarações dos dirigentes. A velha táctica do terrorismo verbal quando as coisas não estão bem no nosso quintal continua a dar cartas.

sexta-feira, agosto 19, 2005

A declaração de Miguel

O Donosdabola teve acesso em primeira mão à declaração que Miguel leu no Sindicato de Jogadores e que encerrou o diferendo com o Benfica:
 
"Eu, Luis Miguel Brito Garcia Monteiro entendi promover esta conferência de imprensa, não para falar do meu futuro, porque sobre ele haverá muitas oportunidades para o fazer, mas para informar que chegou ao fim, por mútuo acordo o diferendo que me opunha ao Benfica. A todos os Benfiquistas, bombeiros, técnicos de alvenaria, vendedores ambulantes, taxistas e desempregados, indeferenciados e domésticas, militares, cauteleiros, polícias, enfermeiros, médicos especialistas, professores não colocados, embarcadiços, pescadores, presidentes de junta, políticos de carreira, diplomatas, adeptos, vendedores de cachecois, candongueiros, empresários de futebol, do ramo da cortiça e dos pneus e empregados de mesa, as minhas desculpas públicas por esta situação. Se me esqueci de alguém as minhas desculpas.
 
Admito que fui responsável, juntamente com os meus representantes, por tudo de ruim que aconteceu no país nos últimos meses, incluindo o défice orçamental, o orçamento rectificativo, a crise generalizada da economia, a quebra da confiança dos consumidores, o aumento dos combustíveis, os incêndios, a seca, o Alexandre Frota e o Castelo Branco, o 2º lugar do Cândido Barbosa na Volta, o tráfico de influências, o aumento do IVA, a fuga dos emigrantes de Leste de Portugal, a candidatura da Fátima Felgueiras e do Mário Soares, do Valentim, do Ferreira Torres e do Isaltino Morais, a má qualidade das praias no Sul e da água no Norte (e vice-versa), a nomeação do Fernando Gomes como administrador da Galp, a derrota do Sporting com os italianos, a má prestação da selecção de hóquei no Mundial, a caspa, a diarreia e as dores de barriga generalizados de toda a população nacional. Por tudo isto sinto-me responsável e agora gostava, se me deixassem, de ir para Espanha e cumprir a minha pena. Obrigado.
 
Nota: Apenas li isto porque caso contrário ficava 3 anos na prateleira. Se houver alguém que ainda se sente inustiçado por tudo aquilo que fiz, por favor mande um e-mail para: BatenoMiguel@Veiga&vieira.com e numa próxima oportunidade me retrarei novamente. Podem também tentar mandar um postal para a Cova da Moura ou ir até lá e perguntar por mim. Boa sorte.
 
Ass.: Miguel, a caminho de um país civilizado e de um ordenado chorudo."

segunda-feira, agosto 08, 2005

Custou mas foi...

Uma pequena homenagem a todos os benfiquistas pelo título conquistado!

Também, com adeptos destes...

Não há macumba que resista!

Ele promete voltar na próxima época!
Escondam os vossos filhos.

sábado, agosto 06, 2005

Testemunha do Éden

Neste Éden, as nuvens não eram prateadas nem aureoladas. Eram vermelhas, encarnadas da cor do sangue que afluía à face dos trinta mil querubins, de todos os anjos seráficos que gritavam em uníssono ao som de milhares de harpas imaginárias o nome do seu Criador: BENFICA!!

Nesse dia, Cristo desceu ao Bessa e eu fui testemunha privilegiada: Fila N, Lugar 57. E com orgulho, repito diariamente, desde o dealbar dos primeiros raios de Sol, esta máxima universal: SOMOS CAMPEÕES!!

Comunicado dos Superdragões



Está disponível desde ontem, no site oficial dos Superdragões, um comunicado oficial que promete fazer correr muita tinta. Nós, Os Donos da Bola, após termos conseguido registar-nos no site e de termos feito a subscrição de 50 doses individuais de heroína, acedemos ao texto original da declaração que passamos agora a transcrever na íntegra:
«O Gang/Direcção dos Superdragões reunidos em seção, hãã, digo sessão bastante ordinária, resolveu repudiar algumas calúnias lanssadas, hãã, digo lançadas a público nas últimas semanas, que mancharam o nosso mau nome na praça:
1- Desmentimos termos sido os autores materiais do rapto de um dos mentores do blog«Os Donos da Bola». Confirmámos que, logo após o fim do jogo Boavista-(bleargh)Benfica, um grupo dos nossos aficionados abordou o sr. John Holmes Reis e fez-lhe ver de forma educada e construtiva a nossa discordância com o espírito de alguns dos artigos que atingiam a honra do FCP, instituição que nos sustenta e branqueia. Depois de termos feito uma demonstração gratuita dos efeitos práticos das nossas socadeiras personalizadas, convidámos o sr. Reis a passar uma temporada de 2 meses numa das nossas sedes clandestinas sita numa sub-cave na Areosa, onde foi principescamente tratado e sujeito a uma dieta de cariz omo…hãã, digo homeopático e com grande riqueza endocrinológica e nutritiva baseada em pão e água.
2- Desmentimos termos sido os responsáveis pela manifestação cívica das vendedoras do Mercado do Bolhão contra o Rui Rio. Quem nos conhece profundamente, sabe que não lidámos com comércio de peixe, mas sim com tráfico de estúpid…, hãã, digo estupr…. hãã digo, estupefacientes.
3- Não confirmámos nem desmentimos termos sido os autores morais e materiais do rapto das mães do Robinho e do pretenso Fabuloso, Luís Fabiano. Se o tivéssemos feito, estaríamos a salvaguardar os interesses do FCP, pois se o Robinho tivesse assinado pelo (cruzes!) Benfica, poderia ofuscar as atenções da imprensa sobre as valias técnicas do melhor avançado a actuar em Portugal: McCarthy. Quanto ao rapto da progenitora do Fabuloso, voltamos a reiterar que nada fizemos, mas o seu afastamento até foi benéfico para o FCP. Foi coincidência.
4- Quanto às declarações do Sr. Costinha, ex-atleta do nosso clube que lançou acusações contra o nosso camarada Madureira e a origem da sua fortuna, apenas o avisámos que temos um protocolo de colaboração com a Máfia Russa.

A Direcção dos SD,

Fernando Madureira- Presidente
Rui Teixeira- Vice-Presidente
Hélder Silva- Secretário
Guarda Abel- Agente de Cobranças
Carolina Salgado- Relações Públicas

segunda-feira, agosto 01, 2005

Lembram-se da sanita?

O prestigiado orgão "Jornal de Negócios" noticiou hoje que o Benfica hipotecou os passes de 5 jogadores para salvaguardar o pagamento do seu estádio.
Petit, Dos Santos, Fyssas, Geovanni e Carlitos serviram de garantia para o pagamento das dívidas de construção do novo Estádio da Luz.
De acordo com o jornal "se o Benfica falhar uma das 59 prestações mensais para pagar por uma dívida de 19,3 milhões de euros à Somague, será accionada esta garantia".
Além da garantia relativa aos passes destes cinco jogadores (no caso de Petit trata-se de 50 por cento do passe, a parte que o Benfica detém) existem outras parcelas "constituídas sobre receitas de bilheteira, de camarotes e transmissões televisivas de duas épocas".
Estas garantias referem-se aos direitos pagos pela Olivedesportos pela transmissão exclusiva dos jogos de futebol referentes às épocas de 2011/2012 e 2012/2013, equivalentes a 7,5 milhões de euros anuais.
O jornal avança ainda que se algum dos jogadores for transferido para outro clube, "o Benfica terá de prestar outra garantia, inclusivamente sobre passes de outros jogadores em valor equivalente".
Ou seja, Mantorras, Simão e Beto são os senhores que se seguem. Já estou a ver a Somague FC no campeonato nacional, a disputar o título com os melhores clubes nacionais. Ainda podem ir buscar alguns jogadores a um certo clube russo e está o plantel fechado.

terça-feira, julho 26, 2005

Falta de transparência (Parte II)


 José Veiga sob investigação da CMVM

A Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) anunciou hoje que está a investigar a venda de 37 por cento do capital da Estoril-Praia SAD, por José Veiga, actual director-geral do Benfica, a duas empresas britânicas desconhecidas.

Em comunicado, a CMVM considera que a venda a duas dessas sociedades não obedeceu a critérios legais, pelo que declarou a falta de transparência dessas participações. Em causa está a venda de 19 por cento da Estoril-Praia SAD à Mexes Marketing Limited e de 18 por cento à KCK Developments Limited.

Falta saber se o jogo no algarve fazia parte do pacote...

segunda-feira, julho 18, 2005

Tomasson, Tomasson...

Começo a achar que é sina.
Ainda há pouco escrevia neste blog sobre o síndrome dos jogadores "quase-contratados" do Benfica, usando Maxi Lopez como exemplo. Também nessa altura já se vendiam camisolas do clube da águia com o nome "Maxi" inscrito e faziam-se apostas sobre quem seria o melhor marcador da equipa: Maxi ou Robinho.
 
Como é sabido, Maxi foi para o Barcelona e Robinho, esse, há-de ir, não se sabe bem para onde. Como ainda não foi, surpreende-me que não se tenha falado ainda (novamente) do seu possível ingresso no Benfica... não era este que também era benfiquista desde pequenino? Ou era o Maxi? Ou o Tomasson?
 
Tomasson vinha para o Benfica a custo zero (emprestado pelo Milan, que tem excedentes de avançados) e o seu ordenado (2 milhões de euros/ano) seria pago a meias entre os dois clubes. Ora, como se torna evidente, o Milan só embarcaria num negócio deste tipo se mais ninguém estivesse disposto a comprar o dinamarquês, e livrar o clube italiano de qualquer encargo financeiro com um jogador que não tem lugar na equipa, podendo ainda render alguns milhares de euros.
 
E é aqui que entra o Estugarda, treinado a partir de casa pelo Trapattoni (foi a condição para ele aceitar treinar o clube). Acenou com alguns euros e comprou o passe do jogador (assinou por 4 anos), aliviando o Milan desse peso-morto e deixando o Benfica no meio da ponte.
 
O que é engraçado nisto tudo é que Tomasson seria apresentado no Domingo, no jogo contra o Chelsea, pois a sua contratação estava dada como certa pelos dirigentes e pelos jornais. Como se viu, nestas coisas do futebol, não é muito aconselhável lançar foguetes antes do tempo, porque depois pode não haver festa.
 
Olhando para o actual plantel do Benfica, especialmente para este último jogo contra o Chelsea, é previsível que seja contratado um novo avançado, espero é que não façam muito barulho e que se certifiquem que ele quer mesmo vir, para evitar futuras desilusões.
Tomasson justificou a sua "não-decisão" assim: "falou-se demais nos jornais". Para quem não compreende a linguagem do futebol, isto significa que se falou de mais nos jornais, e de menos na mesa das negociações.
Para bom entendedor...
 
 

sexta-feira, julho 15, 2005

Apelo à participação do povo

Nos últimos tempos tenho sido abordado por várias pessoas na rua que me perguntam as horas e que, na conversa que então se desenvolve, começam a falar sobre o blog Donosdabola - é verdade, ainda há quem se dê ao trabalho de ler os artigos! Este país está mesmo perdido. Também é verdade que a maior parte destas pessoas (quase duas unidades), são professores colocados em regime de substituição, logo com muito tempo livre e pouca imaginação para fazer outras coisa mais úteis. MAs são os nossos leitores, temos que os tratar bem.

 

Ora, qual não é a minha surpresa ao ver que essas pessoas não comentam os artigos, não se fazem ouvir, porque, vá-se lá perceber isto, "têm que estar registadas".

 

Como isto é um local de reflexão democrático, a partir deste momento não é necessário estar registado no Blogspot para comentar os posts deste blog, mas, e fica aqui o aviso, todos aqueles posts que não se inserirem no "core-business" deste site, serão democraticamente enviados para o Departamento de Pagamentos a Credores da nossa empresa de advogados Vale e Azevedo S. A., ou seja, serão apagados.

 

Devo dizer que a opção de ter apenas comentários de utilizadores registados na blogosfera foi uma opção pela defesa da responsabilidade intelectual de cada um, pois andamos todos fartos de ouvir "berlaitadas", todos os dias na televisão e nos jornais, proferidas por seres energúmenos que não assumem as suas posições. Assim, convido toda a gente a comentarem os artigos livremente e, se tiverem coragem, a assinar os seus comentários (se quiserem utilizem nicks, quem não tiver que vá até à drogaria mais próxima e compre meia dúzia, dá sempre jeito para estas coisas da net - nos hipermercados estão ao lado dos pensos higiénicos, juntamente com as velas aromáticas, mesmo antes dos encerados e reparadores de madeira).

 

Obrigado,

A redacção do Donosdabola

 

Nota: aqueles que ainda não perceberam qual é o "core-busines" deste blog leiam o título do mesmo!

segunda-feira, julho 11, 2005

Professora primária desmente Luís Filipe Vieira

As mais recentes declarações de Luís Filipe Vieira, proferidas em directo na SIC, causaram uma onda de reacções em todo o país. Segundo LFV, Dias Ferreira, advogado de Miguel no caso que opõem o jogador ao Benfica, e citando o presidente do clube da águia, "tirou o mesmo curso que Vale e Azevedo".
Ora, na tentativa de comprovar esta bombástica afirmação, o Donosdabola investigou o percurso escolar destas duas grandes figuras do futebol nacional, e chegou, de facto a um ponto de contacto: a Escola Primária de Nogueira de Azeitão, uma pequena localidade escondida na Serra da Arrábida.
Conseguimos chegar à fala com a D. Gertrudes Malfeitor, professora primária em destacamento há 45 anos na serra, e tentamos confirmar se de facto Vale e Azevedo e Dias Ferreira tinham sido colegas de curso. Aqui fica a transcrição dessa conversa:
 
Donosdabola: Boa tarde, D. Gertrudes?
D. Gertrudes Malfeitor: Estou sim? Quem fala? Estou a ouvir mal! Vou molhar o poste.
Ddb: D. Gertrudes, pode nos confirmar se foi professora de Vale e Azevedo e Dias Ferreira?
D. GM: De quem? Maldito telefone. Vale e Azevedo? Esse menino é um monstro! Anda sempre a roubar cerejas ao meu avô. Nunca faz os trabalhos de casa e quando faz são copiados de alguém. O que é que ele fez agora?
Ddb: Não, não fez nada, apenas queríamos saber se foi colega de carteira de Dias Ferreira? Conheceu os dois?
D. GM: Dias quê? Ferreira? O filho do Arlindo, neto do Quim das Roscas? Esse quer ser advogado, mas eu sempre lhe digo para ele se dedicar à agricultura, como o avô. Ele tem muito jeito para semear batata.
Ddb: Então confirma que Vale e Azevedo e Dias Ferreira foram colegas de curso?
D. GM: Sabe, um dia estava eu a lavar uma roupinha e vi os dois a roubar gasolina do tractor do presidente da junta. Corri atrás deles com uma saxola mas já nessa altura as minhas pernas não ajudavam.
Ddb: Muito obrigado, D. Gertrudes Malfeitor, foi uma ajuda preciosa, obrigado.
 
Este exclusivo do Donosdabola veio comprovar as afirmações de Luís Filipe Vieira: Vale e Azevedo e Dias Ferreira foram colegas e já em pequeno mostravam queda para os negócios menos claros.
 
Nota: devido ao teor altamente explosivo do testemunho da D. Gertrudes Malfeitor, fomos contactados pela Polícia Judiciária que nos obrigou a classificar este assunto como confidencial. Como tal, e ao abrigo da lei da liberdade de imprensa, daqui para a frente a identidade da nossa fonte será ocultada, passando a ser referenciada apenas como DGM. Quando ela entender, ou quando morrer, poderemos então divulgar a sua verdadeira identidade. Fica aqui o nosso muito obrigado. É com estas pessoas que se constroi um jornalismo sério.
 
A redacção do Donosdabola.

sexta-feira, junho 17, 2005

Trapattoni: o regresso a casa


Ficaram célebres as declarações de Trapattoni no fim da época: "Tenho saudades de casa e dos netos", "Quero regressar ao meu país", "Estou há muito tempo fora de casa", "A minha mulher exige o meu regresso", "Prefiro treinar um clube da 2ª divisão Italiana do que ficar no Benfica", entre muitas outras. Ora, para meu espanto, o mesmo Trapttoni foi anunciado hoje como o novo treinador do Estugarda, que como toda a gente sabe é um clube alemão, o que só vem comprovar a coerência deste senhor e na forte razão que o levou a deixar o Benfica: as saudades de casa (ndr: passo a usar ironia daqui para a frente).

 

Como sabemos, Estugarda é pertinho de Itália, mas mesmo que fosse o Bahrein ou as Filipinas, tudo servia para sair do Benfica. Este grande nome do futebol mundial marcou uma era no clube da Luz, mas passou de fininho, sem convicção e mortinho por de lá sair.

 

Tenho bem presente na memória o célebre jogo com o Sporting, quando nos derradeiros minutos de jogo, com as duas equipas empatadas a zero (antes do "fabuloso golo de Luisão com o ombro" e que Ricardo tanto aplaudiu – ndr: veio-se a descobrir depois que afinal não aplaudiu, apenas pedia penalti, pois Luisão chamou-lhe frangueiro antes dele tocar na bola), e onde Trapattoni, encostado ao banco de suplentes, parecia rezar para que o jogo acabasse rápido, ignorando os apelos do público (e de Álvaro Magalhães, figura garbosa do nosso imaginário colectivo), que desesperavam por mudanças (Mantorras já tinha conseguido apertar os cordões no banco, sem a ajuda de ninguém).

 

Mas quis o destino (e o Ricardo) que o Benfica ganhasse esse jogo e Trapattoni, fiel aos seus princípios, apelando à boa alma benfiquista, foi para casa... (ou para bem longe dali, que é mais o caso, como hoje se pode comprovar).

 

Obrigado Trapa, por mais esta grande lição de humanidade e de fidelidade ao clube. Também o espanhol, quando chegou ao Real Madrid, disse cobras e lagartos do que tinha visto, mas até esse, Camacho, voltou a ser falado este ano para substituir Trapattoni.

 

Quem sabe se em 2007, ano em que acaba o contrato de Trapa com o Estugarda, ele não regressa, qual D. Sebastião, e juntamente com o valente D. Álvaro Magalhães (repescado de um clube da 3ª Divisão distrital, onde trabalhava como porteiro) devolvem toda a glória ao clube da águia (entretanto perdida... a glória, não a águia, que por acaso também se chama glória)... mas só por um ano, que depois há que fugir a sete pés, para outro clube qualquer.